Samuel Straioto
Goiânia – Candidato à reeleição ao governo de Goiás, Daniel Vilela (MDB) defendeu, durante sabatina realizada na sede do jornal A Redação, nesta quinta-feira (20/8), o investimento em tecnologia, especialmente em Inteligência Artificial (IA), como um dos caminhos para aprimorar a segurança pública no Estado. Segundo ele, o uso de soluções tecnológicas, aliado ao trabalho de inteligência e investigação, pode facilitar e otimizar a atuação dos policiais.
“Nós temos que investir e estamos investindo muito em tecnologia. Hoje existem soluções tecnológicas acessíveis, possíveis de serem implementadas, que fazem um trabalho de inteligência, um trabalho investigativo, e que facilita e otimiza o trabalho dos nossos policiais”, afirmou.
Segundo o candidato, o Estado já opera um sistema de IA aplicado ao monitoramento urbano, com mais de 3 mil postes equipados atualmente. “Até o final de setembro, estaremos com aproximadamente 5 mil postes já em pleno funcionamento, e a ideia é que a gente possa chegar a 10 mil, abrangendo todos os municípios”, disse, acrescentando que a instalação prioriza regiões de divisa, cidades turísticas, rodovias e polos do agronegócio.
Vilela detalhou o funcionamento do sistema, capaz de identificar suspeitos a partir de características como cor de roupa ou veículo, gerar rotas prováveis de fuga e enviar alertas em tempo real às viaturas mais próximas da ocorrência. “Depois dessa identificação, já solta imediatamente um alerta com a localização em tempo real para a viatura mais perto”, explicou, atribuindo a essa tecnologia parte da responsabilidade por uma redução média de 90% nos crimes registrados no Estado, segundo dados citados pelo próprio candidato.
Efetivo
Questionado sobre a ampliação do efetivo policial diante das limitações fiscais do Estado, Vilela defendeu que essa discussão está “ultrapassada” diante das soluções tecnológicas hoje disponíveis. “Quando se discute única e exclusivamente o número de efetivos de policiais, é uma discussão atrasada, de quem ficou parado no tempo. As soluções tecnológicas hoje servem para otimizar o trabalho policial”, afirmou. Ainda assim, o candidato citou a realização de concurso para 1.500 policiais nos últimos anos e afirmou que Goiás pratica, em média, o maior salário policial do país, à frente inclusive do Distrito Federal, que recebe recursos diretos da União para custear sua segurança pública.
(Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação)
Questão fiscal
Ao responder sobre a projeção de déficit de R$ 2,5 bilhões prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o próximo ano, Vilela começou por contextualizar o ponto de partida de sua gestão, contrapondo o cenário herdado ao atual. “Se tem algo que o governador Caiado implementou como prática na gestão pública é a responsabilidade fiscal. Ele recebeu o governo com duas folhas de pagamento atrasadas, com R$ 6 bilhões de dívida imediata e apenas R$ 11 milhões no caixa do Estado. Demos todo esse salto, revertemos toda essa situação. Hoje Goiás tem R$ 9 bilhões em poupança”, afirmou.
O candidato contestou a leitura de que a projeção de déficit represente um sinal de dificuldade financeira, argumentando que esse tipo de análise ignora o colchão de recursos acumulado ao longo da gestão. “A leitura que se faz, às vezes, é um formato equivocado, ultrapassado. Como é que é o déficit? É a receita do ano menos a despesa. Aí a despesa é maior, gerou um déficit, mas não leva em consideração o saldo da poupança”, explicou.
Segundo ele, esse saldo é suficiente para cobrir a diferença projetada entre receita e despesa: “Esse possível déficit que existe entre receita e despesa no ano é coberto pela nossa poupança. Dessa forma, nós não temos déficit nenhum em relação a esse ano”.
Para o candidato, manter recursos públicos parados em aplicação financeira, sem convertê-los em investimento, não corresponde à função do Estado. “Não faz sentido eu ficar acumulando, eu como governo, ficar acumulando recursos ganhando em aplicação financeira. O recurso público não é feito para virar aplicação financeira, é para se transformar em investimento, em benefício para as pessoas”, disse.
(Foto: Cristiano Borges)
Poupança
Ainda assim, reconheceu que esse colchão fiscal não é permanente. “É lógico que o que é importante é você ter responsabilidade nos atos, nos atos de despesa, para que você tenha sustentabilidade fiscal ao longo dos anos, porque em algum momento essa poupança vai se acabar”, ponderou, defendendo que a alternativa para os anos seguintes está na melhoria da eficiência do gasto público, de forma a manter percentual relevante do orçamento voltado a investimentos.
Como evidência da situação fiscal do Estado, o candidato citou a nota atribuída por órgão federal responsável por avaliar a capacidade de pagamento dos entes públicos. “Tanto a saúde fiscal do Estado é de excelência que o Tesouro Nacional, na semana passada, anunciou que Goiás é Capag B+, a mesma que tinha”, afirmou.
Segundo Vilela, o governo estadual avalia recorrer da nota junto ao órgão federal, por entender que alguns critérios não teriam sido devidamente considerados na avaliação. “No nosso entendimento, não foram avaliados alguns pontos que podem já nos colocar com Capag A este ano. Vamos entrar com esse recurso, vamos discutir com o Tesouro, mas o fato é que só o fato de ser B+ já demonstra toda a saúde fiscal e a sustentabilidade fiscal que Goiás vive”, disse.
Ao relatar sobre medidas de médio e longo prazo para o período em que a poupança estadual estiver esgotada — incluindo eventual reforma administrativa e o crescimento vegetativo da folha de pagamento —, o candidato defendeu que ajustes de eficiência devem ser parte da rotina permanente de qualquer gestão, e não uma resposta pontual a um cenário de escassez futura.
“Isso é algo que todo governo precisa constantemente buscar: o aperfeiçoamento, a otimização, a eficiência, e tudo isso passa por mudanças administrativas”, afirmou. Segundo ele, esse processo inclui reavaliar anualmente o desempenho de cada secretaria e redistribuir servidores conforme a necessidade de cada área.
“A cada ano existe uma pasta que não está entregando aquilo que é preciso entregar. Vamos repensar qual é o formato melhor da gente alcançar eficiência naquela área. A outra já ficou, digamos assim, não é uma área que demanda tanto a necessidade de ter o número de servidores que tem, ou aqueles servidores podem ser distribuídos em outras pastas que hoje têm um funcionamento mais pleno”, explicou.
Modernização
O candidato afirmou ainda acompanhar modelos de gestão pública adotados em outros países como referência para aprimorar a aplicação do orçamento estadual. “A gente também tem que estar sempre muito vigilante, atento, acompanhando a modernização da gestão pública no mundo inteiro, os modelos diferentes que vão surgindo, para que a gente possa melhorar a nossa eficiência. Acho que esse é o grande objetivo de todo governo”, disse.
Disputa pelo Senado
Questionado sobre como administra eventuais divergências entre os candidatos ao Senado apoiados por sua base — o chamado “fogo amigo” no período eleitoral —, Vilela ponderou que a disputa interna é natural em qualquer eleição com mais de um nome no páreo.
“Toda eleição é disputada. Você raramente tem o privilégio de disputar uma eleição como candidato único. O normal é que você tenha mais de uma pessoa se apresentando, cada uma com um projeto”, afirmou.
O candidato atribuiu parte da configuração atual da disputa à decisão do TSE que permitiu candidaturas múltiplas por partido às vagas de Senado, cenário que classificou como “um pouco extraordinário” em relação a pleitos anteriores.
Ele citou os nomes hoje na disputa dentro de sua base: o senador Vanderlan Cardoso, buscando a continuidade do mandato; a ex-primeira-dama Gracinha Caiado; o deputado federal e médico Zacharias Calil; e o ex-prefeito Gustavo Mendanha. “Cada um com a sua razão, cada um com o seu projeto, cada um com a sua defesa dessa oportunidade de se tornar senador”, disse.
Para Vilela, cabe ao eleitorado, ao fim do processo, indicar quem considera mais preparado para a função. “É natural que disputem, é natural que haja situações de divergência, mas é cada um buscando o seu espaço, cada um buscando os seus apoios. Ao final da eleição, nós saberemos quem a população goiana entende como os mais adequados para nos representar no Senado”, afirmou.
Trajetória e preparo para a candidatura
Questionado sobre seu preparo para a disputa, Vilela recorreu à própria trajetória política, iniciada há 18 anos como vereador. “Comecei a carreira no primeiro degrau como vereador, adquiri experiência em relação ao município, depois me tornei deputado estadual, inclusive desempenhando um papel de oposição, que é de grande importância para o processo democrático”, afirmou. Ele passou ainda pela Câmara dos Deputados, onde diz ter presidido a Comissão de Constituição, Justiça e Redação, além de relatar e apresentar projetos ao longo do mandato.
O candidato mencionou sua candidatura ao governo em pleito anterior, quando ficou em segundo lugar, e sua atuação como vice de Ronaldo Caiado nos últimos anos: “tive o privilégio de ser o braço direito do governador Ronaldo Caiado nesses últimos anos e estive com ele em todas as agendas, em todas as ações, em todas as discussões”.
(Foto: Sabrina Schreiner/ Jornal A Redação)
Apresentação ao eleitor
Sobre como pretende se apresentar ao eleitorado nesta campanha, especialmente com o início da propaganda eleitoral em rádio e TV, Vilela avaliou que grande parte do público já o conhece, dada sua trajetória pública. “Grande parte do eleitorado goiano, em razão desses meus quase 18 anos de vida pública, já me conhece, conhece o meu estilo, sabe muito bem o que esperar em relação ao Daniel governador”, disse.
O candidato citou como pontos de sua gestão a regionalização da saúde, o desempenho da educação pública — afirmando que sete das dez melhores escolas públicas do Brasil estariam em Goiás, segundo dados recentes — e investimentos em segurança, incluindo a aquisição de quatro helicópteros para reforço da vigilância aérea. Mencionou ainda programas de assistência social, como o Mães de Goiás, o Cartão Mais Dignidade e o Cartão Goiás Mais Inclusivo, além do volume de obras de infraestrutura em execução no Estado, dizendo ter recebido a gestão anterior com “400 obras abandonadas, um cemitério de obras, algumas iniciadas há 20, 25 anos”.
Vice na chapa
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Daniel Vilela (MDB) terá como candidato a vice o ex-senador Luiz do Carmo, de 68 anos. Natural de Palminópolis, no sul de Goiás, Luiz Carlos do Carmo construiu sua trajetória política como deputado estadual por dois mandatos e chegou ao Senado em 2019, como primeiro suplente de Ronaldo Caiado, que deixou a cadeira após ser eleito governador de Goiás. Empresário nos setores de mineração e transportes, Luiz do Carmo integra a base política apoiada por Caiado nas eleições deste ano.
Acompanhe a agenda

Nesta sexta-feira (21), o entrevistado será o candidato do PL, Wilder Morais, encerrando a série de sabatinas com os postulantes ao cargo de governador de Goiás nas eleições 2026.
