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Das dores e delícias de organizar o TEDxGoiânia

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27.11.2018 - 18:00:04
 
Goiânia – O maior desafio de um organizador de eventos são as palestras. Nada se compara à sua capacidade de conversarem com um público tão diverso, tão rico e tão belo como é o público do TEDxGoiânia. Organizar implica correr atrás de patrocínios e parcerias, com risos e suores, e completar uma parte técnica com nomes que incluem um tal de RGBW, Elipsoidal, Truss, Fresnel ou Lumens! Você acha que até precisa de um dicionário!
 
Mas tudo isso parece valer a pena quando você vê os palestrantes usando um dicionário para traduzir seus mundos técnicos ou pessoais, seus mundos artísticos ou científicos para quase mil pessoas completamente diferente que as escutam.
 
No TEDxGoiânia nós buscamos em equipe o tema do evento e depois buscamos ideias que tenham a ver com o grande tema. É perante as ideias que buscamos pessoas que dominem aqueles temas. Por isso, as pessoas sabem do que falam, mas esse dicionário com o público é fundamental. É um longo trabalho de aperfeiçoamento da forma de transmitir essas ideias.
 
E ao longo destas cinco edições, o maior evento de palestras TED organizado de forma independente na nossa região, percebemos que temos tido a sorte de termos os melhores palestrantes para os conteúdos que buscamos, mas ainda as melhores pessoas têm suas características específicas que tornam o processo mais divertido:
 
• o palestrante coelho branco da Alice no País das Maravilhas que vive sem tempo, correndo de
um lado para o outro dizendo “estou atrasado, estou atrasado” e o curador deve correr atrás dele
para conseguir, num momento de distração, sentar com ele e beber um chá para falar da
palestra;
• o palestrante celebridade, que já fez palestras no Dubai, na Antártica e em Marte e não precisa
se preparar;
• o palestrante celebridade com o assessor, cujo assessor envia um valor astrofísico que a NASA
paga para enviar foguetes para o espaço para cobrar um cachê de um evento que você já deixou
claro que não tem pagamento de cachê;
• o palestrante indeciso na sorveteria, que tem um turbilhão de ideias para todos os gostos e
sabores e não sabe qual escolher;
• o palestrante avôzinha querida, que conta tantas histórias e metáforas, que nos sentimos em
casa, desfrutamos de sua presença, mas acabamos esquecendo o porquê de lá estarmos;
• o palestrante humilde que já viu seu ídolo num TED e acha que não merece escalar o Olimpo
das palestras e estar naquele tapete vermelho;
• o palestrante stand-up comedy que improvisa algumas coisas divertidas, mas esquece das sérias;
• o palestrante vendedor, que nos faz sentir no intervalo comercial do evento;
• o palestrante alpinista que só aceitou entrar na programação porque quer subir na carreira.
São tantos tipos!
 
E um palco de TED/TEDx não é um palco para se vender, é um palco para mudar o mundo. Não se trata de “fiz isso ou aquilo e sou bom”. Trata-se de uma ideia que surge na mente de alguém que a tenta implementar, uma ideia que tem potencial de influenciar pessoas.
 
E aí está o desafio. Um TEDx não tem bons palestrantes, tem boas palestras. Não se trata de convidar pessoas e dizer “vai lá e fala alguma coisa”. São semanas, senão meses de treinamento para conseguir falar em 3 a 18 minutos, que é o tempo geralmente permitido pelo modelo.
 
Imagine toda essa diversidade de pessoas se preparando para chegar ao palco e em menos de vinte minutos expor sua ideia principal, apresentar dados adequados, contar histórias que consolidam sua perspectiva e convidar o público a entrar em seu mundo e mudar esse mundo!
 
Se você algum dia desejar subir ao tapete vermelho do maior evento de palestras do mundo ou de alguma licença independente ou qualquer outra palestra, segue aqui uma espécie de guia de reflexão sobre como se preparar.
 
Escolher a ideia central que se pretende transmitir ao público.
O que eu quero que as pessoas lembrem da minha fala daqui a um ano?
Escolher um a três conceitos significativos que podem causar reflexão profunda no público.
Quais são os conceitos que estão ligados à ideia e que podem me ajudar a conquistar o público?
Escolher palavras, roupas, linguagem que me aproxime do público e não me aliene dele
Quem é o meu público e quais são as coisas que esse público considerará ofensivo?
 
Escolher uma ou duas histórias que ilustrem a ideia, sejam histórias reais ou fictícias, conhecidas ou desconhecidas, concretas ou metafóricas. Escolher quais são os dados, as estatísticas, os fatos históricos que me ajudam a consolidar a ideia que quero transmitir. Encerrar com uma provocação, uma pergunta, uma citação que cause reflexão profunda imparável no meu público.
 
Tenho percebido como Curador do TEDxGoiânia que (quase) todos os palestrantes, no dia do evento, mais cedo ou mais tarde, ficam nervosos! A pergunta típica que fazem antes de entrar no palco é “já é a minha vez?”, seguida quase sempre de “não tem ninguém para ir antes de mim?”.
 
Nervosismo faz parte da vida. Se focarmos nele, nos imobilizamos, nossas gargantas fecham e as palavras não sairão. Mas ele nasce da nossa insegurança e de nossos medos. Se estivermos preparados para a fala, conseguimos ir para o palco, mesmo com os nossos medos e falar o que devemos falar.
 
Na vida é a mesma coisa. Se estivermos dispostos a nos prepararmos nela e darmos o nosso melhor, conseguiremos enfrentá-la, vivê-la e desfrutá-la apesar de nossos receios.
 
Então, uma salva de palmas para quem enfrenta a vida com preparo mas também com leveza!

Sam Cyrous é psicólogo e curador do TEDxGoiânia

 
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por Sam Cyrous

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