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Daniel Vilela (Foto: Secom)

Daniel Vilela vai a Brasília para articulação que visa evitar perdas na divisão dos royalties do petróleo em Goiás

Governador vai se reunir com ministros do Supremo Tribunal Federal

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27.04.2026 - 14:13:18

Ludymila Siqueira

Goiânia – Governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB) vai a Brasília para reunião com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana. Em pauta estará a distribuição dos royalties do petróleo, no qual o Estado de Goiás está entre os estados mais impactados, com perda estimada em  aproximadamente R$ 6,09 bilhões entre 2013 e 2025. O chefe do Executivo goiano estará acompanhado do procurador-geral do Estado, Rafael Arruda.

Segundo o governo do Estado, medida cautelar concedida pela ministra Cármen Lúcia em 2013 suspendeu a eficácia da Lei nº 12.734/2012, que dispõe sobre o pagamento e a distribuição dos royalties devidos em função da produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos. Desde então, a maior parte dos royalties e das participações especiais permanece concentrada em estados e municípios produtores. Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo concentram, juntos, 95% desses recursos.

Com isso a medida, 19 estados não produtores passaram a contestar a manutenção do modelo, ao apontar perdas bilionárias. Goiás está entre os entes mais impactados. As estimativas indicam perda acumulada de aproximadamente R$ 6,09 bilhões entre 2013 e 2025 e projeção adicional de cerca de R$ 913 milhões em 2026, segundo a Secretaria da Economia.

O procurador de Goiás, Rafael Arruda, afirmou que os recursos são recursos que poderiam ter sido aplicados em infraestrutura, segurança pública e serviços essenciais. “Por isso, o julgamento representa momento decisivo para o pacto federativo brasileiro, já que pode redefinir a distribuição de receitas oriundas de um bem da União, ou seja, de uma riqueza que é nacional e que pertence a todos os brasileiros, com impacto direto na redução das desigualdades regionais”, pontuou.

Proposta de acordo
Na véspera do julgamento, em 5 de maio, Rafael Arruda vai representar Goiás no ato com outros procuradores-gerais para apresentar à Corte os impactos do modelo atual e a proposta de acordo construída pelos estados não produtores e pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

A proposta a ser apresentada, segundo ele, busca uma saída equilibrada: aplicar a lei a partir de maio de 2026, prever uma transição de sete anos para adaptação dos estados produtores, renúncia de valores retroativos e excluir da negociação a margem equatorial, em razão do grau de incerteza regulatória e ambiental ainda existente.

Até o momento, os estados que subscrevem a proposta de acordo, com a participação da CNM, são: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.

O passivo acumulado entre 2013 e 2025, relativo às perdas de estados e municípios não produtores, alcança cerca de R$ 189,7 bilhões, segundo dados do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul).

Entenda o caso
Em 2012, o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 12.734/2012, com base no princípio constitucional de que os recursos naturais pertencem à União e que as receitas de sua exploração devem ser compartilhadas de forma equitativa entre os entes federativos. A decisão cautelar da ministra Cármen Lúcia, em 2013, suspendeu a aplicação da norma e manteve a distribuição prevista na Lei nº 9.478/1997, conhecida como Lei do Petróleo. Na prática, a medida preservou a concentração das receitas em poucos entes federativos.

Em 2025, royalties e participações especiais somaram R$ 92,423 bilhões em arrecadação, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O estado do Rio de Janeiro foi o principal beneficiado, com R$ 14,50 bilhões em royalties e R$ 11,55 bilhões em participações especiais. “Diante desse cenário, o STF terá papel decisivo na redefinição desse equilíbrio, com reflexos diretos sobre o desenvolvimento regional e a coesão federativa”, analisou Arruda.

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por Ludymila Siqueira

*Repórter

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