A Redação
Goiânia – A Operação Pacto Oculto deflagrada, nesta quinta-feira (21/5), pela Polícia Civil de Goiás sobre irregularidades em processos administrativos de gestões anteriores, no âmbito da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), tem relação direta com apurações internas conduzidas pela atual gestão. Por determinação do prefeito Sandro Mabel, a companhia reuniu evidências e formalizou o encaminhamento de documentos à Polícia Civil de Goiás (PCGO), ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) e à Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Goiás (OAB-GO).
O movimento faz parte de uma política de controle interno, fiscalização e transparência adotada desde o início da atual administração. Segundo a companhia, ao revisar procedimentos administrativos de gestões anteriores, foram identificados indícios de irregularidades que incluem pagamentos indevidos, valores desproporcionais, tramitações à margem dos fluxos formais e até supressão de registros físicos e digitais. Até o momento, foram instauradas 39 apurações internas, das quais 30 já foram concluídas.
No campo disciplinar, a Comurg abriu Processos Administrativos Disciplinares (PADs), que resultaram na demissão de 11 empregados após a comprovação de irregularidades de conduta. Uma auditoria na companhia apontou indícios de supersalários e de possíveis irregularidades na folha.
Houve ainda um esforço para que registros suprimidos fossem recuperados após rastreamentos feitos por equipes técnicas da própria Comurg. Quadro que sugere não apenas desorganização administrativa, mas possível tentativa de ocultação de práticas ilícitas como a existência de funcionários fantasmas, rachadinhas, supersalários e pagamentos sem respaldo regular nos trâmites administrativos.
Operação Pacto Oculto
A Operação Pacto Oculto foi deflagrada com o objetivo de cumprir 55 mandados judiciais em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Trindade, sendo 19 de busca e apreensão, 3 de prisão temporária, 16 afastamentos das funções públicas e 17 quebras de sigilos bancário e fiscal, além do sequestro de bens e valores no montante de R$ 3,5 milhões.
A investigação tem por objeto a apuração de crimes contra a administração pública em um esquema criminoso que teria realizado 35 acordos extrajudiciais no valor total de aproximadamente R$ 13 milhões. Sendo esses praticados no âmbito da celebração de acordos extrajudiciais entre empregados e a Comurg entre os anos de 2022 e 2024. As ações teriam contado com o apoio de servidores dos setores jurídico e protocolo, os quais, por meio de um pacto oculto, cobravam o repasse de 60% do valor pago ao empregado beneficiado.
Relembre
Em nota, a Comurg afirmou que colabora integralmente com todos os órgãos de investigação, fiscalização e controle. A companhia lembra que, em fevereiro de 2025, afastou 34 servidores após indícios que diversos acordos celebrados e pagos “em prazos exíguos e valores apartados da realidade”. Na época, a nova assessoria jurídica da empresa apontou que tais processos administrativos e de pagamentos precisavam ser reanalisados para verificar possíveis irregularidades.
A apuração indicou que parte desses pagamentos superfaturados teriam sido desviados para pessoas ligadas ao grupo que comandava a empresa anteriormente. Durante a apuração, a Comurg identificou o desaparecimento de registros processuais internos, tanto físicos quanto digitais. A localização desses documentos foi possível por meio de rastros e anotações que levaram à identificação de comprovantes de pagamento e registros fora dos padrões habituais.
