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Com prata no pódio de captação de fundos, FIDC vive círculo virtuoso de expansão

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30.11.2025 - 09:00:00

Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) caminham para fechar o ano no segundo lugar do pódio de maiores captações líquidas da indústria, com entrada de quase R$ 60 bilhões até aqui, atrás somente dos fundos de renda fixa, que ainda disparam na frente com mais de R$ 180 bilhões. Os dados mais recentes da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) também mostram que o patrimônio líquido (PL) dos FIDCs bateu os R$ 734 bilhões, impulsionado por uma combinação de novas regras e players, e maior apetite de investidores por crédito estruturado, em um círculo virtuoso que deve sustentar a continuidade do movimento, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Para Roberto Cortese, diretor regional da Apex Group para a América Latina, o ritmo recente surpreende até quem já acompanhava a expansão. Ele diz que os últimos meses foram particularmente intensos no desenvolvimento de estruturas distintas e na entrada de players menores, como companhias médias e pequenas, que passaram a enxergar nos FIDCs uma via alternativa de captação. A ampliação da base trouxe também setores variados, desde varejo a serviços pulverizados, e uma multiplicidade de tipos de FIDC que exigem cada vez mais reforço no due diligence e em processos de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos).

Cortese conta que a Apex já vinha preparando sua “fábrica de esteiras” – como gosta de chamar a automação customizada para cada tipo de fundo – antes desse boom. A explosão de estruturas multissedentes e multissacados, altamente pulverizadas, forçou adaptações nos modelos de verificação de contrapartes e no acompanhamento dos riscos, e ele aposta na tecnologia para apoiar o crescimento da classe. Porém, Cortese diz que a renda fixa ainda é a principal competidora para que o investidor olhe para um instrumento como o FIDC e este avance.

Já Cristiano Greve, head de estruturação da Integral Investimentos, observa um amadurecimento ao lado da demanda, com investidores institucionais aumentando alocações – os fundos passaram de R$ 207 bilhões para R$ 271 bilhões em um ano – enquanto o varejo de alta renda triplicou sua posição, chegando a R$ 32,6 bilhões.

“O investidor tem buscado por ativos que protejam o patrimônio e que ofereçam rentabilidade atraente, e os FIDCs se encaixam nesse perfil. Esses produtos têm estruturas com garantias, critérios mais claros de elegibilidade de recebíveis e operações que, quando estruturadas por gestoras reconhecidas pelo mercado, contam com governança muito robusta”, afirma Greve, acrescentando que, em um ambiente de juros acima de dois dígitos, a busca por instrumentos capazes de aliar retorno elevado, diversificação e garantias tende a se intensificar.

Outro vetor importante para o crescimento dos FIDCs tem sido a entrada dos grandes bancos como compradores de cotas sêniores, segundo Daniel Pegorini, presidente executivo (CEO, na sigla em inglês) da Valora Investimentos. “Quando esses players entram, você diminui o custo de capital das estruturas”, diz. Ele explica que operações como consignado, FGTS saque-aniversário e risco corporativo passaram a ter senioridades com custos antes impensáveis, o que traz mais empresas para o mercado e retroalimenta o número de operações, fortalecendo um círculo virtuoso.

Pegorini também lembra que a indústria passou por marcos importantes, como o evento Silverado em 2015, que reorganizou a responsabilidades de gestores, administradores e custodiante; e, mais recentemente, a Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que ampliou o escopo, aprimorou a governança e criou estruturas ao público em geral. A partir da 175, inclusive, a Valora apostou na transformação de alguns fundos em FIDCs, estratégia que ganhou destaque pelo benefício tributário.

Para o executivo, toda essa reorganização regulatória nos últimos anos tem sido decisiva para destravar o crescimento da classe. “O produto se mostrou muito resiliente porque suportou vários problemas”, afirma Pegorini. “Hoje, proporcionalmente, há mais problemas em balanços de companhias abertas do que nos FIDCs.”

Olhando à frente, os especialistas veem espaço para expansão em áreas ainda pouco exploradas, como legal claims, precatórios e NPLs (Non-Performing Loan), e no consignado privado – neste último, o mercado supera R$ 700 bilhões, mas apenas uma fração está securitizada via FIDCs, destaca Pegorini. Riscos regulatórios e tributários existem, sendo o debate a respeito do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) prova disso, mas são considerados “parte do jogo”.

Para os especialistas, o que se desenha mesmo é um mercado que alcançou um novo estágio de maturidade.

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por Agência Estado

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