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Crescendo diante da tela

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26.04.2021 - 12:09:05
 
Desde o início da pandemia, as crianças vêm se adaptando, aprendendo e se tornando mais criativas frente ao uso da tecnologia. Para alguns, é uma tábua de salvação mantendo-as em contato com os amigos e as ajudando a manter a capacidade social, uma alternativa bem-vinda à escola presencial. Para outras, é uma promessa frustrada, incapaz de compensar as defasagens em sua educação. 
 
O “tempo de tela” é um conceito que inquieta os pais, mas é considerada uma abordagem válida em um mundo em pandemia, pois a maneira como vivemos vem sendo redefinida. Um ano em que todos recorreram à tecnologia tem nos mostrado que o valor, ou perigo, dos aparelhos têm menos a ver com as próprias telas reluzentes e mais com a maneira como são usadas. O cuidado deve ser direcionado ao conteúdo disponibilizado às crianças, aos adolescentes e também aos pais, que são considerados exemplos.  
 
As escolas públicas continuam fechadas ou muitos responsáveis familiares discordam desta retomada, por isso é oferecido uma combinação de aprendizados, presencial e remoto, e os estudantes, com acesso a um dispositivo, vêm usando celulares, computadores das escolas e tablets de várias maneiras e por mais horas. Especialistas têm evitado termos como “vício”, que podem criar um pânico moral e causar impactos no desenvolvimento das crianças. A mudança de visão ocorre ao entender que permitir a elas mais tempo de tela não é uma escolha, mas uma necessidade.  
 
Um estudo do Pew Research Center, divulgado em outubro, concluiu que 63% dos pais com filhos em idade escolar hoje estão mais preocupados com o tempo de tela das crianças do que antes da pandemia. Porém a maior preocupação é com a capacidade de os filhos conseguirem manter as amizades e o seu bem-estar emocional.  
 
Na Educação, as aulas tradicionais deram lugar à interação mediada por computadores, microfones e câmeras. Educadores e pesquisadores ainda estão descobrindo qual foi o impacto do ano passado sobre as crianças e só saberão quando todas escolas abrirem totalmente. Além de adaptar atividades elaboradas, a princípio, para aulas presenciais, ao sistema remoto, um dos grandes desafios é fazer com que as interações entre alunos e professores se tornem interessantes o suficiente para não disputar a atenção com outras distrações encontradas em casa.  
 
*Tatiana Santana é diretora pedagógica do Colégio Externato São José 
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por Tatiana Santana

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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