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Dia 15, vote!

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14.11.2020 - 12:17:37
 
Uma crise política é reflexo, sobretudo, de uma crise na participação política da população. Nas eleições anteriores, federais ou municipais, uma polarização política tomou conta do país e os projetos políticos de governo deram lugar a um embate de ódio, do tudo ou nada. O reflexo direto disso em boa parte da população foi a descrença, o desânimo e a falta de confiança na participação política do povo por meio do pilar da nossa democracia que é o voto. Como poucas vezes na história da nossa república, estas eleições de 2020 foram pautadas no esforço dos candidatos no sentido de convencer a população a votar, a confiar que o voto faça diferença para a cidade e o país que queremos, e isso é a maior verdade do nosso sistema político.
 
Diante da polarização política em que o país mergulhou, entre supostamente apenas dois lados possíveis, podemos dizer que um terceiro campo cresceu com muita força, o campo da abstenção e da descrença total com a política. Nas eleições federais de 2018, 42 milhões de brasileiros não escolheram nenhum candidato no segundo turno. Foram 8,4 milhões de brasileiros que votaram nulo, 2,4 milhões que votaram em branco e 31,3 milhões sequer compareceram às urnas. Podemos talvez dizer que 42 milhões votaram pela desesperança na política ou contra a falsidade da polarização de que só dois lados existem em política. Foi o maior número de abstenção política desde as eleições de 1989, a primeira eleição federal da nossa jovem democracia.
 
Nas eleições municipais de 2016, ainda que a abstenção tenha sido menor, ainda assim foi maior que em anos anteriores. Em 2016 7,08 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas, anularam ou deixaram em branco seus votos.
 
O processo eleitoral de 2020 é, portanto, uma oportunidade única de reconstrução democrática em nosso país. Como poucas vezes se viu em nossa história democrática, candidatos tiveram que pedir voto a voto e, sobretudo, tentando convencer a população a comparecer diante das urnas. Claro, a situação de crise na saúde pública é um fator que pode ampliar a abstenção, ainda que a Justiça Eleitoral esteja atuando exemplarmente, garantindo todo o protocolo exigido pelas autoridades em saúde pública para preservar a saúde e a vida das pessoas. Mas ainda assim há algo mais nesse cenário. Está em jogo reafirmar a certeza de que a democracia é o melhor modelo político que podemos almejar. Está nas mãos dos brasileiros, em cada cidade, decidir pelo voto quais são os melhores projetos para nossos municípios e, portanto, para nosso país. Dia 15, vote.
 
*Luciano Hanna é advogado especialista em Direito Eleitoral e ex-juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral
 
 
 
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por Luciano Hanna

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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