Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Parceira nas comemorações dos 60 anos de criação do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás, a Organização Jaime Câmara abriu seus arquivos para contribuir na elaboração da história dessa proposta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa. Os primeiros dados fornecidos pela supervisora do Centro de Documentação do grupo, Ana Márcia Santana Lima, mostram que o Curso, criado em 1966 e implantado em 1968, despertou grande interesse na sociedade e gerou muita procura na abertura das inscrições para o primeiro vestibular, realizado em maio daquele ano: 80 candidatos para as 20 vagas oferecidas.
Esses 80 inscritos, 40 rapazes e 40 moças, enfrentaram sete horas de provas, incluindo Português, Inglês ou Francês (optativo), Cultura Geral e História. Cada candidato recebeu um questionário sobre informações gerais e para apresentar as razões que o levaram a pretender o Curso de Jornalismo, com duração de quatro anos. A preocupação da UFG era dimensionar, por esses dados, a repercussão obtida com a criação dessa graduação.
As provas foram fiscalizadas diretamente pelo diretor da Escola, professor Douglas Avanço, que divulgou rapidamente os resultados e solicitou aos jornais colaboração para que, em regime de estágio, os alunos de Jornalismo frequentassem as redações, trabalho que iria corresponder a uma aula prática.
A Câmara Municipal de Goiânia foi a primeira instituição a aplaudir a criação do Curso de Jornalismo, vinculado ao Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia da UFG, aprovando no dia 8 de maio por unanimidade, em primeira votação, o requerimento de congratulações com o reitor, professor Jerônimo Geraldo de Queiroz, pela iniciativa.
Primeiros aprovados
Vinte dos 80 candidatos conseguiram aprovação no vestibular para o Curso de Jornalismo da UFG, como anunciou o presidente da Comissão de Vestibular, Vivaldo Vieira, e foi publicado na p. 11 da edição de 23 de maio do jornal “O Popular”.

Peixoto, José Cardeal dos Santos, Luiz Otávio Soares, Marli da Silva Brasil, Adilon Antônio de Souza, Maria Teixeira Coelho, Reynaldo Rocha, Ari de Almeida, Nelson Lopes Figueiredo, Maria da Glória Scartini Coutinho, Antônio Eustáquio Machado de Aguiar, Ana Heloísa Bastos, Athos Pereira da Silva, Braz Wilson Pompeu de Pina Filho, Antônio Carlos Munelin, Adalberto Osório Ribeiro, Jesus Alves Freire, Celso Augusto de Almeida, José Ivan Albuquerque Aguiar e João Martins de Araújo.
Foi aberta a possibilidade de alunos de outros cursos da Faculdade de Filosofia da UFG ingressarem no Curso de Jornalismo sem se submeter ao vestibular.
No primeiro ano, que possivelmente começou em agosto, foram oferecidas apenas quatro disciplinas: Geografia, História. Cultura Brasileira e uma língua, à escolha do aluno, respondendo por elas professores já constantes do corpo docente da Faculdade rio Filosofia. A UFG só iria recorrer a professores de fora para as matérias específicas “quando houver a necessidade”, como ressaltou o reitor Jerônimo Geraldo de Queiroz.
Desses 20 aprovados no vestibular, apenas quatro concluíram o Curso: Braz Wilson Pompeu de Pina Filho, Luiz Otávio Soares, Marli da Silva Brasil e Reynaldo Rocha. Dos quatro, três se dedicaram ao Jornalismo e tiveram destaque na profissão: Luiz Otávio, que criou uma pioneira coluna sobre o Poder Judiciário e presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás; Marli Brasil, que presidiu a Cooperativa dos Jornalistas de Goiás (Projornal) e atuou em redações; e Reynaldo Rocha, que dirigiu o jornal “O Popular” por muitos anos e apresentou um programa de entrevistas da TV Brasil Central, de grande repercussão. Braz de Pina Filho era músico, publicou artigos no jornal “Diário de Brasília” e escreveu um livro sobre a história da imprensa em Goiás, em 1971.

Obrigada, Jales, pelo resgate da .memória do nosso Curso de Jornalismo na UFG!
Excelente resgate. Como colaboradra do Grupo Jaime Câmara tive o prazer de trabalhar com o saudoso Reynaldo Rocha, Marli Brasil e Luis Otávio. Agradeço a menção ao meu trabalho, do qual tenho muito orgulho.
Em 1976 fui aprovada na área de Comunicação Social, para o curso de Relações Públicas e quase todas as matérias eram as mesmas do curso de Jornalismo. Foi muito bom!