Lis Lemos
Na manhã dessa quinta-feira foi lançado um novo serviço de atendimento a crianças com anemia falciforme no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Goiás (UFG). O serviço vai fazer um acompanhamento permanente de crianças e adolescentes visando identificar e evitar o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
O professor e hematologista do HC, Renato Sampaio Tavares, explica que a anemia falciforme é uma doença hereditária, que tem maior predominância na população negra, e que as hemácias produzidas têm a forma de uma foice. O médico conta que a doença tem uma série de consequências. "O entupimento de alguns vasos é uma dessas consequências e pode obstruir vasos do cérebro, provocando o AVC", explica.
O indicado é que os pais levem as crianças e adolescentes para fazer um acompanhamento periódico. O exame é feito através de Doppler Transcraniano (DTC), que é uma avaliação cerebrovascular rápida e não-invasiva.
Tavares afirma que o exame deve ser feito regularmente. Em crianças que apresentam maior risco de ter um AVC, o DTC deve ser feito de mês em mês. Em casos de menor risco, a cada seis meses.
De acordo com o médico, 11% das crianças que possuem este tipo de anemia, poderão apresentar AVC, derrames que podem causar lesões graves e definitivas, até os 20 anos de idade.
Em casos extremos, a criança ou adolescente pode fazer uma transfusão de sangue, mas Tavares alerta que esse é um tratamento invasivo e de alto risco. Porém ele alerta que o desconhecimento sobre a doença entre a populacão e também entre os médicos, faz com que a prática seja recorrente e que muitas vezes é desnecessária.
No Brasil, a população com anemia falciorme chega a 30 mil. Em Goiás, a estimativa é que existam pelo menos mil pacientes.