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José Mário Schreiner, Bruno Peixoto, Luiz do Carmo, Adriano Rocha Lima e Gustavo Mendanha (Foto: reprodução)

De olho em 2030, aliados disputam vaga de vice de Daniel Vilela e revivem roteiro político em Goiás

Movimentações públicas, críticas nos bastidores e pressão de lideranças municipais marcam a corrida

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30.05.2026 - 08:00:57

Samuel Straioto

Goiânia — O posto de candidato a vice-governador de Goiás na chapa de Daniel Vilela (MDB) é bastante cobiçado. Pelo menos cinco nomes travam uma disputa aberta, e nem sempre cordial, por uma vaga que, em tese, seria decidida apenas nas convenções partidárias, entre o final de julho e o início de agosto. O interesse tem explicação: se reeleito em 2026, Vilela cumprirá seu segundo mandato consecutivo e a Constituição o impedirá de concorrer novamente ao governo em 2030.

Quem estiver ao seu lado como vice herda a posição de principal nome do grupo para a eleição seguinte e a história recente de Goiás mostra que essa posição tem peso real. Entre os nomes na corrida pela vice estão: o deputado federal e pecuarista José Mário Schreiner, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha, o ex-senador Luiz do Carmo, o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, e o ex-secretário Adriano Rocha Lima. Todos têm movimentado bastidores, fazem declarações públicas e articulam apoios.

A disputa

Schreiner tem feito uma movimentação mais ostensiva do que os demais citados: mobilizou prefeitos de dezenas de municípios em torno de seu nome. A estratégia chegou a incomodar os concorrentes.

Luiz do Carmo foi o primeiro a verbalizar o desconforto. “Campanha para vice? Você já viu isso na história? Eu nunca vi isso na vida. Inventaram isso aí”, disse o ex-senador à imprensa, antes de completar: “Gosto muito do Zé Mário, acho que é preparado, preparadíssimo. Todos são preparados, mas não precisa isso, é pressão. E outra coisa: ninguém pressiona o governador, ninguém pressiona um Caiado da vida.”

Schreiner não recuou e justificou a postura. “Sempre enfrentei dificuldades, buraco, pedra e atoleiro. Minha forma de buscar espaço é mostrando serviço e dialogando com as pessoas. Vou manter essa postura”, afirmou, argumentando sobre sua articulação como resposta espontânea dos gestores municipais.

Mendanha entrou na disputa por outro ângulo. Sem citar nomes, defendeu que o vice “não é decorativo” e precisa ter “experiência comprovada”. Mendanha foi prefeito com boa avaliação em Aparecida de Goiânia, sucedendo Maguito Vilela, pai de Daniel. Adriano Rocha Lima separou os perfis em campo: “Representar segmentos é papel de deputado, não de vice. Vice exige competência.”

Já o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto, revelou em entrevistas à imprensa que foi procurado pelo ex-governador Ronaldo Caiado e pelo governador Daniel Vilela para discutir uma possível participação na chapa ao Governo de Goiás em 2026. Apesar das sondagens, o deputado estadual afirmou não ter interesse na vice-governadoria e reiterou que seu objetivo político é disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Nos bastidores, contudo, o nome de Bruno segue citado como alternativa estratégica para a composição majoritária, sobretudo pela articulação construída junto a lideranças municipais — um ativo considerado relevante em disputas estaduais.

2030

Para a cientista política Mariana Fonseca, a combinação de fatores torna a vice de 2026 estrategicamente relevante. “Você tem um governador que chega ao segundo mandato sem possibilidade de reeleição e um ex-governador que migrou para a disputa presidencial. Isso cria um espaço de liderança para 2030 que ainda não está definido. Quem ocupar a vice em 2026 terá quatro anos para construir esse protagonismo dentro do próprio governo.”

A decisão final sobre o nome será de Vilela, com participação de Caiado, que comanda o PSD em Goiás e tem interesse direto na composição da chapa. Cada nome em disputa representa uma aposta distinta: Schreiner carrega o interior e o agronegócio organizado; Do Carmo tem trânsito no campo evangélico; Mendanha representa a gestão urbana e o eleitorado metropolitano; Adriano Rocha Lima tem proximidade com o PSD de Caiado e experiência de governo.

O histórico

A movimentação atual tem antecedentes. Desde a redemocratização, em 1982, a reportagem levantou os casos de vice-governadores em Goiás que chegaram a assumir o Executivo estadual — e o padrão se repete com regularidade. Para o historiador Ricardo Borges, especialista em política goiana, o fenômeno não é novo, mas a forma como se manifesta desta vez chama atenção.

“A história de Goiás mostra que o vice frequentemente governa. Mas a disputa costumava ser mais discreta. O que estamos vendo agora é uma campanha aberta, com cada nome tentando criar fatos políticos antes mesmo de haver uma decisão”, relatou.

Daniel Vilela lança 212 obras em 44 municípios goianos (foto: Lucas Diener e Benedito Braga)
Daniel Vilela foi vice de Ronaldo Caiado até início de abril de 2026. (Foto: Secom)

O próprio Daniel Vilela percorreu esse caminho. Vice de Ronaldo Caiado desde janeiro de 2023, assumiu o governo em abril de 2026 com a desincompatibilização do ex-governador para a corrida presidencial.

Antes dele, José Éliton foi vice de Marconi Perillo nos dois mandatos do tucano — indicado pelo próprio Caiado, numa época em que os dois ainda dividiam o mesmo campo político. Quando Perillo se desincompatibilizou para concorrer ao Senado em 2018, Éliton assumiu o governo entre abril e dezembro daquele ano.

José Éliton foi vice de Marconi Perillo e depois assumiu o governo em 2018. Foto: Governo de Goiás.

Alcides Rodrigues, vice de Marconi Perillo pelo PPB de 1999 a 2006, assumiu o Executivo quando Perillo deixou o cargo para disputar o Senado. Em 2006, venceu a eleição contra Maguito Vilela numa disputa considerada improvável e foi reeleito em 2010, governando o estado por mais de quatro anos no total. Ao longo do caminho, rompeu politicamente com Perillo.

Alcides Rodrigues foi vice de Marconi Perillo e depois venceu as eleições contra Maguito Vilela. Foto: Câmara dos Deputados.

Maguito Vilela, pai do governador Daniel Vilela foi vice de Iris Rezende no início dos anos 1990, ambos pelo PMDB. Venceu a eleição de 1994 para governador — com o apoio do próprio Iris — e governou Goiás até 1998, quando renunciou para disputar uma vaga no Senado.

Maguito Vilela foi vice-governador de Iris no início dos anos 90 e depois chegou ao governo estadual. Foto: Governo de Goiás.

Joaquim Roriz, eleito vice de Henrique Santillo em 1986 pelo PMDB, foi nomeado por Santillo interventor estadual na prefeitura de Goiânia. Em 1988, o presidente José Sarney o convidou para governar o Distrito Federal. Roriz deixou a vice-governadoria de Goiás para uma trajetória que o manteria na vida pública por décadas.

Onofre Quinan, vice de Iris Rezende eleito em novembro de 1982, assumiu o governo em fevereiro de 1986 quando Iris se licenciou para ocupar o Ministério da Agricultura no governo Sarney. Permaneceu à frente do Executivo por mais de um ano, até março de 1987. Anos depois, chegaria ao Senado.

Mariana Fonseca avalia que o padrão se repete com frequência suficiente para que nenhum político experiente de Goiás o ignore. Para ela, o que chama atenção não é apenas o interesse pelo cargo, mas a forma como ele se manifesta publicamente desta vez. “A história de Goiás mostra que o vice frequentemente governa. A campanha aberta, revela o tamanho do prêmio que está em jogo”, finalizou.

 

 

 

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por Samuel Straioto

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