Kamylla Rodrigues
Goiânia – O primeiro debate na TV entre os candidatos ao governo de Goiás foi realizado na noite desta terça-feira (28/8) pela nova TV Brasil Central. A sabatina foi marcada por poucas apresentações de propostas de governo e muitos ataques mútuos entre os governadoriáveis. O debate teve de ser encerrado antecipadamente após o apresentador e jornalista que mediava o evento, Enzo de Lisita, passar mal.
Participaram do debate os candidatos Daniel Vilela (MDB), Kátia Maria (PT), Ronaldo Caiado (DEM), José Eliton (PSDB) e Weslei Garcia (PSOL).
Com uma plateia de 80 convidados formada por assessores dos candidatos e representantes da sociedade civil, no primeiro bloco foram escolhidas cinco entidades que formularam perguntas aos candidatos a governador: Federação do Comércio (Fecomércio), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Conselho Regional de Medicina (Cremego), Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) e o Sindicato dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Sindipúblico). A primeira pergunta foi enviada pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) sobre o equilíbrio fiscal e direcionada, por meio de sorteio, ao governador de Goiás, José Eliton.
O candidato à reeleição afirmou que o ajuste fiscal sempre foi prioridade e um dos principais pilares do governo é a manutenção do equilíbrio fiscal. "No ano passado tivemos um superávit de R$ 600 milhões e sempre honramos nossas obrigações. É claro que em um cenário de crise estamos discutindo um modelo de eficiência maior", disse, ao ressaltar que está tomando medidas de contenção de gastos, como por exemplo, o programa Go Taxi, que reduz em 50% o uso da frota do Estado. "Isso permite a aplicação de recursos com mais eficiência".
Na sequência, Ronaldo Caiado falou sobre como será sua gestão, caso seja eleito governador de Goiás. “Minha gestão será marcada por transparência. Todos os agentes de governo serão capacitados para prestar contas ao cidadão. O que queremos é que o servidor tenha total controle do gasto que esteja sendo feito e de como o dinheiro público está sendo aplicado. Assim, poderemos atender a demanda do cidadão", disse. O candidato ainda falou em tolerância zero com a corrupção.
Ao falar de propostas, Daniel Vilela disse, se eleito, colocará a gestão do Hospital do Servidor nas mãos dos próprios servidores. “Isso será feito com a definição e modelagem de gestão mais adequada e que atenda a expectativa e a necessidade dos servidores. Não podemos imaginar que depois de ser construído com recursos dos servidores, nos teríamos uma necessidade da administração direta do poder público. E assim poderá ser local adequado a todos os servidores”, ressaltou ao enfatizar que fará uma auditoria nas contas públicas se ingressar no centro administrativo.
A candidata Kátia Maria (PT) afirmou que, se eleita, vai fortalecer o SUS em Goiás. "No governo do Lula, nós construímos 1.422 unidades básicas de saúde em Goiás. Nosso comprometimento é dar dignidade para a população", disse a candidata criticando o modelo atual de gestão por Organização Social. "Gestão pública é coisa séria e vamos atuar com responsabilidade", frisou. Kátia ainda disse que criará o Programa Saúde Para Todos. "Vamos fazer com que os hospitais regionais saiam efetivamente do papel, com uma rede articulada com centros de referência em especialidades médicas. Precisamos atender toda a população, da criança ao idoso", disse a candidata.
Outra proposta apresentada na área de saúde foi a do candidato Weslei Garcia, que informou que vai criar o "Saúde em Casa", com atendimento em domicílio. "Médicos, enfermeiros, agentes de saúde farão o atendimento na casa dos pacientes. Vamos fortalecer o laboratório Iquego e reformar os hospitais”, complementou. O candidato ressaltou ainda que vai romper os contratos com as Organizações Sociais na Saúde.
Troca de farpas
O debate também foi marcado por ataques entre os candidatos. Daniel Vilela alfinetou Caiado sobre a criação de mais impostos. "Durante as eleições, pede voto para os pobres mas durante seu mandato defende os mais ricos", disse o emedebista ao senador. “Está textualmente no seu plano de governo a criação de novos impostos na área de mobilidade. Talvez o senhor não tenha lido seu próprio plano de governo”, disse Daniel se referindo à fala anterior de Caiado de que não criaria impostos.
Caiado, por sua vez, mirou o governador José Eliton ao criticar “a paralisação de obras de hospitais regionais”. O tucano rebateu e afirmou que, ao contrário do que foi dito pelo senador, “as obras estão em andamento”. Eliton também “alfinetou” o Democrata ao mencionar, durante o debate, que “alguns parlamentares tiveram a oportunidade de fazer muito por Goiás durante anos e não fizeram”.
O debate teve transmissão ao vivo das rádios Brasil Central AM e RBC, SKY 313 e NET 520.