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Consciência e esperança: dois grandes remédios para a pandemia

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25.07.2020 - 14:07:00

No Brasil, começamos a semana com mais de 70 mil mortes por Covid-19 e uma quarentena de quase quatro meses. Mesmo quem não presenciou alguém próximo com essa nova doença, por uma atitude empática, se impacta com o número de vítimas. Nesse tempo, houve mudanças de planos, perspectivas, ideias, valores… Está sendo preciso lidar também com novas questões angustiantes, como: o risco de adoecer com os hospitais cada vez mais lotados; os conflitos financeiros e de trabalho; crises pessoais e familiares; período de incertezas e mudanças que não se sabe onde dará.
 
Fica complicado caminhar com sanidade mental intacta no momento em que a armadura da saúde está abalada. Respirar, uma das únicas atividades fundamentais para a vida que ainda é gratuita, tem tido um valor imensurável. Ainda com todas essas angústias, creio que seja tempo de desenvolver consciência. As novas demandas do presente têm feito as pessoas desacelerarem, diminuírem o ritmo do passo, e com isso defrontarem consigo mesmas. Distanciados de muitos, a pessoa pode parar e descobrir quais são as suas relações significativas, com as quais há preocupação e cuidado mesmo de longe. Dá para perceber também quais as atividades que realmente alimentam a alma e aquelas realizadas apenas para sair da ociosidade incômoda.
 
Esse momento traz uma lição tão simples e ao mesmo tempo tão peculiar: eu cuido do mundo quando cuido de mim. Agora, ao tomarem medidas de proteção consigo mesmas, salvam não apenas as suas próprias vidas, mas ajudam na salvação da humanidade. Por isso, a importância de uma consciência passa a ser coletiva. E aí cultivar a esperança, que deriva de espera, um ato muitas vezes complicado para a nossa geração ansiosa. Mais pessoas se ajustarão de formas assertivas frente às novas demandas de autocuidado, de saúde coletiva, de engajamento social, de preservação da natureza e de tantas outras.
 
Não se sabe como será o mundo pós-pandemia. Muitos torcem para que tudo volte a ser como era, mas Heráclito, há milhares de anos, ensinou que não se entra duas vezes no mesmo rio. A vida é um processo contínuo, o caminho não é retomar o passado, mas cuidar do presente para que o futuro seja o melhor possível e que todos tenham força para lidar com o que vier. Busque consciência desse processo vivido e esperança de que as coisas irão melhorar. Cuide da saúde física e mental, aceite todas as angústias que possam ser vividas, mas experimente-as com a esperança de que vai passar, e, aí sim, ficará bem!
 
*Guilherme Nogueira é psicólogo clínico, professor de Psicologia da UNIALFA  
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por Guilherme Nogueira

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