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Conheça 7 goianas que se destacam no esporte nacional e internacional

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08.03.2020 - 08:00:00

Roberta Rodrigues

Goiânia – Nada de sexo frágil! Algumas mulheres goianas mostram que, assim como em várias outras áreas, também são destaques no mundo esportivo, ainda predominantemente dominado pelos homens.

Neste 8 de março, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher, a equipe do jornal A Redação preparou uma reportagem especial com histórias de muitos desafios e títulos que comprovam o nítido desempenho e as conquistas das mulheres no esporte nacional e internacional.

Ciclismo, tiro com arco e luta em competições olímpicas e paralímpicas são algumas das escolhas dessas mulheres que são exemplo de perseverança, superação e que , acima de tudo, são protagonistas de trajetórias inspiradoras. 

Raiza Goulão -Mountain Bike 
(Pirenópolis)

Raiza Goulão é atleta de mountain bike em Pirenópolis e começou sua atuação no esporte com 16 como um hobby. A sua primeira competição foi no GP Goiano. Ela comenta que ficou sabendo do esporte por um colega da faculdade que a convidou para assistir a uma prova em Corumbá. No local, deixaram um panfleto de uma competição no carro do seu pai. Foi aí que ela resolveu participar.
 

"Eu não conhecia o esporte. Quando conheci, eu trabalhava em uma cafeteria e comecei a juntar dinheiro para comprar peças. Durante a minha primeira competição, eu me perguntava o que eu estava fazendo ali, mas consegui o terceiro lugar. E, na linha de chegada, já pensava qual ia ser a próxima", lembra. 


CIMTB (Foto: Fabio Piva)

Raiza detalha que deu continuidade às competições em Goiás e também fora do Estado. Atuou durante 2 anos no cenário nacional, quando começou a se destacar e participar da seleção brasileira. 

Em 2012, participou de um projeto e foi para o Canadá, onde disputou sua primeira prova de nível mundial. "Foi o divisor de águas. A partir dessa competição que voltei focada a dar continuidade no esporte como profissão. Até então trabalhava em outras áreas, como na cafeteria e em um banco para manter meu esporte", ressalta. 

CIMTB – (Foto: Fabio Piva)
 

A atleta afirma que enfrentou vários desafios durante sua carreira e detalha que em vários momentos tinha que" trabalhar muito para provar que era capaz e lutar para ter premiações iguais às premiações dos homens". "Vejo uma crescente das mulheres no mountain bike", comemora ao destacar o aumento das participações femininas também em outras modalidades. 

Principais títulos na elite do esporte:
– Campeã Pan-americana de mountain bike XCO (Cross Country Olímpico) em 2018
– Tricampeã brasileira de mountain bike XCO (Cross Country Olímpico) em 2015, 2016 e 2017
– Bicampeã da ultramaratona Brasil Ride em 2015 e 2017
– Seis vezes campeã de etapas da Taça Brasil:
2019: Goiânia-GO e Mairiporã-SP
2015: Campo Largo (2x)
2014: Campo Largo

Jane Karla Gogel- Atleta paralímpica – Tiro com arco 
(Goiânia)

Jane Karla é uma atleta paralímpica famosa pela prática de tiro com arco. Natural de Goiânia, ela iniciou sua carreira esportiva em 2003, com 28 anos, no tênis de mesa. "O esporte entra na vida do paratleta muito tarde. Na infância você não tem oportunidades", explica Jane, que poliomielite na infância e tem o movimento das pernas prejudicado. Ela iniciou sua carreira esportiva na associação para deficientes físicos que participava depois de muita insistência e estímulo por parte dos colegas. "Quando peguei na raquete, foi amor à primeira raquetada (risos)", conta. 


(Foto: Divulgação)

A profissional explica que tinha garantido vaga para o Parapanamericano em Toronto com o tênis de mesa, mas que resolveu mudar de esporte porque, se continuasse, teria que se mudar de Goiânia. "Em 2010 tive um câncer de mama ao mesmo tempo que minha mãe também lutava contra a doença.  Eu a perdi logo em seguida. Então, como estava muito recente, eu não queria deixar minha família e ir embora", comenta. Jane permaneceu no tênis de mesa até 2014, quando começou a procurar um outro esporte para se dedicar. "O tiro com arco foi por acaso. Eu procurava, de fato, qualquer outro esporte e quando eu vi, já estava atirando", detalha a atleta, que faz uso de cadeira de rodas para a prática esportiva. 

Jane passou em uma seletiva de tiro com arco em 2015. Desde então, ela acumula prêmios na modalidade. Atualmente, mora com o marido e os filhos em Portugal, onde participa do Nacional do País. Mas, apesar de morar fora, ainda tem treinamentos e campeonatos no Brasil e nunca esquece do seu Estado natal. "Goiás é a minha terra do coração".


(Foto: Divulgação)
 

Sobre preconceito por ser mulher no esporte, Jane ressalta que existem as dificuldades, mas garante que muito já foi conquistado. "já dominamos muitas áreas, estamos a cada dia mais conquistando nosso espaço e mostrando nosso valor", comemora. 

Títulos
Tiro com arco

Em 2015 – ouro no Parapan-Americano em Toronto 
3 vezes eleita melhor atleta brasileira do tiro com arco Paralímpico 
2018 Primeira do ranking mundial paralímpico 
2019 – garantiu 1 vaga para o Brasil nas Paraolimpíadas de Tóquio 2020 no Mundial de tiro com arco na Holanda.
2019 bateu 3 recordes Mundiais Paralímpico indoor

Tênis de mesa
11 vezes campeã brasileira no tênis de mesa paralímpico 
Recebeu 3 vezes consecutivas o troféu de melhor atleta das Américas 
2008 participou das paraolimpíadas de Pequim, na China
2010 iniciou o ano em terceira do ranking mundial paralímpico de tênis de mesa
Obs.: teve que parar o esporte 1 ano porque descobriu o câncer de mama. Fez radioterapia, quimioterapia e cirurgia, então só voltou a competir em 2011
2011 garantiu vaga para o Parapan-Americano de Guadalajara e foi campeã  
2012 participeou das paralimpíadas de Londres 
2014 terceiro lugar por equipe no Mundial China
2014 vaga para o Parapan-Americano em Toronto no tênis de mesa paralímpico 
Obs: desistiu da vaga quando decidiu aposta no tiro com arco.
2007 campeã Parapan-americana Rio
2009 campeã parapan Ilhas Margaritas
2011 campeã Parapanamericana Guadalajara

Uma história de desafios e superação que inspira pessoas que conhecem sua trajetória, como no caso de sua filha Lethicia, segue os passos da mãe e é atleta paralímpica no tênis de mesa.

"Me ver atuando no esporte apesar dos obstáculos fez ela mudar a mentalidade", destaca Jane sobre Lethicia.

Lethicia – Tênis de Mesa
(Goiânia)

Lethicia é filha de Jane e também atua como atleta paralímpica no tênis de mesa. Goianiense, começou a praticar o esporte com 7 anos de idade e hoje, com 17 anos, já acumula títulos importantes na carreira. "Sempre fui muito ativa, amava brincar, correr, pular e vi no esporte um meio de diversão. Como sempre via minha mãe e meu pai participarem, o esporte já era muito comum na minha vida, então acabei me espelhando neles e descobri uma grande paixão", ressalta.
 
(Foto: Divulgação)
 
Apesar de nova, Lethicia comenta que já passou por algumas situações constrangedoras ao jogar contra homens. "Já aconteceu de eles caçoarem, até mesmo durante o jogo já ouvi comentários desnecessários e também ações desnecessárias, como uma vez que um homem, já mais velho, chutou os aparadores de bolinha", detalha, ressaltando que lida com situações como essa de forma madura: "ignorando e dando o meu melhor".

"Começar a comemorar bem forte e ganhar deles, na minha opinião, é a melhor saída, para depois eles verem do que uma mulher é capaz. Acredito que essa raiva me ajuda a ter garra, e eu uso isso ao meu favor durante o jogo", destaca.
 


(Foto: Divulgação)

Lethicia é estudante e explica a dificuldade em conciliar os estudos com o esporte. "Estou me preparando para os exames nacionais, muitos trabalhos e pensando na faculdade. Enquanto isso, treinando e pensando no esporte, além das viagens que me obrigam a faltar e perder matérias importantes. Mas até agora estou conciliando bem ambos, espero continuar assim", projeta. 

Títulos
1° lugar Parapan sub 21, individual classe 8
3° lugar Parapan, individual classe 8-10
3° lugar Costa Brava Spanish Open, classe 8

Sarah Frota Lima, conhecida como 'A Treta –  UFC'
(Goiânia)

Sarah Frota, conhecida como A Treta, nasceu em Brasília, mas foi criada em Goiânia desde muito pequena. Na capital goiana, a atleta jogava futebol e, com 14 anos, começou a treinar capoeira. Depois, atuou um tempo na música e, aos 20 anos, resolveu voltar a treinar, só que dessa vez no Jiu- Jitsu. "Fiquei 11 anos só no jiu-jitsu. Com 30 anos de idade, recebi um convite e entrei de forma despretensiosa no MMA e fui ganhando, ganhando, ganhando", comemora.  


(Foto: Reprodução/Instagram)

As seis primeiras lutas de MMA de Sarah foram em Goiás, até que se mudou para Santa Catarina e começou sua atuação internacional. Sarah comenta que já sofreu preconceito por ser "fora do padrão", como ela mesma diz, e brinca que treinava os meninos. "Ser mulher no esporte não é fácil. Sempre temos que fazer mais e mostrar mais. Só que não podemos só reclamar e não fazer nada. Não podemos abaixar a cabeça", reforça.


(Foto: Reprodução/Instagram)

Enquanto se dedicava ao jiu-jitsu, Sarah dividia o tempo com o trabalho que fazia com eventos. "O atleta tem que sempre estar dando seus pulos para conseguir alcançar seus objetivos, mas esses obstáculos me preparam para chegar onde cheguei", enfatiza. 

Títulos
Sarah é multi-campeã de jiu-jitsu, com 10 pódios estaduais, além de campeonato brasileiro e pan-americano. Depois de chegar ao topo do jiu-jitsu com a faixa preta e títulos estaduais, nacionais e pan-americanos, a goiana decidiu trocar o tatame pelo octógono. Com um cartel de 9 vitórias em 9 lutas, Sarah precisou de apenas 3 anos no MMA para fazer sua entrada no roster do UFC com um nocaute no Contender Series Brazil.

"Nunca foi fácil. Sonhei com isso, mas sabia que viver seria ainda melhor, então busquei o UFC. Agora quero mais, quero o cinturão", afirma. 

Larissa Metran – Jogadora de Pôquer
(Goiânia)

Larissa Metran é jogadora de pôquer e nasceu em Goiânia, onde também começou a praticar o esporte quando tinha 18 anos. Metran comenta que estava no início da faculdade de Direito quando conheceu o pôquer "por acaso" em um churrasco com os amigos. Um deles resolveu ensinar o jogo. 

"Na época eu já tinha visto na televisão, mas nunca tinha entendido nada e, então, logo no primeiro dia em que aprendi as regras, me apaixonei. Vi que era um jogo muito interessante e que havia muito o que se estudar sobre ele. Foi aí que comecei a assistir torneios televisionados, li um livro sobre pôquer e comecei a melhorar e a ganhar algumas coisas, o que fez com que eu continuasse a jogar cada vez mais", destaca.
 


(Foto: Divulgação)
 
Larissa Metran ressalta que o preconceito com a mulher nesse esporte é muito grande. "A
s mulheres jogam contra os homens de igual para igual, não há distinção de sexo, nem idade. Nós mulheres somos pouquíssimas. Nna época em que comecei, dava para contar nos dedos. Quando uma mulher senta na mesa, os homens logo pensam que chegou alguém a ser explorado, “caçado”."

Ela detalha que teve que se esforçar para mostrar que era capaz. "Logo senti que eu era reconhecida por ser uma boa jogadora, mas o que queria mesmo, era ser boa, independente de sexo,  queria jogar de igual pra igual, sem ninguém me distinguir por ser mulher", lembra. E comemora: "sinto que consegui!"
 

(Foto: Divulgação)
 
A jogadora  conciliou o pôquer com a faculdade até o término do curso de Direito, em 2010. Depois disso, se dedicou exclusivamente ao pôquer, teve um time (do qual era instrutora) junto com mais 2 amigos e seu namorado, agora marido. Além disso, foi embaixadora de um site sobre o esporte. 

Larissa Metran foi considerada em 2013 a melhor jogadora de pôquer do Brasil.


Títulos
"Meus maiores títulos vieram de mesas finais no BSOP (Brazilian Series Of Poker), fui campeã do torneio Ladies do LAPT (Latin American Poker Tour), além de vários torneios on-line nos sites de pôquer", diz. 

Clemilda Fernandes – Ciclismo de estrada e contra relógio
(Goiânia)
Clemilda Fernandes foi criada em Goiânia, onde começou sua carreira no ciclismo com 19 anos. Atualmente atua profissionalmente na Europa. A ciclista trabalhava com a venda de rodos e outros produtos na capital goiana, fato que, inclusive, ela considera que facilitou sua adaptação no esporte.

"Minha mãe teve 2 filhos e nos criou sozinha. Nos ensinou a trabalhar desde cedo. Acredito que o trabalho vendendo coisas na rua melhorou meus músculos, fortificou. Eu entrei na seleção cerca de sete meses depois que comecei no ciclismo", explica. 


(Foto: Divulgação)

Clemilda detalha muitas dificuldades e exemplifica o preconceito presente em sua vida desde o seu nascimento, quando seu pai queria entregá-la para outra família pelo fato de ter nascido mulher. "Ele pretendia formar um time de futebol com os filhos homens. Quando eu nasci, ele não me queria e me deu para os outros. A sorte é que minha mãe não deixou me levarem". 

Clemilda conta que sua primeira prova foi no Torneio de Verão em Santos, e que ela foi apenas com o dinheiro da ida."Ou ganhava ou ficava lá. Eu tinha que entrar entre as três pra pegar o dinheiro da premiação e voltar para casa", recorda. 

"A partir daí, eu fui ganhando e fui para a seleção brasileira. Sempre queria mais e mais e mais, e com minha força de vontade e objetivo, eu consegui vencer muitas provas. Então, por tudo isso, hoje me sinto realizada no esporte e na vida. Falo três idiomas e estou aprendendo agora o inglês", comenta.


(Foto: Reprodução/Instagram)

Durante sua carreira internacional, a atleta também encontrou situações de preconceito por sua cor negra e por ser brasileira, que, segundo ela, muitos "lá fora" enxergam apenas como o País do futebol e samba. "Eu sempre busquei pensar positivo e não deixar que as pessoas destruíssem meu sonho. Sempre busquei lutar e defender meu País e meus objetivos. Nós brasileiras mostramos que somos de respeito e somos atletas guerreiras, que lutamos para chegar ao topo do pódio", diz. 

"Quando eu saio na minha bike é uma terapia para mim, principalmente quando estou cansada mentalmente. É como se tirasse um peso do meu corpo. O ciclismo é um esporte que todos deveriam praticar", completa. 

Títulos
Campeã brasileira 13 vezes, 3 olímpiadas, eleita melhor atleta do ano pelo Comitê Olímpico Brasileiro por 3 vezes, campeã mundial na Coréia – ouro e prata, tricampeã na Copa América e bicampeã na Copa da República, além de várias medalhas em jogos pan-americano, 13 mundiais, 7 Giro d'Itália e 6 Tour de France.

Laís Nunes (Wrestling)
(Barro Alto)

De Barro Alto, Laís Nunes teve seu primeiro contato com o esporte quando ela tinha 12 anos em um projeto social na cidade onde nasceu. O treino, que inicialmente seria de judô, passou a ser de luta olímpica por conta dos altos custos do judô.

"Eu fui campeã no campeonato brasileiro de Wrestling e comecei a participar de um projeto em Brasília, quando entrei para seleção brasileira, em 2008, e estou  até hoje".


(Foto: Divulgação)

Laís, que atualmente mora em São José dos Campos, se formou em Administração e é atleta de Wrestling. Ela detalha as dificuldades e os preconceitos que passou pela sua escolha no esporte.

"Senti o preconceito maior inicialmente, por ser de uma cidade pequena, principalmente, as pessoas diziam que luta não era para mulher, que ia ficar parecendo homem. Nunca fui de me importar e minha família sempre me apoiou. Mas acho que as mulheres estão ganhando muito espaço e já dominaram esportes de combate", avalia. 


(Foto: Divulgação)

"Vi como uma oportunidade para alguém que veio do interior, de origem humilde, para poder ter uma formação, ajudar a minha família. Isso se tornou um sonho e o esporte proporcionou isso para mim. Desde sempre atuei no esporte como profissão", acrescenta ao falar do orgulho que sente de lutar. 


Títulos
Atleta Olímpica 
Seleção Brasileira de Wrestling 
Tetracampeã Pan-Americana 
Campeã dos Jogos Sul-Americanos 2018 
Bronze nos jogos Pan-Americanos 2019
Tricampeã Sul-Americana
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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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