Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Referência em termos de educação de qualidade e de envolvimento de todos em cada atividade que oferecia, o Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’ oportunizou a integração de professores e alunos e que eles, unidos, desenvolvessem projetos comuns.
Na área de música, além das aulas convencionais e da manutenção de uma fanfarra para acompanhar os desfiles cívicos de que participava – posteriormente transformada numa Banda Marcial que conquistou a cidade e quem teve a chance de presenciar as suas belas apresentações –, surgiu um conjunto musical, que animou reuniões, festas e torneios no educandário.
Um desses conjuntos foi organizado pelo professor Fábio Martins, de Educação Física, que gostava de jogar basquete e era um músico nas horas vagas, tocando piano e outros instrumentos musicais, como a marimba. Em 1963, para animar a primeira e única festa em comemoração ao aniversário da professora Lígia Maria Coelho Rebelo, então diretora, ele reuniu alguns colegas do colégio e alunos que tinham talento musical para formar uma banda, que não teve nome oficial. Dentre os colegas, o bedel Mário Nunes, que tocava contrabaixo e gostava de cantar “Prelúdio pra Ninar Gente Grande”, mais conhecida como “Menino Passarinho”, sucesso de autoria e na voz de Luiz Vieira, em 1962.
Os ensaios, no horário que fosse possível para todos, eram no espaço do teatro, que ficava no pavilhão central do Colégio, e na quadra de esportes. Tudo de uma maneira muito amadora. Na época, as opções de instrumentos musicais eram reduzidas. O grupo foi formado, inicialmente, por quatro pessoas: Fábio (marimba), Joaquim Lúcio de Oliveira Filho (bateria; ele vinha de uma recente passagem pelo Rio de Janeiro, onde chegou a tocar em blocos carnavalescos, por ser menor de idade), Mário (contrabaixo e violão) e Hermes Fonseca Júnior (guitarra). A escolha foi do líder, que aproveitava para orientar cada um e, nos ensaios, ir afinando as peças e seus integrantes.
A sua primeira apresentação, com elogios de todos, foi nesse aniversário, no Goiânia Tênis Clube, que esteve lotado na comemoração. E serviu de estímulo para outras exibições, no próprio colégio e em clubes, como no Ginásio ‘Andrelino de Morais’, do Sesc, com a participação do irmão do Fábio, o Zezinho do Acordeon, que deu mais vida à performance, e do Floriano (Lico) na percussão.
Também o então aluno Lorimá Dionísio Gualberto (Mazinho), que jogava basquete com o Fábio no Goiânia Tênis Clube, tocou guitarra na banda, recordando-se de um baile realizado na quadra de esportes do colégio. Ele, inclusive, deu o tom para Mário Nunes quando cantava “Menino Passarinho”, que acatou a recomendação musical, passando a entoá-la de forma a valorizar mais a sua voz.
O grupo adotou um estilo, de música para ouvir, que o diferenciava dos conjuntos da época na cidade, como Marquinhos e Geraldo Amaral, mais direcionados para bailes dançantes. Na agenda, músicas de Roberto Carlos, que estava surgindo, e dos grupos que imitavam The Beatles, como Renato e seus Blues Caps.
Fica uma rica experiência musical, que durou em torno de dois anos, quando se exibiu no Goiânia Tênis Clube, no Clube Social de Campinas e em cidades do interior goiano, e então cada um seguiu seu roteiro.
Joaquim Lúcio, que estudou no ‘Pedro Gomes’ de 1961 até completar o ensino médio, passou em concurso para a Polícia Federal e atuou em várias cidades do país; Hermes ficou apenas dois anos no colégio, pois continuou na música, o que o levou a tomar duas bombas e ter que mudar de escola, e mais tarde formou-se em Direito, permanecendo ligado à música, acompanhando cantores e tocando em bares e restaurantes – hoje acompanha o cantor Marcelo Barra e trabalha em um estúdio musical; e Mazinho teve seu conjunto musical, “Esquema Quatro”, com excelente aceitação, e dedicou-se ao Jornalismo, onde construiu uma elogiada carreira profissional.
Fábio deu sequência às atividades no magistério, continuou com a música, destacando-se como excelente tecladista, o que igualmente ocorreu com o “seu” Mário, que ficou no colégio, em sua função, até se aposentar, e enveredou, posteriormente, para a música, que tanto apreciava.