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Virmondes Cruvinel (Foto: reprodução)

Decepção no pacto entre Mercosul e UE

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30.01.2026 - 10:44:48

Um banho de água fria lamentável a decisão do Parlamento Europeu de submeter o acordo entre Mercosul e União Europeia a uma revisão jurídica, ação que pode atrasar o pacto comercial por até dois anos. Após mais de 25 anos de negociações, quando finalmente se alcançou um consenso para o maior acordo de livre comércio do mundo, a suspensão imposta por pressões de produtores europeus representa um atraso injustificável diante das potencialidades econômicas envolvidas — especialmente para o Brasil e para Goiás.

O tratado une mais de 30 países e cerca de 720 milhões de habitantes, criando uma das maiores zonas de livre comércio do planeta. Para Goiás, a entrada em vigor desse acordo abriria uma janela histórica de oportunidades, com a redução gradual de tarifas e o acesso ampliado a um mercado consumidor sofisticado, exigente e de alto poder aquisitivo.

O agronegócio goiano seria um dos grandes beneficiados. Setores como carne e soja ganhariam competitividade imediata, mas o potencial vai além das commodities tradicionais. O açúcar orgânico, por exemplo, cujas vendas para a União Europeia foram reduzidas nos últimos anos, poderia retomar espaço e gerar novos negócios, estimulando cadeias produtivas sustentáveis e de maior valor agregado.

Há ainda um aspecto estratégico que não pode ser ignorado: a diversificação dos mercados. Hoje, a China concentra cerca de 44% das exportações goianas. Dados do Instituto Mauro Borges mostram que apenas 15 países compram 75% de tudo o que Goiás exporta, e somente três deles são europeus. Ampliar a presença no mercado europeu é reduzir riscos, aumentar a resiliência econômica e fortalecer a posição internacional do Estado.

Além do comércio de mercadorias, o acordo abriria espaço para um intercâmbio tecnológico mais intenso, fundamental para modernizar a produção, incorporar inovação e aumentar a competitividade da economia goiana. Em um mundo cada vez mais integrado, comércio exterior também é troca de conhecimento, padrões produtivos e tecnologia.

É verdade que existem desafios a serem superados, como exigências ambientais e gargalos logísticos. Mas o agronegócio goiano tem avançado de forma consistente na agenda ambiental, e cabe ao Brasil enfrentar, com seriedade, a histórica morosidade nos investimentos em infraestrutura e logística.

Por isso, a decisão europeia de adiar o acordo precisa ser lamentada e questionada. O tratado Mercosul–União Europeia é uma grande oportunidade de ganhos mútuos. Uma resposta diplomática e democrática a ações unilaterais sombrias que vivemos atualmente. Goiás e o Brasil estão prontos para essa integração. Adiar esse passo é apostar no atraso. É desperdiçar tempo, crescimento e desenvolvimento em um cenário global que exige agilidade e visão estratégica.

*Virmondes Cruvinel é procurador do Estado licenciado e preside a Comissão do Empreendedorismo na Assembleia Legislativa

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por Virmondes Cruvinel

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