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Covid-19: um palanque político sem estrutura

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16.07.2020 - 16:29:11
 
Ao longo da história humana a vida foi negligenciada em diversos contextos. A criação de subterfúgios para melhorá-la permitiram que novos intempéries fossem criados a fim de sustentar discursos demagogos e a ineficiência administrativa. Sob esse prisma, inúmeras lutas foram travadas com o propósito de potencializar os recursos monetários e ampliar o poder. Logo, para que isso pudesse ocorrer, incontáveis cidadãos foram ceifados. 
 
Um exemplo claro deste cenário é a forma que o Poder Executivo vem guiando a pandemia do Covid-19. É perceptível que, após o crescimento exponencial do número de mortes, diversos gestores tomaram medidas para fazer com que este processo fosse retardado. Em um cenário oposto, os brasileiros, são submetidos aos governantes que, sobretudo, permitem ao poder um estado de ascensão e que a vida humana fique em segundo plano. Na luta entre a dominação política e a valorização da vida, sabe-se bem quem sempre vence. 
 
É de conhecimento de todos que as atitudes em situações adversas sempre são tomadas no ápice do momento. A aplicação de medidas profiláticas para enfrentar cenários delicados como este é tardia. Entretanto, um país onde os gestores não possuem um plano de contingência simplesmente pelo fato de que eles excluem os períodos onde as adversidades são acentuadas, é literalmente, um perigo para a nação. 
 
No que tange o sistema de atenção básica a família, podemos notar uma enorme negligência. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) são os primeiros a iniciar a luta e os últimos a receber o devido investimento para permanecer no enfrentamento dela. Isso fica evidente quando, num município, a população morre a espera de amparos para a manutenção da vida em casos excêntricos. Um exemplo clássico são os respiradores que foram inclusos no orçamento dos municípios somente agora. A busca torna-se excessiva, resultando no crescimento da demanda e no atraso da sua utilização. Enquanto isso, o cidadão que move o município, sofre com a contaminação e com o descaso ocasionado pela falta de utensílios básicos para que ele permaneça vivo. 
 
Diante dessa conjuntura, uma indagação deve ser feita: onde está a sensibilidade do Poder Executivo? Os mandatos dependem dos cidadãos. O redirecionamento de verbas para a execução de políticas públicas dependem dos cidadãos para que haja recursos monetários suficientes para gerir a máquina pública. Não há necessidade de entrar no mérito que o pleito eleitoral depende dos cidadãos para que ele ocorra de forma assertiva. 
De acordo com o supracitado, é perceptível que o cidadão é o protagonista. Ele deve ser a prioridade do gestor. Todas as decisões tomadas no decorrer do mandato devem ter como propulsores a vida do bebê que acabou de nascer, o adolescente que está no seu processo de construção da cidadania, o adulto que trabalha incessantemente para fazer com que a economia do município possa girar e também o idoso que merece um envelhecimento humano e digno. Em suma, onde está o erro?  
 
Nesse hiato, o momento de instabilidade social, econômica e política exige a prática da empatia que, no entanto, coloca a vida como prioridade. As mortes não são apenas estatísticas. São personalidades, sentimentos e histórias que foram interrompidas por falta de amparo básico. O cidadão tornou-se peça de tabuleiro. Quando o amor à vida é perdido, o ser humano é transformado em um número: RG, CPF, NIS. Os substantivos próprios são trocados por códigos de identificação. Esta é a prova de que a sensibilidade que o Poder Executivo exerce sobre o povo brasileiro beira a nulidade. Pronto. Este é o cerne da questão. Se o candidato não preza pela vida humana, ele não serve para exercer um cargo público. 
 
O ano de 2020 está nos mostrando claramente quem nasceu para gerir e quem não possui nenhuma aptidão para isso. Basta abrir os olhos e ampliar o campo de visão para observar o panorama que os municípios brasileiros estão inseridos. Um exercício de consciência bem interessante é verificar se as atitudes tomadas pelo poder executivo condizem com o enfrentamento da luta vigente. Diante desta análise, é possível identificar quem realmente consegue gerenciar a máquina pública com sensibilidade e gratidão pela vida dos cidadãos que colaboram diretamente com a mesma. 
 
Pense. Reflita. Encare os fatos com uma visão crítica e sem rótulos. A valorização da vida deve ser o princípio basilar da execução dos planos de governo e assim feito, a diferença será louvável.

*Nathaliany T. Miranda e Sousa é estudante de Direito

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por Nathaliany Miranda

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