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Cinema

Diretor goiano Erico Rassi leva ‘Oeste Outra Vez’ para todo o Brasil

Filme estreia em 50 salas no país | 27.03.25 - 07:46 Diretor goiano Erico Rassi leva ‘Oeste Outra Vez’ para todo o Brasil Ângelo Antônio e Ródger Rogério em 'Oeste Outra Vez' (Foto: divulgação)José Abrão
 
Goiânia – O longa goiano Oeste Outra Vez estreia nacionalmente em 50 salas de exibição espalhadas por todo o Brasil nesta quinta-feira (27/3). O filme foi o principal vencedor do Festival de Cinema de Gramado no ano passado, conquistando os prêmios de Melhor Fotografia, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Filme. Ele chegou a Goiás mais cedo: primeiro em uma pré-estreia no dia 23 de fevereiro, durante a mostra O Amor, a Morte e as Paixões, em Goiânia, e depois, a partir do dia 6 de março, quando entrou em cartaz no Cine Cultura, onde ainda continua em exibição, além de outras salas comerciais da capital.

O filme foi inteiramente rodado em São João d’Aliança, na Chapada dos Veadeiros, Goiás, incluindo trechos gravados no Vão do Paranã. A trama acompanha a briga entre Totó (Ângelo Antônio) e Durval (Babu Santana), motivada por uma mulher, Luísa (Carol Tanajura). A situação se agrava quando cada um contrata pistoleiros para eliminar o outro, gerando um rastro de fúria e violência.

Este faroeste moderno bebe da mesma fonte do filme anterior do diretor e roteirista Erico Rassi, Comeback (2017), estrelado por Nelson Xavier no papel do matador Amador. “Oeste é uma espécie de continuação de uma pesquisa que comecei com o nosso filme anterior, que fala um pouquinho desses homens que são violentos, mas, ao mesmo tempo, frágeis, vivendo nessas regiões isoladas. Acho que o disparo inicial do roteiro foi falar um pouquinho desses homens”, relata.

Para se aprofundar na ideia, Rassi fez uma extensa pesquisa, circulando pelos fundões do interior goiano e entrevistando diversos homens. Ao mesmo tempo, também realizou uma pesquisa literária, revisitando grandes autores regionalistas brasileiros que desbravam os sertões em suas páginas.
 
“Eu comecei com Guimarães Rosa e li Sagarana duas vezes em sequência. Terminei e já comecei de novo. Nele, tem um conto específico, 'O Duelo', que me deu o primeiro fiapo narrativo para a escrita do roteiro. Ele fala de dois homens apaixonados pela mesma mulher, que saem pelo sertão de Minas, um tentando matar o outro. Mas o que ficou foi basicamente isso”, explica.

Nas suas leituras, também revisitou os goianos Hugo de Carvalho Ramos e Bernardo Élis, além dos baianos João Ubaldo Ribeiro e Jorge Amado. “Tudo que trazia essa mistura do sertão, que podia ser goiano, mineiro, baiano, e que trouxesse essas masculinidades ao mesmo tempo. Então, tudo foi ajudando a compor essa narrativa”, pontua.
 
O diretor viu no faroeste um canal ideal para explorar esses temas. “Acho que o cinema de gênero é muito bom para contrabandear questões. Ele é mais eficiente para trazer um tema e provocar reflexão do que simplesmente esfregar esse tema na cara do espectador”, afirma. “Principalmente o western, que é um gênero muito definido pela ambientação. Quando a narrativa se passa em uma região onde a sensação é de que o poder, a lei e a ordem não estão totalmente constituídos, isso permite que esses homens violentos e frágeis botem em prática suas tendências mais brutais”, completa.

Ambientes e elenco
A fotografia premiada em Gramado é um espetáculo à parte, explorando a chapada e o Cerrado goiano, que, segundo Rassi, funcionam como o nosso próprio Monument Valley — locação famosa de dezenas de westerns americanos. “Passamos cerca de um ano fazendo testes de locação. Já conhecíamos a região da chapada e, desde o início, era nossa intenção filmar lá, mas não sabíamos exatamente onde”, explica o diretor. São João acabou sendo escolhida por também atender às cenas urbanas do filme e por uma questão de logística e praticidade para a equipe de filmagem.
 
Outro destaque do filme está na performance também premiada de Ródger Rogério, grande nome da música brasileira, no papel de Jerominho, um pretenso capanga que rouba a cena do alto dos seus 81 anos de idade. “Escrevi o personagem pensando no Nelson [Xavier], mas ele faleceu entre um filme e outro. Fiquei muito tempo retido na persona do Nelson, não conseguia enxergar outro ator fazendo o Jerominho. Fizemos vários testes, acho que cogitamos uns 100 atores do Brasil inteiro”, relata o diretor.
 
O nome de Ródger chegou por meio da diretora de elenco, e o teste foi feito por videochamada, seguido de um teste presencial que conquistou o diretor, inicialmente preocupado com a idade avançada do ator. Porta aberta, o filme traz no elenco outro octogenário de peso: Antônio Pitanga, veteraníssimo ator consagrado pelos diretores do Cinema Novo.
 
“É uma dessas pessoas que são um sonho para todo mundo, com quem todos querem trabalhar. São lendas. Tive muita sorte de trabalhar com o Nelson, com o Pitanga, que estão associados à minha formação”, celebra.
 
Por fim, Rassi convida o público a ver o filme na telona, em vez de esperar que ele chegue às plataformas de streaming, e destaca o bom momento do cinema brasileiro: “A gente tá muito otimista. O filme está num momento muito bom, sempre recebendo críticas muito positivas, e acho que o cinema nacional, como um todo, também está num momento muito bom, com o público voltando pro cinema pra consumir conteúdo brasileiro, muito devido ao Ainda Estou Aqui, mas também a outros filmes. Estamos nos beneficiando disso”.
 
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