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Clima, sustentabilidade e negócios

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23.10.2018 - 15:13:06

Neste mês de outubro, dia 8, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, espécie de grupo consultivo da ONU, formado por cientistas, divulgou relatório a respeito dos impactos negativos da elevação da temperatura média do planeta sobre a produção de alimentos, que podem ocorrer de modo mais sério já por volta de 2040. Foi um alerta tido como severo e o tempo é relativamente curto até lá. Em contraponto, pouco se falou na campanha presidencial sobre propostas para o desenvolvimento sustentável ou adaptação às mudanças climáticas, como se não fizéssemos parte desse mundo.
 
O tratamento documental dado a esses assuntos difere entre os dois candidatos finalistas. Nas diretrizes de governo do líder do primeiro turno, praticamente não há menção aos temas e o próprio candidato já pontuou que as exigências do Acordo de Paris, firmado por 195 países em 2015 para limitar o aumento da temperatura global, terão um preço alto para o país, além de interferir em sua soberania. Por conta disso, até acenou com potencial saída do acordo, como feito por Donald Trump nos Estados Unidos. No caso do outro candidato, o programa inicial de governo tem capítulo voltado à ecologia, abordando, por exemplo, economia de baixo impacto ambiental, governança da transição ecológica e até reforma fiscal verde, entre outras abordagens, mas sem mostrar o caminho das pedras. 
 
Quando os Estados Unidos saíram do Acordo de Paris, isso causou celeuma, sobretudo pelo poderio econômico dos norte-americanos e seu papel na redução dos gases de efeito estufa ou no suporte financeiro às ações do acordo. Mas houve estados daquele país mantendo um alinhamento com as decisões de Paris e os rearranjos entre Europa e China contrabalançaram o aporte de recursos. No entanto, repetir algo semelhante no Brasil teria forte impacto entre signatários, não só pelos compromissos de mitigação assumidos por nosso país, mas principalmente pelo significado conceitual do ato, pois representaria um passo atrás, justo de uma potência ambiental, frente ao esforço planetário para atenuar os efeitos das mudanças climáticas.
 
Políticas ambientais maduras podem ter hoje, indiretamente, um viés de marketing muito positivo. A percepção de um agronegócio sustentável e conservacionista – da natureza e dos recursos – é um aspecto de percepção internacional valioso para ser trabalhado pelo Brasil e pelo nosso agro. Uma estratégia positiva de agregação de valor à marca Brasil, com potencial de abrir mercados, ampliar de nosso portfólio de comércio internacional, criar oportunidades para a venda de serviços e tecnologia de produção nos trópicos, e ainda ampliar as possibilidades do papel geopolítico do país no mundo – o que também significa atração de investimentos e mais espaço para transações comerciais no exterior.
 
Com o esperado aumento de penetração do agro brasileiro nos mercados internacionais, dentro do horizonte 2030, enfrentar o grande risco ambiental é um fator positivo e estratégico de percepção, também de aceleração de negócios, pois isso é algo que está no topo da agenda de valores de investidores e, principalmente, de consumidores do mundo todo.

*Coriolano Xavier é membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM

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por Coriolano Xavier

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