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Com pressão em frigoríficos, Ibovespa inicia ano em baixa de 0,36%, a 160,5 mil. (Foto: Repropdução)

Com pressão em frigoríficos, Ibovespa inicia ano em baixa de 0,36%, a 160,5 mil

Confira análise do cenário

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02.01.2026 - 21:11:44

São Paulo – Após um ganho de 34% ao longo de 2025 – o maior para o Ibovespa desde 2016 -, a virada de ano para a Bolsa brasileira foi de acomodação, motivada em especial por uma má notícia para os frigoríficos que exportam para a China: a imposição de cotas à carne bovina. Dessa forma, com Minerva (-6,77%, pela maior exposição da empresa à China) na ponta perdedora, o índice fechou em baixa de 0,36%, aos 160.538,69 pontos. Da mínima à máxima desta sexta-feira (2/1), oscilou dos 160.059,14 até os 161.956,56 pontos, tendo saído de abertura aos 161.124,36.

Ao fim, o giro financeiro ficou em R$ 24,0 bilhões, considerado bom para uma primeira sessão espremida entre o feriado de Ano Novo e o fim de semana. Além dos frigoríficos, o dia foi negativo para carros-chefes da Bolsa como Petrobras (ON -0,83%, PN -0,36%) e para parte do setor financeiro, o de maior peso no Ibovespa, com variações entre -1,09% (BB ON) e +0,26% (Bradesco ON) no fechamento entre os maiores bancos, após uma abertura positiva para o segmento.

Principal ação do Ibovespa, Vale ON oscilou ao longo do dia, mas fechou em alta de 0,58%, contribuindo para mitigar o ajuste do índice. Na ponta ganhadora do Ibovespa, Pão de Açúcar (+4,21%), SLC Agrícola (+3,67%) e CVC (+1,85%). No lado oposto, além de Minerva, destaque para Cyrela (-3,77%), Direcional (-3,47%) e Natura (-3,36%).

“O início de ano foi marcado por quedas mais intensas das empresas de frigoríficos, em reação ao que foi decidido pela China, da cota de 1 milhão e 100 mil toneladas para a carne brasileira. O Ministério do Comércio Exterior já mostrou que o Brasil mandou, até novembro, 1 milhão e 500 mil toneladas”, diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. Uma “notícia ruim” nesta virada de ano, observa Cruz, pelo peso que o país asiático tem como parceiro comercial do Brasil, e maior destino para as exportações brasileiras em geral, apesar de alguma redistribuição ser possível, inclusive para mercados emergentes, ressalta.

Segundo ele, a pressão observada, em especial, nas ações de Minerva decorre de a empresa ser a maior exportadora de proteína animal para o país asiático. “A China é extremamente próxima ao Brasil, e o governo já disse que vai tentar colocar o que foi enviado; o que está em trânsito, não entra nas cotas”, acrescenta.

Caso Master

Outro assunto acompanhado de perto pelo mercado nesta abertura de ano são os desdobramentos em torno do caso Master. Ainda que justificada como um movimento técnico, a inspeção em documentos referentes ao Master em poder do Banco Central pelo Tribunal de Contas da União (TCU) causou desconforto nos bancos, em um momento em que tem crescido a defesa da decisão de liquidação pelo regulador da instituição de Daniel Vorcaro, reporta o jornalista Altamiro Silva Junior, repórter especial da Broadcast em São Paulo. Ao menos sete federações e associações de bancos e do setor financeiro já manifestaram apoio público ao BC.

Um dos maiores temores na Faria Lima é de que o ministro do TCU Jonathan de Jesus, responsável por acompanhar o caso Master dentro do órgão, possa suspender, em liminar, a liquidação do banco. O ministro deu declarações em dezembro classificando de “precipitada” a liquidação. E o envolvimento de instituições como TCU e Supremo Tribunal Federal (STF) em matéria técnica atinente às atribuições regulatórias e de fiscalização do BC causa o receio de reversão, em um caso específico envolvendo banco considerado insolvente e irrecuperável.

No quadro mais amplo, “além da reversão do sinal do fluxo estrangeiro de 2024 para 2025, de saída para ingresso líquido de um ano para outro na B3, a perspectiva para 2026 se mantém positiva com a visão de que os juros irão cair no ano, eleitoral. E a atenção tende a se voltar para empresas com perfil mais agressivo, após as ações defensivas, como as de bancos, terem estado entre as maiores beneficiadas pela recuperação de 34% registrada pela Bolsa brasileira em 2025”, diz Guilherme Falcão, sócio da One Investimentos.

“Nesta primeira sessão do ano novo, houve uma virada ainda pela manhã, mas o Ibovespa conseguiu segurar o nível de 160 mil pontos. Os principais ativos tiveram desempenho misto, com o impacto negativo concentrado no setor de frigoríficos, pela decisão da China sobre as cotas de carne”, acrescenta Falcão. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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