A Redação
Goiânia – No ano em que completa 16 anos de estrada, o Coletivo 22 circula em escolas e praças de Goiânia levando espetáculos e oficinas. Financiados pela lei municipal de incentivo à cultura, o projeto “Corpo, Cultura e Cidade: Coletivo 22 em Circulação” apresentará o espetáculo “Por cima do Mar eu vim” e a performance “Entre raízes, corpos e fé”.
As apresentações de “Por cima do mar eu vim” acontecem no Cepae/UFG, Colégio Colemar Natal e Silva e Colégio Francisco Dantas respectivamente nos dias 25 e 31 de agosto e 6 de setembro. Já as ruas de Goiânia receberão o espetáculo “Entre Raízes, Corpos e Fé” no dia 18 de setembro no gramado em frente à Emac/UFG – no Campus II, no dia 5 de outubro na praça da quadra de esportes do Itatiaia e no dia 07 de outubro no Bosque Passarinho, no Setor Sul.
Porta-vozes de uma criação que envolve dança contemporânea e manifestações da cultura popular brasileira, o grupo também fará oficinas com alunos de escolas públicas da capital. Entre agosto e outubro, os espetáculos circularão em três escolas públicas, além de uma praça no Itatiaia, o gramado da Emac, no campus II da UFG e Bosque Passarinho no Setor Sul. Todas as apresentações são abertas à comunidade e a entrada é gratuita.
Nas escolas, os alunos, além de espectadores de “Por cima do mar eu vim”, terão participação mais ativa no processo de circulação do Coletivo. Eles participarão de oficinas em que serão trabalhados elementos de nossa cultura como capoeira, jongo e batuque. As oficinas também vão trabalhar saberes e fazeres de parteiras, raizeiras e benzedeiras.
Para a diretora do Coletivo, Renata Lima, ter a presença deste espetáculo e oficinas nas escolas públicas de Goiânia significa destacar a importância da cultura negra e a história de mulheres negras estarem presentes nas pautas da educação brasileira. “Desde do início do projeto sentimos essa necessidade de divulgar o nosso trabalho para além dos palcos. Nosso foco maior é nos estudantes e professores”, comenta a diretora que espera que este seja um momento de troca e aprendizados.
Esta circulação ainda, para Renata, deve contribuir com a discussão e garantia da diversidade, da produção simbólica das comunidades e descentralização dos bens culturais. Ambos os espetáculos oferecerão ao público o contato com nossa ancestralidade, nossa cultura afro, nossas tradições da cultura popular brasileira além de terem a mulher como centro da obra. Por cima do mar eu vim traz aos palcos a travessia de africanos escravizados a caminho do Brasil e tem uma mulher negra do século XVII como protagonista. “A performance Entre raízes, corpos e fé, como Por cima do mar eu vim, traz para cena a força e imagem da mulher explorando a noção de ancestralidade. Mas no caso de Entre Raízes, a performance poetiza a existência e o ser feminino de parteiras, raizeiras e benzedeiras do cerrado goiano”, comenta a diretora.
O Coletivo
Os primeiros passos do grupo começam em Campinas/SP. Em seguida, o trabalho se desenvolve na capital paulistana, local que se forjou como ponto de encontro e de passagem de diferentes trajetórias. Constituem a história do grupo o curso de graduação em Dança na Unicamp, a experiência em grupos de pesquisa e performance em cultura popular brasileira e a capoeira angola.
Em 2010 o trabalho passa a ser desenvolvido em Goiânia, reunindo estudantes, músicos, professores e pesquisadores de dança, teatro e música. A reunião de pessoas com diferentes bagagens faz do trabalho do grupo uma intersecção entre teatro, dança e cultura popular. Sua trupe, composta por artistas de formações distintas, assume o desafio de dançar, tocar e cantar em cena. De lá para cá, aprovaram oito projetos por editais de lei municipal de incentivo, fundo de cultura estadual, prêmio Klauss Viana (Funarte) e Procultura.
Os espetáculos
Por cima do mar eu vim é um espetáculo cênico-musical realizado a partir do Projeto Kalunga Grande contemplado na Lei Municipal de Incentivo. O espetáculo tem como inspiração para o roteiro a travessia de africanos escravizados a caminho do Brasil e de sua permanência nesse território. O mar, na qualidade de Kalunga Grande, é utilizado como elo entre o Brasil e a Áfica bantu. De um lado a história da Rainha Nzinga Mbandi, que no século XVII reinou em territórios que hoje constituem Angola. De outro, figuras arquetípicas do imaginário e realidade cultural afro-brasileira. O espetáculo conta com direção de Renata Lima, dramaturgia e pesquisa musical do paraense radicado em São Paulo, Leandro Medina, e interpretação de Diego Amaral, Flávia Honorato, Lorena Fonte e Vinícius Bolivar.
Já Entre Raízes, Corpo e Fé é uma performance realizada por cinco mulheres, inspirada no fluxo entre o cotidiano e o ritual presente nos saberes e fazeres de mulheres do cerrado – parteiras, raizeiras e rezadeiras. O calor da fogueira no entardecer do cerrado, o chá e o som das caixas desenham os fios da tecitura de uma dramaturgia corporal que toma a poética da alteridade e o espaço de “fora”, isto é, jardins, parques e praças arborizadas como contexto.
Serviço:
Circulação do Coletivo 22 com espetáculos “Por cima do mar eu vim” e “Entre raízes, corpos e fé”
Por Cima do Mar Eu Vim – espetáculo seguido de oficina
25/8, às 7h30, no Colégio Cepae/UFG – Campus 2
31/8, às 7h30, no Colégio Estadual Colemar Natal e Silva – rua 18/A, n. 106, St. Aeroporto
6/9, às 19h30, no Colégio Estadual Francisco Maria Dantas – Alameda Córrego Fundo, Mansões Paraíso
Entre Raízes, Corpo e Fé
18/9, às 21h30, gramado em frente à EMAC/UFG – Campus 2
5/10, às 19h30, praça de quadra de esportes do Itatiaia
7/10, às 18h, Bosque Passarinho, Setor Sul – R. 118, n. 179
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