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De Cazuza a Vélez. Pátria amada Brasil!

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06.02.2019 - 12:11:12

“Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer”.

O extraordinário compositor e cantor Cazuza sintetizou de modo magnífico o espírito do seu tempo no imortal verso da canção “Brasil”. O ano era 1988, quando a nação contava os primeiros passos pós-regime militar. No mesmo ano, era promulgada a Carta Cidadã, marco constitucional que deflagrou o processo de solidificação das nossas instituições democráticas.

Dando um salto de mais de 20 anos, Cazuza foi lembrado, equivocadamente, pelo ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, numa entrevista recente para uma importante revista de circulação nacional.

Vélez ligou a sua metralhadora verbal e disparou, dentre outras temeridades, que o brasileiro viajando é um canibal. “Rouba coisa dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião”. Ainda, que a universidade não é para todos, para o qual “nem todo mundo está preparado ou tem disposição ou capacidade”.

A cereja do bolo ficou por conta da colocação do ministro no sentido de que “liberdade não é o que pregava Cazuza, que dizia que liberdade é passar a mão no guarda”.

Com efeito, em socorro da memória do falecido cantor, Lucinha Araújo, sua mãe, fez o colombiano se retratar publicamente do equívoco, tendo em vista que a frase, humorística, diga-se de passagem, nunca foi dita pelo filho Cazuza, mas pelo grupo cômico Casseta & Planeta.

A entrevista do ministro não revela apenas desconhecimento artístico nacional, compreensível para quem veio de outro país, contudo, inescusável para quem comanda a pasta da Educação. A entrevista do ministro revela, especialmente, prepotência intelectual e preconceito para com o povo brasileiro. Inadmissível para quem compõe o altíssimo escalão da administração pública federal, mormente de um governo que tem como slogan oficial: “Pátria amada Brasil”.

Encerro citando mais uma vez o genial Cazuza:

“A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para não, não para”.

*Juberto Jubé é advogado publicista

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por Juberto Jubé

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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