A Redação
Goiânia –
Aproximadamente 5 milhões de brasileiros sofrem de insuficiência cardíaca. Destes, 20% têm a chamada insuficiência cardíaca refratária, ou seja, não respondem as medicações. Para estes, o tratamento adequado é o transplante cardíaco ou o coração artificial. Para discutir e compartilhar atualizações sobre este e outros problemas relacionados a insuficiência cardíaca, bem como sobre soluções para a doença, especialistas e profissionais de saúde participam até este sábado (30/6) do 17º Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, em Goiânia.
A insuficiência cardíaca é uma condição na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender `as necessidades do corpo. Em alguns casos, o coração não pode encher de sangue suficientemente e, em outros casos, o coração não pode bombear sangue para o resto do corpo com força suficiente. Algumas pessoas têm os dois problemas.
A médica Ludhmila Abrahão Hajjar, médica que comanda a UTI cardiológica e a Unidade Avançada de Insuficiência Cardíaca do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, que apresentou no Congresso avanços a respeito da terapia de implantação de coração artificial em pacientes que apresentam insuficiência cardíaca refratária, afirma que há muito mais pacientes necessitando desta terapia avançada do que está disponível. Mas há sinais de esperança. De acordo com as evidências científicas e os dados apresentados por ela, a terapia acumula casos de sucesso em países como os Estados Unidos, com índices de sobrevida na casa de 85%, e o mesmo pode acontecer no Brasil, desde que haja acesso dos pacientes a esta terapia. "É possível colocar estes pacientes de novo com a possibilidade de sobrevida adequada, desde que nós levemos a eles a possibilidade de receber o coração artificial", pondera.
Esta tecnologia hoje não está disponível pelo Sistema Único de Saúde – SUS. Entretanto, Ludhmila divulgou durante simpósio do Congresso um projeto pioneiro do Hospital Sírio-Libanês, denominado "Coração Novo", que torna possível a disponibilidade de coração artificial para pacientes do SUS. O projeto acontece em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde – PROADI-SUS, que contempla hospitais de excelência no Brasil de natureza filantrópica, que assumem o compromisso de investir isenções fiscais em benefício do SUS. Pela parceria, o Sírio-Libanês recebe pacientes de hospitais municipais e estaduais do Brasil que se enquadram nos critérios de indicação do projeto e realiza as implantações gratuitas de coração artificial. Além de oferecer os dispositivos e as cirurgias, o Sírio-Libanês atua na qualificação de profissionais de saúde da rede pública para o tratamento da insuficiência cardíaca refratária e transplantes.
Ludhmila, que também atuará no Hospital Sírio-Libanes de Brasília, coordenando a Unidade de Terapia Intensiva e o Pronto-atendimento no segundo semestre, quando o hospital for inaugurado, concluiu sua apresentação defendendo que mais projetos como o "Coração Novo" sejam implementados pelas autoridades governamentais para que cada vez mais pacientes possam ter acesso a terapias avançadas.