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Com atraso, ‘A Árvore da Vida’ chega a Goiânia

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09.09.2011 - 12:04:23


Raisa Ramos

Vivendo entre lembranças e realidade, Jack segue seu caminho questionando as atitudes violentas do pai no passado. Mesmo já sendo um adulto, os traumas da infância e da educação intransigente a que foi submetido ainda o perseguem. Símbolos religiosos também incrementam as cenas do filme de Terrence Malick que, após um mês de estreia em algumas capitais do País, finalmente chega a Goiânia nesta sexta-feira (9/9). Com Sean Penn e Brad Pitt no elenco, a obra foi a grande vencedora da Palma de Ouro, prêmio máximo do prestigiado Festival de Cannes. Apesar do gabarito forte, a produção demorou para chegar por aqui e será exibida em apenas um cinema da capital. (Confira abaixo os horários das sessões)
 
A falta de espaço levanta questionamentos do público sobre a qualidade da cena cinematográfica goianiense. Que alguns filmes atrasam para estreiar nas telonas da Capital, isso todo mundo sabe, principalmente aqueles mais alternativos, provenientes de estúdios que não os hollywoodianos. Mas por que isso acontece, pouca gente sabe. 
 
O gerente administrativo dos cinemas Lumière, Neuclésio Vieira, defende-se, afirmando que, para trazer uma produção para a cidade não depende só do cinema local. As grandes responsáveis por esse tráfego são as distribuidoras, que decidem quantas cópias de determinado filme serão comercializadas e para quais cidades elas serão destinadas. "As pessoas reclamam às vezes, mas elas não entendem que as causas são externas", diz Neuclésio.
 
O lançamento das obras fora do País e a aceitação do público no exterior também são determinantes para se planejar a estreia no Brasil. Filmes que tiveram faturamento baixo, quando chegam aqui, vêm com poucas cópias. "Existe uma quantidade determinada de cópias. Quando tem poucas, lançam em cidades mais populosas primeiro, que têm público certo, para depois vir para Goiânia", explica Neuclésio. Assim, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e outras capitais saem beneficiadas e acabamos um pouco esquecidos. Para que o filme chegue aqui, alguma cópia tem que ser liberada desses lugares. Geralmente herdamos a cópia do Distrito Federal, por isso o atraso.
 
Questionamentos
A coordenadora do curso de Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG) acha que há certa subestimação do público goiano por conta das empresas. "Em Goiânia, existe público considerável para cinema, comercial ou não, que lota os festivais, as salas comerciais, enfim. Percebe-se aqui a preocupação com a formação de público crítico, com a democratização do audiovisual", analisa a coordenadora. 
 
Lisandro Nogueira, professor de cinema da Universidade Federal de Goiás (UFG), compartilha dessa mesma ideia e acha que as salas poderiam lucrar com os filmes mais alternativos. "No mercado brasileiro regulado por empresas americanas, privilegia-se a política do lucro rápido e não se pensa em ganhar mais dinheiro com filmes médios. Eles também dão retorno financeiro. Na verdade, as salas são pressionadas pelas distribuidoras", conta.

Salas
Goiânia é a sexta cidade com mais salas de cinema e a impressão que se tem é de que as distribuidoras têm uma visão atrasada da Capital. De dez anos para cá, vários festivais de cinema surgiram, cursos específicos foram criados, uma demanda foi gerada e, consequentemente, um público crítico diferenciado foi formado. As grandes empresas, como Severiano Ribeiro e Cinemark, foram procuradas pela AR, mas não quiseram comentar o assunto. No caso da Severiano Ribeiro, a pessoa responsável pela programação das salas goianienses mora bem longe daqui, em Recife. Não está, portanto, inteirada da verdadeira necessidade da cidade.
 
Pedro Vilela, aluno de Georgia na UEG, fica indignado com a situação. "Acho um absurdo. Podem justificar que é caro, que não gera lucro, mas o que parece acontecer é que quem faz a seleção do que entra ou não em cartaz é muito amador. Um filme como 'A Árvore da Vida', com elenco hollywoodiano, ganhador em Cannes, não saiu em Goiânia junto com as outras capitais. Não tem público? Duvido", desabafa. O aluno ainda lembra que, no período do Oscar deste ano, o longa '127 horas', que concorreu na categoria de Melhor Filme, também não chegou nas salas de Goiânia. "Fico me perguntando se quem seleciona está por dentro dos acontecimentos no mundo da sétima arte", questiona Pedro.
 
Como diz Lisandro, o problema não é ter filmes "blockbusters" em cartaz, mas é ter apenas isso. O ideal seria ter diversidade, filmes de todos os tipos para todos os públicos. Ultimamente, o Governo Federal tem incentivado a abertura de novas salas de cinema no País. De acordo com o professor da UFG, seria interessante pensar também em investimentos governamentais em salas de pequeno e médio porte, como é o caso do Lumière. Do jeito que está, com as distribuidoras pressionando as salas e apenas filmes comerciais entrando em cartaz, cria-se um ciclo vicioso que é difícil de ser evitado.
 
Público para filmes médios, em Goiânia, há. E não é pouco. Agora só falta as pessoas envolvidas no processo se atentarem para isso e se empenharem para mudar a situação. Cinema é arte e arte é sempre bem-vinda. Ainda mais aqui, onde parece haver uma exclusão do circuito brasileiro das mais variadas vertentes artísticas.
 
O filme "A Árvore da Vida" está em cartaz no Cinema Lumière do Shopping Bougainville, com sessões às 18h40 e 21h20. Assista abaixo ao trailer do longa:
 

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por Redacao Jornal

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