São Paulo – O presidente da França, François Hollande, tornou-se hoje o primeiro presidente de seu país a visitar Cuba na história moderna, no momento em que os Estados Unidos e seus aliados ocidentais buscam normalizar os laços com esse antagonista da época da Guerra Fria. Hollande chegou a Havana para uma viagem que busca posicionar a França como um interlocutor crucial entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente cubano, Raúl Castro.
Em dezembro, os líderes cubanos e norte-americanos concordaram em trabalhar para restaurar os laços diplomáticos rompidos há mais de meio século, quando Fidel Castro tomou o poder e alinhou a ilha à União Soviética. "Após o que o presidente Obama decidiu, a França, junto com a Europa, pode ser um apoio nesse processo", disse Hollande ao chegar a Havana, horas antes de se reunir com Raúl Castro.
A França também busca aproveitar as oportunidades comerciais que devem surgir, conforme os EUA afrouxam o embargo à ilha. Vários graduados executivos franceses, de empresas como o grupo hoteleiro Accor e da fabricante de bebidas Pernod Ricard, acompanham Hollande na viagem.
O setor turístico cubano começou a se abrir ao investimento estrangeiro há décadas. Se o embargo dos EUA for encerrado, companhias como a Pernot Ricard têm muito a ganhar. A companhia poderia vender o rum cubano Havana Club no mercado dos EUA, que representa quase 40% das vendas globais dessa bebida. A Pernod Ricard é desde 1993 a responsável pela distribuição global do Havana Club, bebida feita em Cuba exportada para mais de 120 países, mas proibida nos EUA.
Na semana passada, o Tesouro americano concedeu licenças para companhias dos EUA operarem serviços de ferry para Cuba pela primeira vez em décadas. Obama também fez um recomendação formal para que o Congresso retire Cuba de uma lista de Estados que patrocinam o terrorismo.
Isso deve encorajar bancos e outras empresas a fazer negócios no mercado cubano. "Eu espero que todas as medidas que têm prejudicado o desenvolvimento de Cuba possam agora finalmente ser retiradas", disse Hollande. Na terça-feira, o líder francês deve seguir para o Haiti. Fonte: Dow Jones Newswires. (Agência Estado)