Augusto Diniz
Goiânia – Os motoristas de Goiânia se assustaram quando viram o preço do litro da gasolina chegar a R$ 7,27 na segunda-feira (25/10) em alguns postos. O problema é que o valor pode subir a partir desta terça-feira (26/10) após anúncio da Petrobras de novo reajuste. Desta vez, a autorização foi alta de R$ 0,21 na gasolina e R$ 0,28 no diesel nas refinarias. Se for repassado apenas o valor de R$ 0,21 ao consumidor final, o litro da gasolina pode chegar a R$ 7,48 a partir de hoje na bomba. Como o reajuste impacta, por exemplo, o cálculo das alíquotas de impostos que incidem sobre os combustíveis e o valor do frete, há a possibilidade de o litro chegar a ou ultrapassar os R$ 7,50.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Martins Andrade, tudo vai depender de como cada dono de posto decidirá repassar o impacto do aumento na compra das distribuidoras para o consumidor na bomba. Na tabela de segunda-feira da Secretaria de Estado da Economia, a variação do preço do litro da gasolina ontem em Goiânia era de R$ 6,39 a R$ 7,27. Já o etanol era vendido na capital entre R$ 4,59 e R$ 5,27.
Mas o aumento no valor dos combustíveis verificado nos postos na segunda-feira ainda não tem ligação com o aumento autorizado pela Petrobras no primeiro dia útil da semana. O presidente do Sindiposto afirmou, em entrevista ao jornal A Redação, que as distribuidoras têm aplicado reajustes de forma independente dos aumentos liberados pela estatal. "Com isso, os postos têm que repassar a alta no preço do litro para a bomba. Pega todo mundo de surpresa, principalmente o consumidor", declarou Márcio Andrade.
Falta de previsão
De acordo com o presidente do Sindiposto, reajustes sem previsão ou que não são desdobramentos de aumentos autorizados pela Petrobras "deixam os donos de postos indignados". "Quando o dono do posto aumenta na bomba, todo mundo se manifesta para dizer que pode ter alguma abusividade no preço. A distribuidora pode aumentar de 20% a 30% do dia para a noite e nada acontece!", reclama.
Ainda na segunda-feira, o Sindiposto publicou uma nota na qual atribui o reajuste verificado ontem nos postos justamente às distribuidoras. "As distribuidoras justificaram o reajuste repassado aos postos como aumento no etanol e em produtos importados com preços mais altos", informou o sindicato no texto.
Leia a nota do Sindiposto na íntegra:
"O Sindiposto esclarece que os postos não estão reajustando os valores baseados no aumento anunciado hoje pela Petrobrás, válido a partir de amanhã. Não há antecipação de aumento por parte dos postos. Houve aumento nas distribuidoras na semana passada e no último final de semana, os quais estão sendo percebidos agora. As distribuidoras justificaram o reajuste repassado aos postos como aumento no etanol e em produtos importados com preços mais altos".
Antes de autorizar o reajuste de ontem nas refinarias para a gasolina e o diesel, a Petrobras informou na semana passada que não terá capacidade de atender todos os pedidos de combustível feitos para o mês de novembro no País. Como reflexo, as distribuidoras temem com a possibilidade de desabastecimento. A cadeia que abastece os postos começa a apelar para pedidos de importação, o que deve encarecer ainda mais o valor final da gasolina, do etanol e do óleo diesel no próximo mês.
Greve dos caminhoneiros
Base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), os caminhoneiros começam a demonstrar sinais mais claros de insatisfação com a política de preços da Petrobras que, desde o governo Michel Temer (MDB), passou a igualar em dólar o valor dos combustíveis no Brasil de acordo com a oscilação do barril do petróleo no mercado internacional. A categoria anunciou que fará uma greve no dia 1º de novembro.
Os caminhoneiros acusam o Palácio do Planalto de agir para beneficiar os acionistas da Petrobras. De acordo com o governo federal e a própria estatal, ainda não foram repassados todos os reajustes em dólar dos combustíveis para as refinarias.
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