A Redação
Goiânia – Na viagem de retorno da missão das Nações Unidas (ONU) na Suíça, a cadeira de rodas de Mara Gabrilli (PSDB), vice na chapa de Simone Tebet (MDB), foi danificada pela companhia aérea. “No dia em que completo 28 anos do acidente que me deixou tetraplégica, passei por mais um desrespeito”, escreveu a candidata em relato divulgado neste domingo (21/8) em suas redes sociais.
Segundo seu depoimento, Gabrilli ficou cerca de 1h30 dentro da aeronave no momento do desembargue enquanto a companhia tentava localizar sua cadeira. Funcionários da empresa teriam pressionado a candidata para que ela desembarcasse para não causar inconvenientes a outros passageiros, “como se eu valesse nada”.
“Estava na ONU representando o meu país na defesa dos direitos humanos. Me entristece saber que todos os dias as pessoas com deficiência são desrespeitadas. A cadeira de rodas é uma extensão do nosso corpo. Sem ela não me locomovo. E com ela quebrada, meu corpo também fica”, finaliza. As empresas mencionadas por Gabrilli ainda não se manifestaram sobre o ocorrido.
Leia o relato completo:
No dia em que completo 28 anos do acidente que me deixou tetraplégica, passei por mais um desrespeito.
O perrengue aconteceu neste domingo (21) no voo entre Genebra e Zurique quando voltava da missão na ONU. Ao chegar em Zurique não achavam minha cadeira de rodas, mas pediram para que eu deixasse a aeronave imediatamente.
Ao me negar a sair, me acusaram de atrapalhar o embarque de outros passageiros que “precisavam ir pra casa" como se eu valesse nada e não quisesse o mesmo.
Após aguardar por mais de 1h30 dentro do avião, encontraram a cadeira mais danificada – pois já tinham quebrado na viagem de ida.
Cinco meses atrás já tinham dado perda total em uma cadeira minha (esse foi o laudo da fabricante) quando tive que passar um mês em missão na ONU com a cadeira quebrada.
Ao voltar para o Brasil, fiquei meses arcando com fisioterapia para resolver os danos no meu corpo. Desde então, tento contato com as companhias Swiss Air Lines e Lufthansa.
Desta vez, ao conseguir chegar em São Paulo, recebi recado da companhia aérea de que não sabiam em que lugar da Europa estava a cadeira de rodas, mas que não tinha vindo para o Brasil. Pediram que saísse da aeronave pois a empresa me emprestaria uma cadeira comum de transporte até a porta do aeroporto.
Depois de muito cobrar sobre o paradeiro da minha cadeira, o comandante da aeronave desmentiu a funcionária que havia passado a informação errada. Se não insistisse, voltaria pra casa sem a cadeira.
Essa é uma realidade vivida por inúmeras pessoas com deficiência. Recebo casos assim todos os dias e cobramos as empresas. Aqui não falo por mim, falo por todos. Já quebraram muitas cadeiras de rodas, já teimaram em carregar muita gente no colo por não pousarem no finger ou por não terem o ambulift.
Estava na ONU representando o meu país na defesa dos direitos humanos. Me entristece saber que todos os dias as pessoas com deficiência são desrespeitadas. A cadeira de rodas é uma extensão do nosso corpo. Sem ela não me locomovo. E com ela quebrada, meu corpo também fica.
Simone Tebet e eu seguiremos trabalhando por um Brasil que respeite as pessoas e seus direitos, sejam elas pessoas com deficiência ou não.