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Com gasolina em alta e mísseis em baixa, Trump exige rendição do Irã

Sob pressão, presidente americano disse que vai tornar o país "grande de novo"

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07.03.2026 - 08:45:58

São Paulo – Donald Trump exigiu nesta sexta-feira (6/3), a rendição incondicional do Irã e a escolha de um líder aceitável para suceder ao aiatolá Ali Khamenei. As declarações foram dadas em um momento de pressão sobre o presidente americano, mais suscetível ao preço da gasolina nos EUA, que não para de subir, e aos estoques de mísseis interceptadores, cada vez mais baixos.

“Não haverá acordo com o Irã, exceto a rendição incondicional! Depois disso, e da escolha de um líder aceitável, nós e nossos aliados trabalharemos para trazer o Irã de volta da beira da destruição, tornando-o maior, melhor e mais forte do que nunca. O Irã tem um grande futuro. Façam o Irã grande de novo”, escreveu Trump em sua rede social.

A postagem ocorreu após o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, dizer que alguns países iniciaram esforços de mediação para encerrar a guerra. Na quinta-feira (5/3), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista ao programa NBC Nightly News, rejeitou qualquer diálogo e disse que espera a invasão por terra dos americanos. “Não temos uma boa experiência em negociar com os EUA, especialmente com este governo. Negociamos duas vezes, no ano passado e neste ano, e no meio do caminho eles nos atacaram”, disse.

O maior obstáculo para um acordo no momento, além da falta de confiança dos iranianos, é encontrar um interlocutor no regime, que ainda não escolheu o substituto de Khamenei – embora seu filho Mujtaba seja o favorito. Trump já afirmou que a escolha é “inaceitável” e exigiu ter poder de veto sobre o nome que sair do Conselho de Especialistas, órgão de mais de 80 aiatolás.

Pressa

Tempo, porém, é coisa que Trump não tem – apesar de ele dizer que os EUA têm recursos “ilimitados” e pode travar uma guerra “para sempre”. Os preços da gasolina subiram novamente ontem: o valor médio do litro chegou a US$ 0,88 (R$ 4,61), nível mais alto desde setembro de 2024, 34 centavos de dólar mais caro (ou 11% a mais) do que quando a guerra começou, na semana passada (mais informações na pág. B10).

O preço dos combustíveis tem impacto na economia americana, afetando o custo do transporte de mercadorias, pressionando a inflação e mexendo com o humor dos americanos em um ano eleitoral – a eleição legislativa de novembro renovará a Câmara dos Deputados e um terço do Senado.

Além da pressão interna, o governo americano precisa se preocupar com outro problema diretamente ligado à capacidade de defesa das bases dos EUA no Oriente Médio e de seus aliados do Golfo Pérsico: os estoques cada vez mais baixos de mísseis interceptadores Patriot, que vêm sendo usados contra os drones Shahed do Irã.

O governo dos Emirados Árabes, por exemplo, disse ter interceptado 1.001 dos 1.072 drones iranianos lançados desde o início da guerra. A esse ritmo, o estoque do país duraria aproximadamente uma semana. No caso do Catar, a situação é mais grave e o arsenal estaria no fim em questão de dias.

Produção

Um sinal da pressa da Casa Branca foi a reunião de ontem de membros do governo com executivos das maiores empresas de defesa dos EUA para acelerar a reposição do estoque. Lockheed Martin, Raytheon, Boeing, Northrop, além de outros fornecedores, prometeram “quadruplicar” a produção, segundo Trump.

Outro problema mais difícil de resolver é a disparidade de custo. Um Patriot custa US$ 4 milhões. Ele vem sendo usado para interceptar drones iranianos de US$ 20 mil. Por isso, além de acelerar a produção, os EUA e seus aliados estão pedindo ajuda de um país improvável: a Ucrânia.

Ninguém no mundo tem tanta experiência como os ucranianos em se defender contra os drones do Irã, que vêm sendo usados pela Rússia. O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, disse ter recebido um pedido formal de ajuda dos EUA. Seu governo já está em negociações com países do Golfo para exportar interceptores que custam uma fração do sofisticado equipamento americano.

Zelenski afirmou que mais de 800 Patriots foram lançados no Oriente Médio desde o início da guerra contra drones e mísseis do Irã. “A Ucrânia nunca teve tantos mísseis interceptadores assim para repelir ataques da Rússia nos últimos quatro anos somados”, disse. (COM AGÊNCIAS INTERACIONAIS) As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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