A Redação
Goiânia – O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) inicia o tratamento contra o câncer infantil em até 72 horas após diagnóstico. O paciente chega à primeira consulta, realiza os exames e tem a doença confirmada, em média, em três dias. Dois dias depois, já inicia a terapia, reduzindo para cerca de cinco dias todo o percurso entre a primeira avaliação e o começo do tratamento. Nos casos de doenças hematológicas, a assistência é ainda mais imediata: o tratamento pode começar no mesmo dia do diagnóstico. A unidade completa um ano de inauguração oficial nesta sexta-feira (25/9).
A rapidez é especialmente importante no enfrentamento do câncer infantojuvenil. Identificar precocemente a doença e encaminhar o paciente ao tratamento adequado são fatores importantes para ampliar as possibilidades de sucesso da terapia. “A despeito de todos os avanços da tecnologia para o cuidado do câncer, o que mais faz a diferença é o diagnóstico precoce”, afirma o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos. Segundo ele, o objetivo é fazer com que a criança com suspeita da doença percorra o menor caminho possível até a assistência especializada. “A gente está batalhando com toda a rede de assistência do estado para que possamos trazer o paciente o mais rápido possível.”
Somente em 2026, o Cora confirmou 237 diagnósticos de câncer em crianças e adolescentes. Para acelerar esse processo, o Estado trabalha na estruturação de uma linha de cuidado que integra atenção primária, assistência especializada, municípios e regionais de saúde ao hospital. A proposta é aumentar a capacidade de reconhecer sinais e sintomas suspeitos e encaminhar rapidamente os casos para investigação. Uma vez dentro da unidade, exames, confirmação diagnóstica e definição da terapia são concentrados na mesma estrutura.
“Do momento que o paciente faz a primeira consulta aqui no Cora até o início do tratamento, em média, são cinco dias. Ele faz todos os exames; tem o diagnóstico em três dias e inicia o tratamento dois dias depois. No caso de doença hematológica, a gente inicia o tratamento no mesmo dia do diagnóstico”, explica Rasível. Para o secretário, reduzir essa espera representa não apenas antecipar a assistência à criança, mas também diminuir a angústia enfrentada pelos familiares entre a suspeita da doença e o começo efetivo do cuidado.
Essa agilidade fez diferença no tratamento de Matias, de 2 anos, diagnosticado com um tumor no rim e atendido no Cora. Segundo o pai, Breno, a família conseguiu rapidamente uma vaga na unidade após a confirmação da doença e, desde então, o menino passou por diferentes etapas do tratamento. “Graças a Deus a gente teve um diagnóstico rápido, a gente teve que conseguir uma vaga rápida pra cá. E, desde então, foi só progredindo”, contou.
Matias iniciou o tratamento com quimioterapia para reduzir o tumor, passou pela cirurgia para retirada da lesão e, posteriormente, por um transplante autólogo de medula óssea. Agora, segue para as etapas de radioterapia e imunoterapia. “Graças a Deus ele já tá sem o tumor, não tem mais nada. E agora é só continuar tratando pra, se tiver qualquer resquício, acabar mesmo”, relatou Breno.
A rapidez ganha ainda mais relevância diante do impacto do câncer nessa faixa etária. “O câncer pediátrico é uma doença rara, mas no Brasil é a doença que mais mata crianças e adolescentes”, observa o oncologista pediátrico Renato Melaragno. O especialista também destaca a importância de concentrar o tratamento em uma unidade especializada, evitando que pacientes precisem percorrer diferentes serviços ou deixar Goiás em busca de determinados procedimentos.
“A gente tem hoje aqui a possibilidade dessas crianças não saírem do Estado. Por exemplo, a gente teve metade dos pacientes praticamente com tumores cerebrais. Não tinha nenhum hospital aqui em Goiás que trate tumor cerebral. Vai para lá, vai para cá, fica muito quebrado [o tratamento]. Isso não é bom”, relata Melaragno. Antes da abertura do Cora, a rede pública estadual não contava com um hospital com esse perfil de atendimento especializado e capaz de concentrar diferentes etapas da assistência ao câncer infantojuvenil.
Para Breno, que mora com a família em Aparecida de Goiânia, a existência dessa estrutura também significa poder acompanhar todas as etapas do tratamento do filho sem precisar deixar o Estado. O deslocamento de casa até o Cora leva entre 30 minutos e uma hora, dependendo do trânsito. Sem a unidade, ele acredita que a família teria de buscar atendimento em outra cidade ou recorrer à rede particular. “Realmente o Cora é um presente, como o pessoal fala, né? Um presente pra gente. Porque a infraestrutura daqui é muito boa, os profissionais muito capacitados”, afirmou.
Um ano após a inauguração oficial, os números ajudam a dimensionar a estrutura mobilizada para oferecer essa assistência. Desde que começou a receber pacientes, em junho de 2025, o Cora soma 34.783 atendimentos. São 12.840 consultas multiprofissionais, 7.131 consultas médicas, 7.148 exames especializados e 3.678 sessões de quimioterapia. A unidade também contabiliza 2.077 cirurgias e 1.903 procedimentos cirúrgicos de menor porte.
