Carla Lacerda e Théo Mariano
Goiânia – A mais recente nota econômica divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no último mês de abril, revelou que a produção industrial no país tem migrado para outros Estados fora da fronteira do Sudeste e do Sul. Os dados são do Sistema de Contas Regionais (SCR) – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram coletados entre 2008 e 2018.
A publicação mostra que, apesar do processo de desconcentração, Goiás não se aproveitou do momento e se manteve estável. O secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), José Vitti, ressalta que o período analisado se refere à antiga gestão administrativa. "Atualmente, temos grandes destaques em áreas como o agronegócio e a mineração", exemplificou.
Ainda de acordo com Vitti, o Estado tem hoje uma política de incentivos fiscais mais eficiente: o Pro-Goiás, lançado pela Secretaria Estadual da Economia no ano passado. "O governo ainda está com um olhar especial para as empresas e-commerce, uma tendência mundial", assinalou. Ele apontou também um protocolo assinado que vai levar os Correios para o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), o que facilitaria o processo de logística e distribuição de mercadorias, e negociações com o setor privado para agregar valor às matérias-primas.
Secretária de Estado da Economia, Cristiane Schmidt reforça que iniciativas no sentido da desburocratização de processos é a forma de garantir, atrelada a diversas outras políticas estatais, a vinda de mais indústrias. Ainda assim, a titular da Economia pondera que a "desindustrialização" é um processo que ocorre mundialmente, visto que o setor de serviços caminha para ser a opção predominante entre os consumidores. "O Governo de Goiás está focado em resolver problemas do contribuinte, um foco que nunca vimos antes", avaliou em entrevista ao jornal A Redação.
Como alternativas para fugir do processo de "desindustrialização", Cristiane Schmidt citou ser necessário "enxugar" a máquina estatal e investir na capacitação profissional de jovens. "Hoje, tem-se um custo Brasil muito elevado, que ainda assim não garante produtividade", explicou. "Se não enfrentarmos nossos problemas e não fizermos uma reforma tributária que retire a complexidade da tributação, seguiremos nessa problemática."
Moura ainda destacou ação inédita no Brasil, promovida pelo Governo de Goiás, que é a oferta, pelo Programa Mais Empregos, de cursos customizados gratuitamente para as demandas das empresas, desde que haja o compromisso de contratação de trabalhadores do estado. "Foi pela preocupação máxima do governador Ronaldo Caiado em manter para os goianos os empregos gerados em Goiás.”
Produção
O estudo apontou mudanças nos quatro segmentos industriais – extrativa, transformação, construção e serviços industriais de utilidade pública (Siup) -, mas sobretudo na indústria de transformação, segmento que respondeu por 57% da produção total no biênio 2017/18.
Nos últimos dez anos (2007/08- 2017/18), São Paulo perdeu participação no cenário nacional de 22 dos 24 setores que compõem a indústria de transformação, enquanto o Rio de Janeiro perdeu participação em 18 dos 24 setores.
No mesmo período e categoria, Goiás caiu no ranking, passando de 9º para o 10º lugar. No Siup, a queda foi um pouco maior, da 6ª para a 8ª posição. Já as tabelas que mostram dados da indústria total e de construção apontam o Estado na mesma situação em 2008 e 2018, o nono e o oitavo, respectivamente, entre todas as unidades federativas. A única melhora foi na indústria extrativista, em que o Estado subiu do 9º para o 8º lugar.