Logo

De pai para filho: desafios das empresas familiares

WhatsAppFacebookLinkedInX
30.11.2018 - 15:34:15
 
Apesar de serem responsáveis pela metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, as empresas familiares ainda enfrentam desafios quando o assunto é gestão e sucessão. Como consequência, de cada 100 companhias de comando familiar, apenas 30 chegam à segunda geração e somente cinco conseguem alcançar a terceira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Os dilemas são inúmeros, a começar pela separação das relações familiares do ambiente profissional. Outra situação bastante comum, mas indesejável, é a centralização das decisões no fundador. Isso porque, quando um empreendedor concentra informações e não delega tarefas, ele acaba ficando preso ao negócio, não podendo se ausentar para não o colocar em risco.
 
Para resolver tal imbróglio, o primeiro passo é delimitar cargos e funções. Neste aspecto, é essencial que os herdeiros, antes mesmo de participar ativamente da empresa, busquem se profissionalizar, investindo em educação continuada e conquistando méritos de forma independente. Um processo sucessório pode resultar em novas ideias para fazer melhor algo que já era bem executado. Mas não custa frisar: só se espera esse tipo de postura de quem se capacitou para estar ali.
 
Vale ainda reforçar que existem grandes diferenças entre chefe e líder, apesar de muitos sucessores confundirem os dois termos. Embora tenham as mesmas funções, o chefe recebeu o poder, enquanto o líder o conquistou. Além disso, o chefe é alguém que decide utilizando apenas recursos autocráticos, ou seja, de mando, obediência, ameaça e até de recompensa financeira. Já o líder é respeitado, tem ótimo relacionamento com a equipe e pode contar com a ajuda dos colaboradores na hora de tomar decisões e garantir as entregas.
 
Por isso, a governança corporativa, conceito enraizado nas grandes companhias, deve fazer parte das empresas familiares. Neste tipo de negócio, cabe uma distinção clara entre propriedade e gestão. Herdeiros têm direitos como proprietários, mas isso não lhes confere o direito de serem gestores, necessariamente. Neste sentido, as figuras de liderança devem ser desempenhadas por aqueles que realmente demonstrem merecimento para esses cargos.
 
É preciso entender que a mudança na gestão dos negócios familiares é um processo, que deve ser focado em um eixo comum, englobando procedimentos disciplinados e transparentes. As novas práticas envolvem desde reorganizações societárias para agrupamento de núcleos familiares em holdings, criação de foro adequado para discussões e decisões em relação ao negócio até a elaboração de protocolos de família com regras internas para uso dos recursos e contratação de familiares.
 
Em suma, passar o bastão para os sucessores não é tarefa fácil. Não basta o pai selecionar os filhos com melhores aptidões para os negócios. Ele precisa prepará-los muito bem para essa nova empreitada. A transição requer planejamento, profissionalização, gestão participativa, governança e investimento constante em inovação. Pois, sem isso, o conhecido ditado popular “Pai rico, filho nobre e neto pobre” pode se tornar uma dura realidade para muitas organizações.
 

*Alessandra Luzine é psicóloga, especialista em Gestão de Pessoas e Negócios e CEO da A3 Consultoria

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Alessandra Luzine

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]