A Redação
Goiânia – A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), inicia neste sábado (7/3), o trabalho de substituição da árvore da espécie mogno, localizado em frente à Casa da Memória, na Rua 20, no centro da capital. A operação está prevista para ser concluída neste final de semana, com finalização ao domingo (8/3), conforme cronograma definido em conjunto com a Justiça Federal – Seção Judiciária de Goiás, responsável pelo imóvel. Mas as equipes operacionais da Comurg não descartam a possibilidade de que o serviço tenha de se estender para data futura.
O parecer da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), que acompanha a espécie com laudos de 2021 e do ano passado foi corroborado por laudo da Agência Municipal do Meio Ambiente de Goiânia (Amma) para a intervenção. Nos dois laudos os técnicos apontaram comprometimento estrutural da árvore, com risco iminente de queda. O exemplar, plantado em 1958, apresenta inclinação progressiva, cavidades internas, galhos mortos e redução da resistência da madeira, segundo os pareceres anexados ao processo administrativo. “Consideramos que a melhor opção, levando em conta o risco de queda da árvore e também de galhos, é a retirada do indivíduo. Essa opção baseia-se, principalmente, no risco que a população vizinha e transeuntes está submetida”, concluiu a UFG em abril de 2025.
O trabalho deve envolver 50 profissionais da Comurg, entre Gerência de Poda e Extirpação, Gerência de Transportes, responsável pela remoção de massa verde e o trabalho preventivo in loco do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt). O Núcleo de Administração e Serviços Gerais da Justiça Federal também dá apoio logístico, com fornecimento de dois guindastes em apoio aos equipamentos da Comurg.
A operação inclui isolamento da área. A concessionária de energia também foi comunicada para adoção das medidas preventivas necessárias em segurança aos trabalhadores da Comurg. A Secretaria de Engenharia de Trânsito (Set) dará apoio operacional à retirada da árvore com interdição temporária da Rua 20, durante a execução dos serviços. No período de bloqueio, o fluxo de veículos será desviado para a Rua 14, com acesso local permitido apenas aos moradores da região. Antes do início dos serviços, houve comunicação antecipada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em razão de o prédio estar em área tombada como patrimônio histórico.
A ação integra um plano de substituição arbórea da capital. Como medida compensatória, serão plantadas 50 mudas de espécies nativas do Cerrado em áreas de Goiânia, conforme indicação técnica da Amma. Parte do tronco, com um metro linear, será destinada à UFG para finalidade institucional e outro um metro e meio linear será destinado à Justiça Federal. O material remanescente foi destinado pela Justiça Federal para a Comurg.
Lembrança
A família do imigrante polonês Boleslaw Daroszewski, um dos pioneiros de Goiânia, responsável pela doação da árvore, solicitou formalmente à Comurg um pedaço do tronco e a presidência da empresa decidiu favoravelmente à cessão de um metro linear do tronco. O restante do material, deve ser destinado, parte à marcenaria da companhia, para avaliação e possível elaboração de mobiliário público e utilização da sociedade e outra parte deve ser triturada e encaminhada para compostagem com destinação final às praças e canteiros centrais.
A árvore está localizada em frente à Casa da Memória, espaço que funciona nas dependências da Justiça Federal e mantém acervo documental e exposições em parceria com a UFG. O imóvel, construído na década de 1930, já sediou o Palácio Provisório do Governo de Goiás, a antiga Faculdade de Direito e a primeira Reitoria da Universidade. O prédio integra o conjunto arquitetônico tradicional do Setor Central de Goiânia.
A Comurg reforça que a medida busca preservar a segurança de pedestres, servidores e do patrimônio histórico e cumpre rigorosamente as determinações técnicas dos órgãos ambientais. O plantio das novas mudas reafirma o compromisso com a arborização urbana e com a valorização das espécies nativas do Cerrado.
