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Chegamos na balada. E agora?

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08.10.2014 - 11:20:07


Goiânia – Nesses mais de 10 anos que venho tocando em baladas de tudo quanto é tipo da noite goianiense, tenho um apreço especial por abrir a noite. É um momento que lhe permite mais ousadias no set. Você pode tocar coisas mais esquisitas, mais lado B. O compromisso em fazer as pessoas dançarem é menor, quase nulo. Naquele momento, sua meta como DJ é deixar o público confortável, ir preparando o espírito geral para o conceito da festa e o que virá adiante. Pegando um conceito do humor, você faz a escada para os DJs ou bandas que tocarão na sequência. É uma grande responsabilidade, mas compensa pela diversão.

Enquanto vou escolhendo as músicas para ambientar a galera, observo as reações e expressões de quem acaba de entrar na casa noturna. Muitas vezes, pelo jeito que a pessoa pisa dentro da boate já sei o seu perfil. Se é daquelas que vai fechar a noite se jogando na pista mais que bêbada, se é dos chatos que ficarão pedindo música para o DJ, se vai querer arrumar confusão e dar trabalho aos seguranças, se é a primeira vez que está no local, sé é um habituée…

O mais divertido é aquele grupo que já chega com umas ou várias na cabeça. Com a pista ainda vazia, já vai dançando, virando doses no balcão e gargalhando. Normalmente, vêm de um aquecimento e estão comemorando uma data específica: aniversário, formatura, despedida ou retorno de algum do grupo. São divertidíssimos mas não duram até o final da noite. Desabam antes devido aos excessos etílicos.

Os que vão pela primeira vez na casa são facilmente reconhecíveis. Chegam já procurando onde fica o banheiro. Os clientes fiéis também são identificáveis de primeira. Assim que entram no local já cumprimentam seguranças, galera do bar, o DJ… O fumante entra na boate e segue direto para o espaço externo. O vício o chama rápido.

Os que estão pouco interessados no som e com foco na conquista sexual são de pronto mapeáveis. A pessoa migra de lugar na pista de dança conforme seu alvo momentâneo. Se toma um fora, os que são espertos logo arranjam uma alternativa e normalmente terminam a balada se dando bem. Constrangedor são aqueles que não entendem o significado de um não e começam um enfadonho processo de insistência.

Ver isso da cabine de discotecagem é mais irritante do que assistir jogo de seu time levando uma goleada. É mais que comum essa pessoa acabar com a noite dela mesma (pois não pega ninguém) e da vítima que foi abordada, pois essa perde a paciência para a diversão por culpa de alguém completamente sem-noção.

Já pensei em escrever um livro só dos casos absurdos que coleciono na balada. A observação da noite diz muito sobre o ser humano. Talvez um dia tire esse projeto da gaveta. Tenho certeza que será um texto divertido. Por ora, sigo olhando o que você faz na pista, enquanto dou outro gole na cerveja e escolho a próxima música.  

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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