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Estagiário do Sesi Canaã foi aluno do Sesi e do Senai. Agora cursa engenharia de software e auxilia alunos das turmas de robótica da unidade (Foto: Michelly Matos)

Da sala de aula ao mercado de trabalho: sistema Indústria transforma educação em Goiás

Histórias de estudantes e profissionais mostram como o acesso ao conhecimento, à tecnologia e à formação técnica do sistema indústria pode abrir portas e mudar trajetórias de vida

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31.10.2026 - 09:38:34

Michelle Rabelo e Catherine Moraes

Goiânia – Um crachá de estagiário e o brilho nos olhos de estar do outro lado na sala de aula. Kauan Lopes cruzou as portas do Sesi Canaã pela primeira vez quando tinha apenas 9 anos de idade, para cursar o 4º ano. Aos 14 passou a integrar a equipe de robótica da unidade, com a qual participou de diversas competições pelo país. No Ensino Médio, fez o curso técnico de Comunicação Visual do Senai e agora além de graduando do 2º período de Engenharia de Software é estagiário da mesma escola na qual estudou e atua diretamente nas aulas de robótica, mas dessa vez, dando suporte aos alunos.

A história de Kauan não é uma exceção, pelo contrário. Diversos professores, técnicos e estagiários começaram ali, nas cadeiras de sala de aula. Enquanto aluno, ele atuava como cadista da robótica, transformando ideias e esboços de braços mecânicos, robôs móveis e células automatizadas em modelos 3D e desenhos técnicos virtuais. Agora, com a faculdade de Engenharia de Software, está focado na parte de programação. “Eu atuava como cadista, mas sempre tive interesse em códigos. Passei pela etapa de construção e agora quero controlar os robôs. Sou apaixonado pela robótica desde sempre e agora quero incentivar os alunos”, explica empolgado.

Apenas em 2026, mais de 12 mil alunos foram matriculados nas unidades do Sesi em Goiás. No Senai, esse número é ainda maior: 109.915 alunos. A sinergia entre as duas instituições acaba sendo um fator determinante na formação de profissionais mais completos, preparados não apenas para funções técnicas, mas também operacionais e de gestão.

Além do Ensino Médio técnico, o Sistema Fieg lançou, em 2025, uma parceria com a Secretaria de Educação do Estado de Goiás (Seduc) – e que também abrange a Fecomércio – para garantir aos alunos da rede pública, uma certificação dupla. O estudante realiza o Ensino Médio Regular nas escolas da rede estadual e, de forma integrada ou concomitante, cursa a formação técnica profissionalizante ministrada pelo Senai. No final do curso, os estudantes recebem não apenas o diploma regular do Ensino Médio, mas também a habilitação técnica reconhecida pelo mercado industrial nacional, aumentando as chances de empregabilidade imediata que hoje chegam a 90%. Neste ano, de acordo com a Seduc, 13.400 alunos da rede estadual de ensino integram essa parceria em Goiás.

 Mariáh Ribeiro, de 16 anos, é aluna da rede estadual e cursa química no Senai em uma parceria com a Seduc (Foto: Michelly Matos)

Mariáh Ribeiro Tavares, de 16 anos, é aluna do Colégio Estadual Benedito Lucimar Hesketh da Silva, localizado no Jardim Marques de Abreu. Às quartas e sextas-feiras, um ônibus leva a adolescente e os demais alunos do Colégio para o Senai Canaã para as aulas técnicas. “Eu faço aulas de Química e confesso que quando comecei não fazia ideia do que seria e queria me arriscar em um curso diferente. Percebi o quanto é realmente amplo e ainda não decidi o que seguir de carreira, mas pode ser que seja algo que tenha relação com a Química, como Perícia Criminal. Eu amo as aulas práticas e ver tudo acontecendo é muito legal. Nossa professora também nos encoraja muito e incentiva o potencial que temos”, completa.

(Foto: arquivo pessoal)

Lucas Gabriel Vaz, de 17 anos, é estudante do 2º Colégio Estadual Professora Eva Assunção, localizado no Vera Cruz II, e às segundas e terças-feiras cursa Manutenção Automotiva no Senai Canaã. “A escolha por esse curso foi uma sugestão da minha avó. Comecei no ano passado, quando ainda cursava o 1º ano do Ensino Médio e hoje faço muitas aulas práticas. Somos divididos em grupos e atuamos como se fossemos mini concessionárias.Também temos aulas complementares sobre projeto de vida e mundo do trabalho”, acrescenta.

O jovem atualmente trabalha como menor aprendiz na Concessionária Saga Volkswagen na parte de garantia, mas os sonhos são inúmeros: ser efetivado na área de mecânica, atuar com diagnóstico e cursar uma faculdade na área. “Quero fazer Engenharia de Controle e Automação (Mecatrônica) e me especializar na parte eletroeletrônica das embarcações, sistemas elétricos, eletrônica de controle, diagnóstico de falhas e instrumentação”, acrescenta Lucas.

Robótica educacional estimula criatividade, inovação e habilidades para o futuro

Aulas de robótica estimulam criatividade e auxiliam no desenvolvimento de outros conteúdos (Foto: Michelly Matos)

Aos 12 anos, a estudante Júlia Costa Freitas, já sabe que a educação pode ajudá-la a desenvolver habilidades que vão além dos conteúdos das disciplinas. Aluna do Sesi Canaã desde o primeiro ano do ensino fundamental, ela integrou a equipe Geek que conquistou o prêmio máximo do FIRST LEGO League Asia Pacific Open Championship, competição internacional de robótica realizada em Sydney, na Austrália, em julho de 2026.

Júlia é aluna do Sesi Canaã e integrou equipe vencedora em torneio de robótica na Austrália (Foto: arquivo pessoal)

O grupo de oito estudantes goianos, formado por seis meninas e dois meninos, desenvolveu um composto à base de cera de abelha para proteger peças arqueológicas contra a contaminação por fungos. A proposta foi elaborada a partir do tema da competição, que envolveu a exploração das camadas do solo e a busca por descobertas relacionadas à arqueologia. Além do Champion Award, principal reconhecimento do torneio, a equipe recebeu o Robot Performance Award, pelo desempenho do robô, entre mais de 50 equipes de diferentes países.

 Equipe Geek conquista prêmio máximo em competição internacional de robótica na Austrália (Foto: Divulgação)

Para Júlia, a conquista foi resultado de um trabalho coletivo e de uma experiência que também mudou a forma como ela se relaciona com outras pessoas. “Eu consegui trabalhar mais em grupo e aprendi a confiar em mim mesma, porque eu tinha muito medo de fazer qualquer coisa. Principalmente, tinha medo de errar”, conta.

A ida à Austrália foi a primeira viagem internacional que ela fez e a estudante diz que a experiência também melhorou sua capacidade de se comunicar. “Hoje consigo apresentar os trabalhos com muito mais clareza, muito mais facilidade do que antes. Eu tinha vergonha de tudo. A viagem e a premiação superaram as minhas expectativas e fortaleceram minha vontade de participar de novas temporadas da competição”. Júlia vai continuar os estudos no Sesi no ano que vem e pretende buscar mais experiências que envolvam tecnologia e pesquisa.

A premiação também marcou Matheus Antunes Botelho, de 14 anos, aluno do 9º ano do Ensino Fundamental. Ele está há cinco anos no Sesi Canaã e afirma que encontrou na robótica uma oportunidade de aplicar conhecimentos que, em outras circunstâncias, poderiam ficar restritos à sala de aula.

Legenda: Matheus Antunes também participou da competição internacional (Foto: Arquivo pessoal)

“A primeira coisa que percebi no Sesi foi que ele nos dá muita oportunidade, principalmente de colocar tudo o que você aprende realmente em prática. Você escuta e vê em sala de aula tudo que acontece na vida real. A gente leva do papel para o mundo”, diz.
O projeto premiado, chamado Pró Bee, foi desenvolvido para combater o fungo Aspergillus, que pode contaminar artefatos arqueológicos. A equipe criou um composto com cera de abelha, cravo-da-índia e álcool a 99%, com a proposta de impedir que o fungo se fixasse nas peças. “O nosso projeto foi pensado na proteção desse patrimônio, porque os artefatos ajudam a preservar a história da humanidade e que precisam perdurar por gerações”, explica Matheus.

O reconhecimento também ampliou os planos do estudante. Ele pretende continuar os estudos no Sesi/Senai e seguir uma carreira ligada à engenharia ou à tecnologia. Desde muito pequeno afirma que tem o sonho de abrir a própria empresa.

A preparação dos estudantes é conduzida por professores e técnicos que acompanham as equipes ao longo de cada temporada. O instrutor Fablício Cézar Lima Valadão acredita que Goiás tem capacidade de formar talentos competitivos a nível mundial. “O resultado internacional amplia a visibilidade do trabalho pedagógico e desperta o interesse de outros estudantes. É uma multiplicação do conhecimento e estímulo para ser melhor a cada projeto”, conta.

Fablício Cézar é um dos instrutores da turma de robótica do Sesi (Foto: Arquivo pessoal)

A rede Sesi mantém equipes em diferentes categorias, incluindo modalidades que envolvem robôs industriais e sistemas mais avançados. A proposta não se limita à preparação para torneios. As aulas de matemática, engenharia, artes e tecnologia, somadas às atividades maker, estimulam os alunos a construir soluções com as próprias mãos, em vez de apenas utilizar kits prontos.

A robótica educacional está integrada à proposta curricular e acompanha diferentes etapas da educação básica. Segundo a instituição, a disciplina está presente no ensino fundamental desde 2010.

Robótica educacional está integrada à proposta curricular e acompanha diferentes etapas da educação básica (Foto: Michelly Matos)

As conquistas internacionais vêm se acumulando. Em 2023, a equipe Justice FTC Team, do Sesi Planalto, ficou em 2º lugar no Motivate Award do FIRST Championship, em Houston, nos Estados Unidos. Em 2024, a equipe Nanotech, do Sesi Canaã, foi campeã mundial na modalidade Tug of War da RoboWorld Cup FIRA, realizada em São Luís, no Maranhão.

Em 2025, equipes de Goiânia e Catalão conquistaram premiações nacionais, enquanto a BrainMachine recebeu reconhecimentos em uma competição no México. Em 2026, além da vitória da Geek Canaã na Austrália, a Titans L.J. Planalto ficou em 3º lugar no Champion’s Award de uma competição internacional na Grécia, e a Justice FTC Team conquistou o 2º lugar no Sustain Award, em Houston.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, considera a robótica uma ferramenta que ajuda a preparar os jovens para um mercado de trabalho cada vez mais automatizado. “A atividade estimula competências como criatividade, liderança, trabalho em equipe e resolução de problemas, além de aplicar conhecimentos de física, matemática, trigonometria, programação e inteligência artificial”.

Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, aposta na robótica como ferramenta de aprendizagem (Foto: divulgação)

A entidade planeja investir em uma arena de robótica para ampliar as oportunidades de aprendizagem dos estudantes e aproximar a indústria das novas tecnologias. O espaço deverá permitir tanto o treinamento e a preparação para competições quanto o contato de empresas com soluções robóticas que podem ser incorporadas aos processos produtivos.

“É difícil acompanhar o avanço dessas tecnologias. Por isso, a formação precisa preparar os estudantes não apenas para operar equipamentos existentes, mas também para compreender as transformações que devem chegar às fábricas, incluindo sistemas automatizados e robôs de diferentes tipos”, explica André Rocha.

Entidade planeja investir em uma arena de robótica para ampliar as oportunidades de aprendizagem (Foto: Michelly Matos)

Além da educação tradicional, a rede oferece cursos extras ao currículo normal, entre eles empreendedorismo, educação financeira e a inteligência artificial e até cooperativismo. “Nós temos uma preocupação muito grande com disciplina, valores éticos e inclusão. Queremos que todos os nossos alunos estejam preparados para os desafios da vida, porque esse é o nosso propósito”, completa André Rocha.

Expansão em andamento
A estratégia educacional do Sesi e do Senai inclui ainda a ampliação da estrutura física. Estão previstas a inauguração da Escola Sesi Senai de Senador Canedo em dezembro de 2026, com início das aulas em janeiro de 2027, e a abertura da Escola Sesi Jardins, em Goiânia, em 2027, para receber alunos a partir de janeiro de 2028. As obras da unidade de Trindade começaram em junho, com previsão de conclusão em até dois anos. O presidente da Fieg também cita a futura unidade de Valparaíso de Goiás e investimentos em laboratórios, equipamentos e formação de professores.

A ampliação acompanha a demanda por educação básica e profissional. De acordo com o Sesi Goiás, 12.304 matrículas foram realizadas em 2026, 10% a mais do que no ano passado, quando foram registradas 11.153 inscrições. No Senai, foram 126.223 matrículas em 2025, crescimento de 23% comparado ao ano anterior.

A presença das instituições também se estende para além dos municípios onde há unidades físicas. Segundo a FIEG, Sesi e Senai somam 32 unidades em 15 municípios goianos, com atendimentos em 180 dos 246 municípios do estado e mais de 7 mil empresas atendidas. Até 2027, a Fieg deve investir no sistema indústria, entre obras e equipamentos, R$ 653 milhões.


Para o diretor regional do Senai e superintendente do Sesi Goiás, Claudemir José Bonato, a expansão da estrutura precisa estar acompanhada da atualização dos cursos e das práticas de ensino. O Senai, criado para atender às necessidades de qualificação da indústria, oferece desde aprendizagem industrial gratuita para jovens a partir dos 14 anos até cursos técnicos, graduações tecnológicas, engenharias, pós-graduações e formações de curta duração. O Sesi atua na educação básica, da educação infantil ao ensino médio, além da educação de jovens e adultos e de serviços voltados à saúde e à segurança dos trabalhadores.

Claudemir José Bonato afirma que a expansão da estrutura precisa estar acompanhada da atualização dos cursos e das práticas de ensino (Foto: divulgação)

Bonato avalia que a velocidade das mudanças tecnológicas é um dos maiores desafios para a formação profissional. “Novos equipamentos e processos exigem investimentos, atualização de laboratórios e capacitação permanente dos instrutores. Ao mesmo tempo, as instituições precisam acompanhar as transformações da sociedade e as novas exigências das empresas. Por isso, é importantíssima a expansão das oportunidades para municípios menores, por meio de novas unidades, laboratórios móveis e educação a distância. A formação profissional pode mudar a trajetória de uma pessoa ao ampliar suas possibilidades de emprego, empreendedorismo e escolha de carreira”.

Indústria educa e gera empregos
Entre janeiro e junho de 2026, a Indústria foi o principal setor gerador de empregos em Goiás. No total foram 19.942 mil vagas criadas no período, alcançando um crescimento equivalente a 4,77% no estoque de trabalhadores. Os números superaram inclusive os nacionais (2,62%) e são resultado de um estudo elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg sobre a Análise das Movimentações do Emprego Industrial, com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
Segundo a Gedin, o resultado foi impulsionado principalmente pelas atividades da indústria de transformação (10,022 mil vagas) e do setor de construção (7,792 mil vagas). Juntos, os segmentos foram responsáveis por um total de 17,814 mil empregos líquidos, o equivalente a 89% do saldo industrial goiano. No cenário nacional, Goiás ficou na 6ª colocação no ranking de crescimento relativo do emprego industrial.

Eliene Pontes Pinto conquistou cargo de liderança na indústria após se qualificar (Foto: Arquivo pessoal)

A conexão entre formação e trabalho aparece na história de Eliene Pontes Pinto, de 49 anos, natural de Bela Vista de Goiás. Antes de ingressar na indústria, ela trabalhava como vendedora no comércio da cidade. Buscando uma profissão que oferecesse estabilidade e perspectivas de crescimento, enviou currículo para uma vaga na área da qualidade e foi selecionada para trabalhar como auxiliar de laboratório.

Em 2017, quando já trabalhava como analista, Eliene decidiu fazer o curso Técnico em Alimentos no Senai para aprofundar seus conhecimentos sobre os processos da indústria alimentícia. “O curso foi muito importante para minha formação, porque me ajudou a relacionar a teoria com a prática do dia a dia no trabalho. Aprendi mais sobre processos produtivos, segurança dos alimentos e controle de qualidade, conhecimentos que me deram mais segurança para exercer minhas funções e buscar novas oportunidades”.

Pouco tempo depois, surgiu uma chance na indústria de laticínios Piracanjuba. Ao longo da trajetória na empresa, Eliene foi promovida a analista, supervisora e, posteriormente, coordenadora da qualidade. Depois do curso técnico, também concluiu uma graduação tecnológica em Gestão da Qualidade. Há dois anos, trabalha como coordenadora da Garantia da Qualidade no Laticínios JL Valeza, em Orizona.

Eliene considera que o Senai teve papel importante nessa evolução. “A formação me proporcionou uma base técnica importante, mas também me motivou a continuar aprendendo e buscando novos desafios”, diz. Para ela, o sucesso profissional não acontece de uma hora para outra. “Depende de estudo, dedicação, esforço e persistência. Meu objetivo é continuar me desenvolvendo e inspirar outras pessoas a investir na educação”.

A importância de aproximar a formação das necessidades reais das empresas também é destacada pelo diretor de gente e gestão do Grupo Piracanjuba, Edilson Vieira dos Anjos. A companhia mantém parceria com o Senai há mais de 20 anos, em programas de aprendizagem, formação técnica e desenvolvimento de profissionais. A relação também se estende à capacitação de lideranças.

“O Senai é um parceiro muito ativo da indústria do Grupo Piracanjuba. Todo programa de desenvolvimento de líderes que eu lancei na empresa convidei o Senai para participar, porque o sistema da indústria conhece a realidade da empresa”, afirma Edilson. Para ele, esse conhecimento permite construir programas de formação mais alinhados às necessidades das operações.


Edilson Vieira dos Anjos é diretor de gente e gestão do Grupo Piracanjuba, que mantém parceria com o Senai há mais de 20 anos (Foto: Arquivo pessoal)

A dificuldade de encontrar profissionais também está ligada à concorrência com outras formas de ocupação. Edilson cita o crescimento de atividades que oferecem alternativas ao emprego formal e afirma que as empresas precisam tornar o trabalho mais atrativo, além de formar e reter trabalhadores. Qualidade de vida, bem-estar e desenvolvimento profissional fazem parte desse desafio.

O avanço da tecnologia torna essa preparação ainda mais urgente. A empresa tem buscado novos equipamentos e soluções, inclusive com uma delegação na China para observar tecnologias industriais. Ao mesmo tempo, desenvolve uma jornada de inteligência artificial para preparar profissionais de diferentes áreas. “O primeiro passo é o letramento para que os trabalhadores compreendam a tecnologia; depois, é preciso capacitá-los a aplicá-la no cotidiano e aumentar a produtividade”, enfatiza.

Atualmente, 64 pessoas colaboradores estão em cursos de qualificação ou cursos técnicos, além de 60 aprendizes na unidade de Bela Vista de Goiás. Em novembro, a indústria vai ampliar a oferta com 80 novas vagas no curso técnico de eletromecânica, atendendo quatro unidades através da parceria com Senai em Goiás e em outros pontos como Governador Valadares/MG, Maravilha/SC e Nossa Senhora da Glória/SE. Mais de 400 colaboradores já foram capacitados na parceria com a Piracanjuba.

Para Eliene, o aprendizado continua sendo a principal ferramenta para chegar a novos objetivos. “O conhecimento é algo que ninguém pode tirar de nós e que pode transformar nossas vidas”, conclui.

IEL como ponte para o mercado
A trajetória de Mayk Sander Santos mostra outra forma de conexão entre ensino e trabalho. Aos 25 anos, formado em Engenharia Mecânica pela Unip e estudante de pós-graduação em projetos prediais, ele passou pelo programa de estágio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) entre 2022 e 2024. Natural de Niquelândia, hoje mora em Goiânia e trabalha como consultor de manutenção regional da Localiza, além de desenvolver projetos autônomos de engenharia mecânica.

Durante o estágio, Mayk participou de vários projetos e desenvolveu um sistema de planejamento e controle de manutenção (PCM) personalizado para um shopping. A solução foi construída em parceria com uma empresa que já tinha um sistema de manutenção, mas precisava adaptá-lo às características de empreendimentos comerciais. O projeto recebeu um prêmio regional do IEL e também reconhecimento nacional, em São Paulo.

Mayk participou de vários projetos e desenvolveu um sistema de planejamento e controle de manutenção para um shopping (Foto: arquivo pessoal)

“No estágio eu consegui desempenhar bem meu papel. Aproveitei todas as oportunidades de crescimento e isso moldou a forma como eu trabalhava”, ressalta Mayk que, atualmente, acompanha a manutenção predial de mais de 60 lojas da Localiza na região Centro-Oeste, com atuação na coordenação de atividades e de pessoas. A experiência reforçou seu interesse em continuar na área e, no futuro, abrir uma empresa de engenharia.

O estágio é uma das principais frentes de atuação do IEL Goiás, que mantém uma base de mais de 505 mil estudantes cadastrados no Sistema Nacional de Estágio. Desse total, 200.539 já estagiaram. O sistema reúne ainda mais de 31 mil empresas e 3,3 mil instituições de ensino. Criado pelo IEL Goiás em 2008, o modelo foi adotado pelo IEL Nacional em 2014.

Em 2026, mais de 17 mil vagas de estágio já haviam sido abertas pelo instituto, que projeta ultrapassar 23 mil até o fim do ano. De acordo com o IEL, 70% dos estagiários que passam pelo programa são efetivados pelas empresas.

Excelência verificada
A atuação do Sistema Indústria também inclui iniciativas voltadas à melhoria da aprendizagem na educação básica. O Sesi Goiás utiliza o Avalia Sesi, aplicado duas vezes por ano, para medir a proficiência dos estudantes em Linguagem, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Os resultados classificam o desempenho em quatro níveis — abaixo do básico, básico, adequado e avançado — e orientam estratégias pedagógicas para recuperar lacunas de aprendizagem e desenvolver habilidades.

Para preparar os alunos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a instituição mantém o projetos com aulas presenciais e on-line aos sábados, resolução de questões e apoio de psicólogos escolares para lidar com aspectos emocionais e de organização. O Sesi relata evolução nos resultados dos estudantes nas quatro áreas avaliadas pelo exame. Em pesquisas com egressos, a instituição revelou que 87,5% deram continuidade aos estudos em universidades ou faculdades, 87,1% ingressaram no mercado de trabalho e 73,2% perceberam aumento de renda após concluir o ensino médio.

Outra iniciativa é a plataforma Red1000, que permite a produção de redações on-line, com correção de professores especialistas e inteligência artificial. Até setembro de 2026, mais de 60 mil redações haviam sido aplicadas, segundo o Sesi. A plataforma também promove maratonas temáticas para estimular a escrita e a argumentação. Os dados são utilizados pela instituição para acompanhar a evolução individual dos alunos e orientar melhorias pedagógicas.

Quando o assunto é Exame Nacional do Ensino Médio, o Sesi desenvolveu uma ação importante: custeia a inscrição para todos os alunos e premia aqueles que tiram nota a partir de 900 em redação e matemática. As premiações começam em R$ 1.000 e chegam até R$10.000.
O ensino de idiomas também faz parte da preparação para oportunidades acadêmicas e profissionais. Em 2026, mais de 3.300 estudantes fizeram o TOEFL em atividades de diagnóstico e preparação, enquanto mais de 1.300 alunos da terceira série do ensino médio participaram do teste de proficiência previsto no currículo da rede. O Test of English as a Foreign Language é o principal teste de proficiência em língua inglesa do mundo, aplicado pela ETS (Educational Testing Service) e aceito por mais de 13.500 universidades e instituições em mais de 160 países.

Professores em destaque
Não há como se falar em educação sem pensar no corpo docente e é com esse entendimento que o Sesi decidiu investir na formação dos professores por meio do programa Docente Top 10, que seleciona educadores para experiências internacionais de observação e intercâmbio de boas práticas. Professores da instituição já participaram de atividades nos Estados Unidos, na Alemanha, em Portugal e na Inglaterra; para 2027, está prevista uma imersão em Milão, na Itália.

  Fernando foi premiado como Docente Top 10 e fez um intercâmbio na Alemanha (Foto: Arquivo pessoal)

Fernando da Silva Barbosa, de 36 anos, e professor de Ensino Médio, Ciências da Natureza e Robótica no Sesi Planalto. Ele foi premiado como Docente Top 10, na primeira edição do projeto e participou de um intercâmbio na Alemanha. “Foi uma oportunidade excelente de aprender e trazer o conhecimento para aplicarmos em Goiás. A Alemanhã tem uma prática de fomentar a indústria e também é referência mundial em programa de ensino técnico, assim como nós. O curso técnico é valioso não só para os alunos, mas para a indústria do Estado que ganha com inovação e mão de obra qualificada”, acrescenta.

Quando o programa Docente Top 10 ainda estava em fase embrionária, Fernando já sonhava com a possibilidade de participar e atento ao edital, se inscreveu para concorrer às vagas de intercâmbio e boas práticas. “Como professor da Rede Sesi há mais de 14 anos, sou muito grato por tudo que conquistei pelo Sesi. O papel do professor é, muitas vezes, identificar no aluno o potencial que ele nem sempre sabe que possui. No Sesi Senai temos oportunidades que muitas outras escolas não possuem. Temos equipamento, capacitação e com todo esse tempo de Sesi Goiás eu sou extremamente grato. De longe, é um dos melhores locais para se trabalhar e sou muito satisfeito de ter feito minha carreira aqui, minha segunda casa. Que me permitiu aprender e ensinar”, finaliza.

Ganhador do Docente Top 10 em 2024, Junio Rodrigues fez um intercâmbio em Londres (Foto: Arquivo pessoal)

Atualmente supervisor de Saúde e Segurança do Sesi Planalto, Junio Rodrigues de Souza, de 41 anos, é professor de Educação Física e foi ganhador do Docente Top 10 em 2024, com intercâmbio em Londres. “Foi uma experiência enriquecedora, única, tanto profissional quanto pessoal. A Educação transforma não apenas os estudantes, transforma também nós, professores. O Docente Top 10 é uma oportunidade única que o Sesi oferece”, acrescenta.

Enquanto professor de educação física, Junio fala sobre a importância de equilibrar disciplina, cooperação, liderança e superação e também ressalta o aprendizado enquanto técnico da equipe de robótica da unidade. “Sempre procurei desenvolver uma prática pedagógica que desafiasse os alunos, estimulasse autonomia e os motivasse a buscar soluções para os problemas. A experiência como técnico de robótica também foi muito marcante, especialmente pela conquista do campeonato nacional e pela oportunidade de representar o país em Singapura. Ver o desenvolvimento dos alunos e perceber que eram capazes de superar desafios foi uma das maiores satisfações da minha vida e da minha trajetória. Eu acredito que educar é preparar os alunos para a vida, estimular o pensamento crítico, a criatividade, o trabalho em equipe. São competências fundamentais, tanto para a vida pessoal quanto para o futuro profissional e o mundo da indústria”, finaliza.

Ampliar o acesso garantindo emprego e renda
O presidente da FIEG, André Rocha, acredita que os equipamentos e a formação de profissionais formam os caminhos para elevar a produtividade e apoiar a reindustrialização do Brasil. O dirigente também defende políticas públicas capazes de responder às necessidades dos estados produtores, como Goiás, e ampliar as condições para o desenvolvimento econômico.

Claudemir Bonato compartilha a avaliação de que a educação precisa ser entendida como compromisso de longo prazo. “Ampliar o acesso à formação básica, técnica e superior é fundamental para melhorar as oportunidades individuais e fortalecer a economia. A expansão das unidades, a atualização dos cursos e o investimento em professores e instrutores são parte desse esforço”, diz.

Os indicadores do Sesi Goiás para o próximo ciclo incluem acompanhar o nível de proficiência dos alunos, a continuidade dos estudos no ensino superior, a empregabilidade dos egressos e a satisfação de estudantes e famílias.

A formação desses profissionais também dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Como signatária do Pacto Global, a Fieg tem entre os compromissos relacionados à sua atuação metas ligadas à educação de qualidade e ao trabalho decente e crescimento econômico — dois desafios diretamente conectados ao futuro da indústria.

 

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por Adriana Marinelli

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