Nádia Junqueira
Com 75% dos votos (2369), a chapa 7, formada por movimentos políticos ligados ao PCdoB, PT e PSB, foi a vitoriosa nas eleições do 52º Congresso da UNE. O grupo ocupará por dois anos os principais cargos de diretoria. A União da Juventude Socialista continua à frente da presidência da UNE. O carioca Daniel Iliescu assume o cargo afirmando que a entidade não estará necessariamente alinhada ao governo, mas aos movimentos que aspirarem transformações sociais no país.
“A UNE deve se associar ao que tem de melhor no movimento social para contribuir com mudanças e para que a educação seja tema central. O governo pode estar ou não de acordo”, discursou. Para Daniel Iliescu, alguns desafios que a entidade deve enfrentar nesses dois anos serão a aprovação de 10% do PIB para a Educação (o governo propõe 7%) e derrubar o veto do ex-presidente Lula em relação à aprovação de 50% dos recursos do pré-sal para educação, aprovado no Congresso.
Para isso, ele diz que a UNE deve estar mobilizada. “Acredito que as mudanças só acontecem de fato quando o protagonista é o povo. Por isso, devemos fazer muita mobilização e pressão para sensibilizar a sociedade e pressionar o poder público”, argumenta.
Críticas
Em relação às críticas de que a UJS e aliados fazem “ditadura” na presidência da UNE e que a entidade é chapa branca, Daniel afirma que recebe com alegria e tranqüilidade os julgamentos. “Todos têm espaço para se manifestar. 97% das instituições de ensino superior participaram dessa votação. Mais de 1,5 milhão de estudantes se envolveram nesse processo. Então são eles que estão decidindo o resultado de hoje”, defendeu Daniel.
Em relação ao apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o carioca disse que em sua gestão ele representará os anseios de seis milhões de estudantes brasileiros e que isso pode, ou não, estar alinhado ao governo. “O Brasil é um país complexo com agenda política diversificada. Sabemos que esse governo é heterogêneo com setores compromissados e não compromissados com futuro do país”, justificou.
Trajetória
Natural de Petrópolis (RJ), filho de pais que militaram no movimento estudantil durante a ditadura militar, Daniel cresceu envolvido em causas sociais. Quando adolescente foi presidente do grêmio em um colégio de feira em Petrópolis e, na universidade (UFRJ), foi presidente do Centro Acadêmico de seu curso, Ciências Sociais. Formou-se em bacharelado no curso e agora estuda licenciatura. Foi presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro e é membro da União da Juventude Socialista (UJS), vinculada ao PCdoB.