São Paulo – O candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT), segundo sabatinado na série de entrevistas do Jornal Nacional com os principais nomes na disputa ao Palácio do Planalto ao longo desta semana, disse que o processo eleitoral de 2018 está a se repetir no País. Para ele, é preciso "denunciar" as ações o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL). "A corrupção é praticada por pessoas e o desastre econômico é responsabilidade de pessoas e de grupos. Elas têm que ser responsabilizadas", disse Ciro.
Ao longo dos 40 minutos de entrevista, Para ele, a frustração com o atual chefe do Executivo, fará o País voltar ao "fracasso". Além de criticar a gestão da pandemia de Bolsonaro, o pedetista rebateu as falas do presidente sobre a ausência de corrupção no Brasil. "A corrupção no Brasil está se institucionalizando tal como é o despudor".
Bonner insistiu com Ciro sobre a dificuldade de um presidente eleito sem apoio no Congresso para aprovar medidas no Legislativo e questionou como ele pretende colocar em prática as propostas de campanha. Uma das propostas de Ciro é ampliar os plebiscitos e referendos. Renata questionou Ciro se as medidas não colocam em xeque a relação entre a Presidência e o Legislativo. "Eu vi ontem o cidadão aqui falando que não tinha corrupção. A corrupção está se institucionalizando. O mais importante é estabelecer mediação com governadores e prefeitos que têm prevalência sobre os grupos de pressão. Vou libertar 15% das receitas de SP, RJ, MG e RS, que estão falidos. Vamos combinar um grande projeto de investimento", disse.
Bonner questionou se Ciro pretende concorrer à reeleição e como isso facilitaria a relação dele com o Congresso, caso eleito. "O que destruiu a governança brasileira é a reeleição. O presidente se vende a grupos picaretas da política brasileira porque tem medo de CPI e querem se reeleger. Eu me garanto. Não sou corrupto. Não tenho medo de CPI. Abrindo mão da reeleição eu vou fazer as reformas que o Brasil precisa. Quem você escolher, é com esses que sou democraticamente obrigado a negociar. A minha diferença é que o Bolsonaro, por exemplo, denunciou isso e fez o oposto. O PT fez o tempo inteiro a denúncia da corrupção dos outros e depois negociou nas mesmas bases. O que eu prometo? Negociar sem toma-lá-dá-cá", disse.
Além dele, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro a ser ouvido, no programa da segunda-feira. Na quinta-feira, será a vez do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); a senadora Simone Tebet (MDB-MS) será a última a participar, na sexta-feira. Ciro está na terceira posição na corrida presidencial. O agregador de pesquisas eleitorais do Estadão aponta Ciro com 7% das intenções de voto. O pedetista já citou em mais de uma entrevista que essa é a última disputa presidencial que ele pretende concorrer. (Agência Estado)