Logo
Helicópteros dos EUA em Caracas (Foto: Reprodução)

Conheça o poderio militar dos EUA usado contra Maduro na Venezuela

Trump afirmou que apresentará detalhes sobre bombardeio em coletiva

03.01.2026 - 09:59:09
WhatsAppFacebookLinkedInX

São Paulo – Os EUA atacaram a Venezuela com bombardeios em Caracas e capturaram o ditador Nicolás Maduro e sua esposa neste sábado, 3. O presidente americano, Donald Trump, confirmou a informação em sua rede social, a Truth Social. O presidente afirmou ainda que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.

O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, chegou às águas próximas da América Latina nesta semana, intensificando uma campanha militar que já matou mais de 75 pessoas a bordo de lanchas e semissubmersíveis no Mar do Caribe.

O presidente Donald Trump sugeriu repetidamente que ataques terrestres poderiam ser o próximo passo, mas nos últimos dias negou estar considerando um ataque militar iminente dentro da Venezuela.

Caso o governo Trump decida realizar ataques terrestres, as forças americanas poderiam escolher entre diversos alvos, desde bases militares venezuelanas a laboratórios de refino de cocaína, pistas de pouso clandestinas ou acampamentos de guerrilheiros, de acordo com ex-militares e oficiais antidrogas americanos e venezuelanos, além de analistas de defesa. Mas o impacto potencial de tais ataques permanece incerto.

Possíveis alvos dos EUA na Venezuela

Embora Trump tenha sinalizado a possibilidade de ataques terrestres contra narcotraficantes na Venezuela, ainda não está claro se ele teria como alvo locais de contrabando de cocaína ou a própria ditadura de Nicolás Maduro.

Trump alegou que o ditador e seus principais assessores são líderes de uma organização de narcotráfico, o Cartel de los Soles, que envia drogas para os Estados Unidos. O governo americano classificou o Cartel de los Soles como um grupo narcoterrorista e poderia usar isso como justificativa para atacar diretamente a ditadura de Maduro, numa tentativa de pressioná-lo ou removê-lo do poder à força.

Segundo Jim Stavridis, um almirante aposentado do Exército dos EUA que supervisionou as operações na região de 2006 a 2009, as Forças Armadas da Venezuela “atrofiaram” nos últimos anos, mas ainda possuem armamento e capacidade suficientes para que seja improvável que o governo Trump ordene qualquer incursão terrestre significativa.

“Espere por ataques cinéticos de precisão contra alvos relacionados ao narcotráfico e à capacidade militar e, se isso não surtir o efeito desejado, contra a liderança”, disse Stavridis. “Acho que o objetivo aqui é convencer Maduro de que seus dias estão contados, mas convencê-lo disso exigirá uma quantidade considerável de ataques contra a infraestrutura da Venezuela.”

Ainda de acordo com o analista, Maduro poderia se entrincheirar. Isso deixaria o governo Trump com a possibilidade de deliberar se deve realizar ataques contra a segurança de Maduro ou uma missão de Operações Especiais para capturá-lo ou matá-lo, ainda que uma operação desse porte seja de alto risco.

Para Stavridis, os Estados Unidos poderiam começar com ataques a aeroportos ou portos marítimos identificados como potenciais centros de distribuição de drogas. Também poderiam atacar pontos de embarque perto da fronteira da Venezuela com a Colômbia, de onde se originam quantidades significativas de cocaína. Mas o Pentágono também gostaria de atacar as defesas aéreas venezuelanas para proteger suas próprias aeronaves, disse o almirante aposentado.

As forças americanas também poderiam alvejar pistas de pouso clandestinas, como no estado de Apure, de acordo com um ex-agente da DEA (Administração de Repressão às Drogas dos EUA) na Venezuela, que falou sob condição de anonimato para discutir detalhes sensíveis. Os traficantes costumam armazenar cocaína perto dos “estacionamentos” onde aviões da América Central pousam e aguardam para carregar as drogas.

As forças americanas também poderiam alvejar pistas de pouso na região de Catatumbo, que tem visto um aumento no tráfego aéreo em meio à repressão americana aos barcos de narcotráfico, de acordo com um ex-capitão do exército venezuelano, agora exilado, que falou sob condição de anonimato por questões de segurança. Grandes depósitos de drogas também podem ser encontrados no estado de Sucre, afirmou o ex-oficial militar.

Destruir o fornecimento de drogas poderia neutralizar o poder econômico de militares e políticos corruptos, disse o ex-capitão do Exército. Mas, se o objetivo for atingir diretamente as forças de segurança de Maduro, os militares dos EUA poderiam mirar na poderosa agência de contrainteligência militar da Venezuela, a Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM).

Como Maduro poderia reagir

As Forças Armadas da Venezuela são bem armadas, com algumas armas avançadas adquiridas durante a ditadura do ex-presidente Hugo Chávez, que faleceu no cargo em 2013. Acredita-se que esse armamento inclua um sistema de defesa aérea S-300VM de fabricação russa.

Mas esse sistema de defesa aérea está apenas parcialmente operacional no momento e nunca foi projetado para ser usado contra os Estados Unidos, afirmou Andrei Serbin Pont, do grupo de pesquisa latino-americano CRIES.

De acordo com o Global Firepower, a Venezuela possui 109.000 militares da ativa. Mas o ex-oficial militar venezuelano afirmou que esse número provavelmente é menor.

Em 2018, a Venezuela tinha menos de cinco caças Sukhoi russos em operação, disse o ex-oficial militar venezuelano. Ele argumentou que Maduro não possui capacidade militar nem apoio popular para travar uma guerra contra os EUA.

“Não estou dizendo que não haverá resistência”, disse ele, “mas não será um ataque contra as forças americanas”.

Figuras da oposição venezuelana, analistas políticos e um ex-funcionário do regime disseram a diplomatas americanos da Unidade de Assuntos da Venezuela, sediada em Bogotá, que a ditadura de Maduro está cada vez mais preocupado com as operações militares dos EUA, mas acredita que pode superar as tensões e se manter no poder, de acordo com documentos internos do governo obtidos pelo The Washington Post. O Departamento de Estado não respondeu a um pedido de comentário.

Esses observadores da Venezuela, segundo os documentos, descartaram em grande parte a possibilidade de um ataque americano a locais de tráfico de drogas na Venezuela levar os militares a se voltarem contra Maduro.

Qual é o objetivo final de Trump?

Mesmo que ataques sejam realizados na Venezuela, é improvável que isso mude algo significativo no comércio de drogas com os EUA, disseram autoridades americanas, atuais e antigas, familiarizadas com a região.

Um general aposentado afirmou que o tráfico de drogas proveniente da Venezuela é principalmente de cocaína, produzida inicialmente na Colômbia e enviada para a Europa ou para as ilhas do Caribe – não para os Estados Unidos.

“A ideia de que se vai interromper o fluxo de drogas atacando a Venezuela é pura balela”, disse o general, falando sob condição de anonimato para poder ser franco sobre o governo Trump.

Em uma reunião confidencial com alguns membros do Congresso na semana passada, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Secretário de Defesa Pete Hegseth disseram que o governo não está se preparando para atacar a Venezuela diretamente e que não possui uma justificativa legal adequada para fazê-lo, de acordo com pessoas familiarizadas com a reunião.

Um funcionário americano em exercício, familiarizado com as deliberações do governo neste ano, disse não ter certeza se Trump autorizará ataques na Venezuela, ou por quanto tempo os ataques no mar poderão continuar. Assim como em outras ações militares realizadas por Trump, disse o funcionário, o presidente pode declarar vitória abruptamente e seguir em frente.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Agência Estado

*

Postagens Relacionadas
internacional
23.02.2026
Número de mortos em conflitos no México chega a 73, informam autoridades

São Paulo – Pelo menos 73 pessoas morreram na tentativa do México de capturar o notório líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) e na violenta sequência de sua morte, disseram autoridades nesta segunda-feira (23/2), enquanto grande parte do país temia uma nova onda de violência. A contagem de corpos feita pelas autoridades incluiu membros […]

Internacional
23.02.2026
O que está acontecendo no México? Veja os impactos da morte do narcotraficante El Mencho

São Paulo – A morte do narcotraficante Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, no domingo (22), provocou uma onda de violência e caos em diversas cidades do México, com bloqueios de estradas, fechamento de escolas e cancelamento de voos. Segundo informado por Omar Garcia Harfuch, secretário de segurança do México, nesta segunda-feira, 23, […]

Internacional
23.02.2026
Saiba como foi operação que matou El Mencho, chefe de cartel no México

Brasília – A localização de uma pessoa de confiança de uma das namoradas do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi o que permitiu às autoridades do México realizarem uma operação para prender o criminoso. El Mencho é líder de um dos principais cartéis de drogas do país, procurado internacionalmente. Com informações adicionais […]

POLÍTICA
23.02.2026
Na Coreia do Sul, Lula encontra presidente e empresários do país

Brasília – Em viagem à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontro com o presidente Lee Jae-myung nesta segunda-feira, 23, além de encontro com empresários. Veja agenda completa: – 10h (horário local) / 22h (horário de Brasília) – Cerimônia de deposição de oferenda floral, Cemitério Nacional de Seul. – 10h30 […]

Internacional
22.02.2026
México vive onda de violência após morte do narcotraficante “El Mencho”

Brasília – A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), durante uma operação conduzida pelas Forças Armadas mexicanas em Tapalpa, no estado de Jalisco, neste domingo (22/2), desencadeou uma rápida escalada de violência em diferentes regiões do México. Segundo o governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro, vários veículos foram […]

realeza britânica
21.02.2026
Polícia realiza novas buscas em endereços ligados ao ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor

São Paulo – Autoridades britânicas realizaram nesta sexta-feira (20/2), pelo segundo dia seguido, buscas em endereços ligados ao ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III. Na quinta-feira (19/2), ele passou 12 horas na prisão no âmbito de uma investigação para apurar se ele divulgou documentos confidenciais a Jeffrey Epstein, financista americano condenado por crimes […]

Internacional
21.02.2026
Delcy Rodríguez sanciona anistia e liberta centenas de detidos na Venezuela

São Paulo – Grupos de defesa dos direitos dos prisioneiros e familiares de detidos receberam com reservas a medida de anistia promulgada na sexta-feira (20/2). A lei deve libertar centenas de pessoas, incluindo ativistas e defensores dos direitos humanos. Enquanto alguns setores consideram a ação uma vitória contra as detenções ocorridas nos últimos 27 anos, […]

Tensão
21.02.2026
Trump analisa ‘ataque limitado’ ao Irã; Israel entra em alerta defensivo

São Paulo – Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (20/2), que está avaliando a possibilidade de um ataque militar limitado ao Irã, caso não seja alcançado um acordo sobre o programa nuclear do país. Com o aumento da tensão, o exército israelense disse ter entrado em “alerta defensivo” para a eventualidade de uma guerra. A declaração […]