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Celebremos os livros e os autores brasileiros

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29.10.2023 - 18:33:45

A literatura, sem dúvida, é uma das mais significativas manifestações culturais de um povo. Um grande escritor, com sua sensibilidade e talento, consegue captar as nuances mais sutis de uma sociedade e contextualizá-la num tempo e local, exercendo uma crítica perspicaz sobre o ambiente em que vive. Neste domingo (29), ao festejarmos o Dia Nacional do Livro, celebremos, também, seus criadores.
 
Alguém descreveria com mais sensibilidade a tragédia do homem nordestino que Graciliano Ramos, em seu belíssimo romance, Vidas Secas? Em que expõe a saga de pessoas vivendo e procurando sobreviver naquele ambiente inóspito, seco e paupérrimo? Ou melhor descreveria o ambiente terrível nas prisões durante o Estado Novo, como ele o fez em outro memorável romance, Memórias do Cárcere?
 
Embora circunstancialmente o destaque seja Graciliano Ramos, os romancistas nordestinos do período regionalista também penetraram fundo nas agruras da região, como José Lins do Rego.
 
Indagação similar é relativa a Jorge Amado, ao narrar a sociedade cacaueira do recôncavo baiano. Em seus romances, pulsam a sensualidade impregnada na culinária e no gingado de mulatas exuberantes.  Em suas páginas abundam os conflitos e a violência entre os coronéis nas lutas pela posse da terra. Jorge Amado mergulhou na cultura baiana e nos deixou um legado riquíssimo.
 
Mais ao sul, repetimos o questionamento: alguém se aprofundou com mais perspicácia e talento na sociedade carioca e no ambiente urbano do Rio de Janeiro que Machado de Assis? Seus romances realistas, repletos de sutilezas psicológicas, transcorrem pela rua do Ouvidor, pelo passeio público, Lapa, praia do Flamengo… pelo centro do velho Rio da segunda metade do século XIX. Que leitor mediano desconhece Dom Casmurro ou Memórias Póstumas de Brás Cubas?
 
Fiquemos nesses exemplos da capacidade narrativa e da riqueza da literatura brasileira em influenciar e tornar conhecida épocas vividas. Porém, alhures, o que dizer sobre Balzac e a sociedade parisiense do século XVIII? Sobre Eça de Queiróz e seu provinciano Portugal? De Proust, De Cervantes e de seu imortal Dom Quixote? De Tolstói e de sua monumental Guerra e Paz? E de tantos outros escritores célebres? Deve-se ressaltar que grandes obras literárias foram adaptadas às artes cênicas, e a elas devemos filmes e peças memoráveis. Cabe, portanto, à literatura esse outro riquíssimo legado.
 
E o que dizer de outros gêneros literários, como a poesia? Pois ela tem, no Brasil, figuras expressivas: João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinícius de Morais… poetas imortais de versos instigantes. Como os romances filmados, muitos poemas foram belamente musicados.
 
Enfim, a literatura é semelhante aos velhos faróis dos navegantes, que lançam suas luzes em todas as direções e iluminam as noites escuras de uma época, imortalizando-as no tempo.
 
*Aliel Paione é escritor, autor do livro Sol e Solidão em Copacabana, que faz parte da Trilogia do Sol.
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por Aliel Paione

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