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Como lidar com a falta de apetite na terceira idade

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01.08.2016 - 17:27:50
A Redação

Goiânia – Ter uma dieta equilibrada é fundamental em todas as etapas da vida – é dos alimentos que o organismo obtém a energia necessária para seu funcionamento pleno. Porém, com o decorrer dos anos, nosso corpo passa por mudanças significativas que influenciam diretamente sob a qualidade da alimentação: com o envelhecimento, diversos fatores podem limitar e até mesmo dificultar a oferta adequada de nutrientes.

A ausência de apetite é uma das questões que mais preocupam – a inapetência na terceira idade pode prejudicar a saúde numa fase em que, por natureza, já se inspira maiores cuidados. As razões para este problema podem ser múltiplas, porém, em todos os casos, buscar alternativas e redobrar a atenção com a dieta são medidas essenciais para evitar a desnutrição e garantir mais qualidade de vida ao idoso.

 
Mudanças fisiológicas x nutrição
Muitas vezes, a perda de apetite é decorrente de alterações próprias do envelhecimento: a redução do olfato, paladar e até mesmo tato podem diminuir o interesse pelo alimento. É natural que o idoso enfrente problemas na dentição, tornando a deglutição mais dificultosa. Com o passar dos anos, o sistema digestivo também fica mais sensível – alimentos que antes eram ingeridos com frequência passam a causar certo desconforto durante a digestão. Todos esses fatores podem afetar significativamente a relação do idoso com a comida: diante de tantas dificuldades, muitos passam a evitar determinados alimentos e cortam, deliberadamente, importantes itens da dieta.
 
Ainda que alguns sinais sejam comuns do avanço da idade, é primordial ficar atento às mudanças do organismo para que se evite maiores complicações. Quando essas alterações passam a impactar o desejo pelo alimento é hora de ficar alerta: nesta fase o corpo já requer um aporte nutricional maior e mais qualificado. De acordo com a nutricionista Jéssica Freitas da Nova Nutrii, especializada em nutrição clínica, “Muitos idosos já convivem com situações de saúde que restringem sua oferta de alimentos, logo, a inapetência dificulta ainda mais o aporte nutricional adequado. Como nessa fase já existe uma perda natural de massa muscular, os impactos da alimentação insuficiente podem ser ainda maiores", explica.
 
Por serem mais propensos à problemas nutricionais, a falta de apetite em idosos é também uma questão de saúde. Especialmente porque outros fatores também podem estar relacionados ao distúrbio: baixa hormonal, alterações metabólicas, tratamentos específicos e até mesmo problemas psicológicos podem estar por trás da inapetência.
 
Buscando alternativas
A nutrição adequada é indispensável em todas as faixas etárias: precisamos diariamente da oferta de carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas e água. Esses nutrientes são essenciais para o bom funcionamento do organismo e a manutenção da saúde. Cada um desses grupos possui características fundamentais e complementares, sendo que a falta de qualquer um deles pode afetar significativamente a saúde. Idosos, em especial, costumam restringir a alimentação à refeições de fácil deglutição – muitas vezes recorrem à purês e sopas quando a dificuldade de mastigação é acentuada.

Com a redução da diversidade no cardápio muitos podem perder o interesse pelas refeições e, gradativamente, passam a ingerir cada vez menos alimentos. Além disso, existem situações nas quais o idoso está em tratamento específico, que exclui um grupo de alimentos da sua dieta. Nesses casos, como agir para que a falta de apetite não prejudique a nutrição? A princípio é extremamente recomendável que assim os primeiros sinais de dificuldades na alimentação sejam notados, um profissional de saúde seja consultado afim de investigar a causa do distúrbio. Da mesma forma, ao perceber alterações significativas no apetite, é fundamental consultar um nutricionista antes de fazer alterações deliberadas na dieta, somente ele será capaz de avaliar o estado nutricional do paciente e orientá-lo adequadamente.

 
Porém, algumas medidas simples podem ser tomadas para enfrentar o problema. De acordo com a especialista Jéssica Freitas, a primeira coisa a ser feita é avaliar a qualidade dos hábitos alimentares. “Alimentar-se bem não significa comer muito, mas comer adequadamente. É essencial que o idoso cultive o hábito de alimentar-se de 3 em 3 horas, tanto para garantir a oferta constante de energia quanto para facilitar a ingestão nutricional ao longo do dia. Dessa forma, é possível diversificar o aporte nutricional em pequenas porções”.
 
Outro ponto é trabalhar a diversidade desse cardápio – buscar alternativas para alimentos que agradem o paladar: “A refeição tem que ser prazerosa, logo repetir um único alimento, além de monótono, torna-se enjoativo. Com o tempo, o prazer de apreciá-lo não será o mesmo. Diversificar as preparações também é fundamental para estimular os sentidos: ainda que o paladar esteja prejudicado, é possível estimular o olfato e vice-versa. O visual também influencia significativamente sobre o apetite”. 
 
Dicas
– Fique atento aos sinais: ter menos apetite ocasionalmente é normal, porém, se a situação se tornar corriqueira, procure um médico;
– Próteses mal adaptadas e problemas dentários podem afetar a deglutição e causar desconfortos que desestimulem a alimentação. É importante observar esses sinais e consultar-se regularmente com um dentista para evitar essas situações;
– Variar o cardápio é essencial para estimular os sentidos: se o paladar está reduzido, aposte no aroma e visual da preparação para compensar essa perda. Em todos os casos é possível explorar o melhor dos alimentos para instigar o apetite;
– A oferta de pratos coloridos, além da maior diversidade de nutrientes também melhoram aceitação;
– Certos tratamentos e medicações podem causar a inapetência como efeito colateral, relate o ocorrido ao seu médico e jamais faça automedicação;
– Incentivar o convívio familiar e social é essencial para que a refeição do idoso seja mais prazerosa, evite o isolamento e esteja atento à sinais de tristeza e depressão;
– Adeque a dieta: opte por alimentos palatáveis de fácil consumo. Aposte na variação de sopas, purês e vitaminas para facilitar a ingestão. Consulte um nutricionista, ele será capaz de auxiliar na elaboração de um cardápio nutritivo e variado. Além disso, irá avaliar a necessidade de suplementação nutricional para complementar a dieta.
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por Kamylla Rodrigues

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