Nádia Junqueira
Depois de quatro meses de discretas negociações, o governo estadual assinou nesta mahã (2/9), no Palácio das Esmeraldas, protocolo de intenções com a organização humanitária Cruz Vermelha, que assume, a partir de hoje, a gestão de projetos na saúde em Goiás. Para a assinatura, esteve presente o presidente da organização, Walmir de Jesus Moreira. A gestão da Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego) foi a principal ação firmada. O acordo faz parte da política do atual governo de buscar parcerias para gestão. O contrato também foi uma saída para solucionar o problema da crise que a Iquego enfrenta há anos.
A indústria tem operado com somente 20% da sua capacidade produtiva, acumula uma dívida de R$ 84 milhões e tem faturamento anual de R$30 milhões. O governador Marconi Perillo (PSDB) se disse satisfeito com o compromisso da Cruz Vermelha assumir o pagamento das dívidas. A organização humanitária também se compromete a recuperar a produtividade da Indústria em sua totalidade.
Gestão
O secretário de Saúde do Estado, Antônio Faleiros, elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS), qualificando-o como 'melhor sistema de saúde do mundo', mas defendeu um choque de gestão. "Administrativamente precisamos de parceiros", argumentou. O secretário afirma que a sociedade precisa entender a diferença entre gestão de saúde e gerência de unidade. "A gestão de saúde continuará sob responsabilidade do Estado. O que mudará é a gerência da unidade, que proporcionrá mais agilidade administrativa".
O governador reforçou que a Cruz Vermelha assumirá obrigações impostas pelo governo. "Não dá para achar que saúde não tem conserto e que precisa só de dinheiro para resolver problemas", disse Marconi defendendo reformas na gestão. Por outro lado, ele afirmou que é preciso que a união busque alternativas de recursos para saúde, dentro do orçamento. "Os estados e municípios estão enfraquecidos. E os problemas sempre caem no colo dos prefeitos e governadores", criticou Marconi. Ele se referia à possibilidade da recriação da CPMF. Enquanto senador, ele sempre se posicionou contrário.
Governador Marconi Perillo reforçou a importância da indústria que produzirá medicamentos, para Aids, por exemplo, a serem enviados para países mais pobres. É previsto que a Cruz Vermelha Internacional garanta 50% do faturamento, com a compra desses remédios que serão utilizados em países da África e América Latina.
Ações
Antes de sua missão na Europa, o governador Marconi Perillo anunciou com exclusividade à Redação que havia recebido a Cruz Vermelha Internacional para negociarem acordo. O contrato prevê o investimento de R$300 milhões ao longo de cinco anos. Inicialmente, serão investidos R$22 milhões para gestão da Iquego e outros R$50 a longo prazo. Apesar de ainda não ter nada fixado, há a possibilidade da Cruz Vermelha gerir hospitais públicos.
Em Novo Gama, região do entorno de Brasília, será construído e operado um hospital pela Cruz Vermelha, que dispensará R$210 milhões. Governador anunciou hoje que quem fará o projeto arquitetônico será Oscar Niemeyer. Outros R$12 milhões serão investidos para criação de um centro de logística em Anápolis.
O pacote de ações da organização também prevê o programa de entrega domiciliar de medicamentos, orçado em R$1,5 milhões. A ação privilegia pacientes com dificuldades de locomoção, faixa etária e tipo de patologia, que também receberão atendimento domiciliar. A medida visa diminuir o fluxo dos hospitais. Por fim, haverá um programa de formação de pessoal e, para isso, será construído um centro nacional de treinamento e formação.
Em discurso, Marconi disse que a data de hoje é emblemática por representar, ao mesmo tempo, honra para o Estado e responsabilidade para Cruz Vermelha. Ele reiterou que a organização tem uma missão desafiadora, mas servirá de vitrine para todo o mundo.