Carla Lacerda
Goiânia –
Uma tribo, um arraial, uma vila; uma capitania no interior do Brasil que surge no mapa a partir da expedição de bandeirantes atrás de pedras preciosas. Entre serras douradas, encontram o “ouro vermelho”, o Rio Vermelho. Quase três séculos depois, a cidade de Goiás guarda ainda inúmeros tesouros. Estes não foram surrupiados; aliás, contribuíram para fazer da antiga capital do Estado Patrimônio Cultural Mundial. O título foi concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) há quase 20 anos, em 14 de dezembro de 2001.Enquanto realidade ainda não era, a prece entrecortava o dia a dia desse pré-escoteiro vilaboense, que levava turistas para visitar a Casa Velha da Ponte, como definiu a proprietária da mesma, a poetisa Cora Coralina. Leonardo também frequentava o Grupo Escolar Manoel Caiado, que veio a ser, mais tarde, o Palácio da Instrução, primeira sede da Secretaria de Educação no Estado.

Palácio da Instrução, hoje revitalizado, já abrigou grupo escolar (Foto: Ivy Brant)
Cinco anos mais jovem, Manoel não era conterrâneo de Leonardo. Nascido na capital fundada por Pedro Ludovico, mas não combatente do que é tradicional ou histórico. Antes dos 10 anos, o goianiense acompanhava o pai, engenheiro, que realizava obras na Catedral da cidade de Goiás. Conheceu Tia Tó, na certidão Antolinda Baía Borges, no coração de muitos, símbolo de quem deixou um legado para preservar o município que já teve nome de santa.

Leonardo Rizzo (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
Entre as ações encampadas pelo Instituto Rizzo, vale destacar o patrocínio do livro “Cidade de Goiás, Patrimônio da Humanidade, Origens” (Paulo Bertran & Rui Faquini, 2009), que contribuiu para o desenvolvimento do turismo local e auxiliou na preservação e divulgação do patrimônio histórico da cidade. Isso sem falar nas inúmeras reuniões e criação de movimentos na casa do Bacalhau, que sempre contou com a participação de figuras importantes do município, a exemplo de Brasilete Caiado.
Manoel Garcia há dois anos fundou o Instituto Biapó, que fica à frente da casa de Cora Coralina, também sobre o Rio Vermelho, e que realiza diversas iniciativas em prol da cidade. Mas muito antes de oficialmente formada, essa entidade já existia de forma prática. O engenheiro é fundador da Construtora Biapó, que começou a operar em 1989 e que, em 1994, foi convidada a restaurar o Museu de Arte Sacra da Boa Morte. Desde então, o envolvimento com a antiga Vila Boa, a proximidade com Tia Tó e a promoção de eventos só cresceram, de modo a auxiliar na divulgação da cultura e na futura conquista do título concedido pela Unesco.
Homenagem
As atividades começam hoje (20/8) com a inauguração do Projeto Passo Poético, com 16 placas instaladas nas fachadas de residências centenárias da rua Dom Cândido Penso, às 17h, em frente ao Instituto Biapó e ao Museu Casa de Cora Coralina. A curadoria é de Marlene Velasco e Goiandira Ortiz e assessoria de Yúri Baiocchi e Maria Dulce Teixeira.
“Isso é ser cidadão”, diz um Rizzo hoje que não se esqueceu da oração do Lobinho e nem mesmo do apêndice que para ela criou.