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Confiança industrial em Goiás recua e atividade encerra semestre com indicadores abaixo da linha dos 50 pontos. (Foto: Reprodução)

Confiança industrial em Goiás recua e atividade encerra semestre com indicadores abaixo da linha dos 50 pontos

Expectativas seguem acima das condições atuais, mas empresários mantêm postura cautelosa

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16.06.2026 - 21:05:08

A Redação

Goiânia – A confiança do empresário industrial goiano voltou a recuar em junho. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Goiás (ICEI Goiás), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) terça-feira (16/6), registrou 43,3 pontos, queda de 3,5 pontos em relação a maio, quando havia alcançado 46,8 pontos, melhor resultado do semestre. O indicador permanece abaixo da linha dos 50 pontos, referência que separa confiança e falta de confiança entre os empresários industriais.

Os subindicadores acompanharam o movimento de retração. Em junho, o Indicador de Condições Atuais ficou em 39,4 pontos, enquanto o Indicador de Expectativas registrou 45,2 pontos. Apesar da queda, as expectativas seguiram superiores à avaliação das condições presentes, sinalizando que os empresários ainda enxergam perspectivas mais favoráveis para os próximos meses do que aquelas observadas no ambiente atual.

O resultado consolida um primeiro semestre marcado pela cautela. Entre janeiro e junho, o ICEI Goiás oscilou entre 43,2 e 46,8 pontos, sem ultrapassar a linha de confiança em nenhum momento. A trajetória começou em 43,2 pontos em janeiro, avançou para 45,5 em fevereiro, recuou para 43,5 em março, voltou a crescer em abril e maio, antes de registrar nova queda em junho. O comportamento do indicador reflete um ambiente econômico influenciado por juros elevados, crédito mais caro e recuperação gradual da demanda doméstica.

Para o assessor econômico da Fieg, Cláudio Henrique Oliveira, os números mostram que a indústria goiana segue avaliando o cenário com prudência, apesar de manter perspectivas relativamente melhores para o futuro.

“O primeiro semestre foi marcado por oscilações, mas sem uma recuperação consistente da confiança. O empresário continua sentindo os efeitos do crédito elevado e de uma demanda que avança em ritmo moderado. Ao mesmo tempo, o fato de as expectativas permanecerem acima das condições atuais em todos os meses do semestre demonstra que ainda existe percepção de melhora à frente, embora essa recuperação dependa da evolução do cenário econômico nacional”, analisa.

Construção encerra em baixa 
A indústria da construção em Goiás também encerrou junho em terreno de desconfiança. O ICEI Construção registrou 44,1 pontos, recuando em relação aos 50,7 pontos observados em maio. Os indicadores de Condições Atuais (40,3 pontos) e Expectativas (46,0 pontos) permaneceram abaixo da linha de 50 pontos.

O comportamento do setor evidencia uma mudança importante no decorrer do semestre. Em janeiro, a construção iniciou o ano com 54,2 pontos, demonstrando confiança dos empresários. As expectativas chegaram a 55,8 pontos em fevereiro, mas os indicadores perderam força nos meses seguintes. Após uma recuperação parcial em maio, o movimento não se sustentou e junho encerrou o período novamente abaixo da linha de confiança.

Mesmo com a retração, as expectativas continuaram superiores às condições atuais, indicando que os empresários da construção mantêm visão mais positiva para os próximos meses do que aquela observada no cenário presente.

Cenário nacional
A perda de confiança observada em Goiás acompanha a tendência nacional. Segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria brasileira completou 18 meses consecutivos sem registrar confiança, mantendo o ICEI abaixo da linha dos 50 pontos.

De acordo com a CNI, o resultado reflete um ambiente econômico marcado por juros elevados, crédito restrito e desaceleração da atividade, fatores que seguem influenciando as decisões de investimento, contratação e expansão da produção industrial. O levantamento mostra ainda que a falta de confiança se dissemina por diferentes segmentos e regiões do País, reforçando o quadro de cautela observado entre os empresários.

Sobre o ICEI
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) varia de 0 a 100 pontos. Resultados acima de 50 indicam confiança dos empresários, enquanto números abaixo desse patamar revelam falta de confiança.

O indicador é composto por dois subíndices: Condições Atuais, que mede a avaliação dos empresários sobre a economia e suas empresas nos últimos seis meses; e Expectativas, que projeta a percepção para os próximos seis meses. Juntos, os indicadores funcionam como um termômetro do ambiente de negócios e ajudam a antecipar tendências da atividade industrial.

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por Michelle Rabello

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