Sarah Mohn
Goiânia – A concorrência no setor privado pelo controle acionário da Celg D, cujas ações podem ir à venda neste ano, deverá ser acirrada. Pelo menos quatro empresas estão de olho nas ações da distribuidora da Eletrobras, segundo reportagem da edição desta quarta-feira (16/6) do jornal Valor Econômico. Os grupos Equatorial, CPFL, Copel e Elektro, embora não confirmem a intenção, devem estar na disputa pela estatal goiana, aponta a reportagem.
Além da empresa pública goiana, as concessionárias do Piauí e Alagoas também terão parte de seus ativos colocados à venda. Ao todo, sete empresas do chamado sistema Eletrobras terão suas ações colocadas em disputa. Para consultores ouvidos pela reportagem do Valor, a Celg D é considerada a “joia da coroa”. Ou seja, é a empresa de maior interesse da iniciativa privada, por estar próxima de outras diversas concessões.
Embora em meio a processo de privatização, o valor patrimonial da empresa ganhou reforço com a concessão da Celg D por mais 30 anos, a partir do último dia 3 de junho, autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A investida aumentou o valor de mercado da empresa.
Além disso, as medidas implantadas pelo governo estadual para alcançar o saneamento das contas da estatal e conclusão da federalização da empresa, iniciada em 2011 e concluída nos primeiros meses deste ano, contribuíram para a valorização da Celg no mercado.
A concessão, que venceria em 2015, foi prorrogada até 2045. O governador Marconi Perillo comentou, à época, que “a prorrogação da concessão foi um passo muito importante para a valorização da empresa” e que “esta foi uma importante vitória”.
O decreto de prorrogação, assinado pela presidente Dilma Rousseff, diz que a renovação da concessão da empresa pública tem como objetivo “atender os critérios de eficiência com relação à qualidade do serviço prestado, a eficiência com relação a gestão econômico-financeira e a modicidade tarifária”.
Antes da prorrogação, o governo federal já havia decidido incluir a Celg D no pacote de privatizações do setor elétrico, formado por distribuidoras de energia federalizadas nos últimos anos. O processo de federalização da Celg foi concluído em março deste ano. Pelo acordo, o governo federal, por meio da Eletrobras, passou a ser o acionista majoritário, com 51% das ações.
Tanto o governo federal, via Ministério da Fazenda, como o estadual, esperam que a venda seja rápida para levantar caixa ao ajuste fiscal da União e do Estado, respectivamente. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quer usar a receita da privatização da estatal goiana no pacote de ajuste fiscal do governo federal.