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Cinco pontos que realmente interessam sobre a Celg

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29.11.2011 - 10:56:59

Parece que agora pintou realmente acordo para botar um ponto final nesse melodrama que envolve a Celg. Depois de idas e vindas, acordos e desacordos, picuinhas políticas e interesses não muito claros em jogo, aparenta que a Eletrobrás vai ficar com o controle acionário da maior empresa do estado de Goiás. Por outro lado, o governo estadual vai contar com alguns bilhões na conta para tocar seu trabalho por aqui.

 

Olhando de longe, me parece uma troca justa. Não domino as questões técnicas e acompanho esse imbróglio com o olhar cidadão, de quem não quer ser lesado mais uma vez por irresponsabilidade dos outros. Sob essa perspectiva, vamos aos pontos que realmente interessam para quem é goiano nessa história aí da Celg:

 

1- O serviço vai melhorar? Não dá mais para nós, goianos, ficarmos sem energia elétrica quando qualquer ventinho que não sobe nem pipa bate na cidade. Chega desse transtorno! É gente perdendo comida na geladeira, é gente tendo que dar banho gelado no filho em dia de chuva, é gente com problema de saúde subindo vinte andares de escada, é gente demais tendo dor de cabeça por inoperância da Celg.

 

2- Quanto vai custar na conta essa suposta melhora? Desde 2006 não temos aumento na cobrança de energia por causa da inadimplência da Celg. Já está aprovado um reajuste de 13,06%. Mas e esse passivo que ficou para trás? Esse montante vai ser cobrado e detonar ainda mais nosso combalido orçamento familiar?

 

3- Os gargalos operacionais da Celg serão resolvidos? Sabemos que a escassez energética é fator limitante do desenvolvimento de Goiás. Empresas que cogitam trabalhar por aqui colocam esse problema no chamado “custo Goiás”. E isso dificulta a chegada de novos empreendimentos no nosso estado. Para conseguir atrair os empresários, o governo é obrigado a praticar benefícios fiscais fabulosos no intuito de deixar o estado competitivo. Ou seja, uma bela bolada que não entra nos cofres públicos.

 

4- Vai acabar a farra do anúncio da Celg? Convenhamos, uma empresa que estava quebrada andava patrocinando coisas demais por aí, não? Fora questões de utilidade pública, que entendo perfeitamente o porquê da veiculação desse tipo de mídia que visa a conscientização, a Celg chegou a anunciar até mesmo em competições de automobilismo no exterior. Confesso que nunca vi lógica alguma nisso.

 

5- O dinheiro do empréstimo vai ser usado com responsabilidade e parcimônia? Por que se for para daqui poucos anos termos de conviver com novas manchetes de endividamento e dificuldades financeiras na Celg, cá entre nós, é melhor que esses bilhões de agora nem sejam depositados nas contas da estatal.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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