Larissa Lessa
A violência no Entorno do Distrito Federal (DF) é pauta de discussão na manhã desta terça-feira (22/11) entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e os governadores do DF, Agnelo Queiroz, e de Goiás, Marconi Perillo. Eles participam em Luziânia, distante 200 quilômetros de Goiânia, do 1º Colóquio sobre Segurança Pública no DF e Entorno “Segurança Pública no Distrito Federal e Entorno: Contexto, desafios e oportunidades”.
O colóquio visa debater, com autoridades e especialistas, as alternativas para a redução da violência na região que, segundo dados divulgados ontem (21/11) pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás, é a região mais violenta do Estado. Até o fim de outubro de 2011, 476 homicídios aconteceram no Entorno, 35% de todos os casos registrados em Goiás. Luziânia, cidade-sede do colóquio, é a terceira mais violenta do Estado, com 126 assassinatos até outubro, perdendo apenas para Goiânia (408) e Aparecida de Goiânia (139). Até o final do ano, a projeção da Polícia Civil é que 151 homicídios aconteçam na cidade.
No Entorno, proporcionalmente, os números da violência são os mais críticos. A média em 2011 é de 70,22 homicídios para cada 100 mil habitantes, muito acima do nível considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas, de 10 homicídios por 100 mil habitantes, e da média nacional, que é de 24 homicídios para cada 100 mil habitantes. O número é também praticamente o dobro do registrado na capital, que tem média prevista para 2011 de 37 vítimas para cada 100 mil habitantes.
Greve
A situação dos 19 municípios do Entorno do DF se agrava com a greve dos policiais civis na região, que dura 31 dias. Cerca de 440 policiais que atuam nas delegacias e na Polícia Técnico-Científica pararam as atividades, de acordo com dados do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol). Eles cobram do governo aumento da gratificação para os policiais do Entorno de R$ 276 para R$ 800, promoção automática e concurso público para o preenchimento do déficit de 3 mil vagas na Polícia Civil em todo o Estado.
Cerca de 50 policiais grevistas realizaram uma manifestação em frente ao Centro de Convenções de Luziânia, onde acontece o colóquio. “Cobramos do governo e do Ministério da Justiça uma solução para esse impasse”, afirmou o presidente do Sinpol, Silveira Alves. Ele afirma que o Sindicato mantém 30% do efetivo trabalhando no Entorno, como é determinado por Lei.
Na sexta-feira (18/11), o ministro da Justiça, atendendo pedido do governador Marconi Perillo, anunciou que a Força Nacional de Segurança Pública deve permanecer no Entorno do DF por mais 90 dias em apoio à PM e à Polícia Civil. O prazo, de acordo com portaria publicada no Diário Oficial da União, pode ser novamente prorrogado.
Os policiais civis do DF também estão em greve há 27 dias. Eles reivindicam aumento de 13% do piso, que é de R$ 7.514 e pode chegar a R$ 11.879. Em Goiás, o piso do agente da Polícia Civil é de R$ 2.711.
Armas de fogo
De acordo com as estatísticas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública, a arma de fogo é utilizada em 75% dos crimes de homicídios cometidos em 2011 em Goiás. Na tentativa de reduzir esse índice, também será lançado nesta manhã, em Luziânia, um posto de arrecadação de armas que ficará aberto 24 horas. A iniciativa é inédita no Brasil, segundo o coordenador da Campanha do Desarmamento em Goiás, tenente coronel Wellington de Urzêda. Outros sete postos 24 horas, cinco em Goiânia, um em Aparecida de Goiânia e um em Águas Lindas, também passarão a funcionar a partir de hoje.
Desde agosto, cerca de 500 armas foram entregues nos postos de recolhimento em Goiás, índice considerado “normal” pelo coordenador da campanha no Estado. Outras 1500 foram apreendidas pela Polícia Militar de janeiro a outubro. Uma das metas a médio prazo apresentadas no Programa de Redução da Violência é a criação de um Programa Estadual de Desarmamento, que também recompensaria financeiramente os policiais que recolhessem armas das ruas. “Essa proposta agora vai ser avaliada pelo secretário de Segurança Pública e provavelmente pela Assembleia Legislativa, já que envolve gastos”, afirmou o tenente coronel Urzêda.