A catarata é uma das doenças que mais afetam a visão dos brasileiros, principalmente a partir dos 60 anos. Ela acontece quando o cristalino, a lente natural dos olhos, fica opaco, deixando a visão embaçada, como se a pessoa estivesse olhando através de um vidro sujo.
Nos últimos dias, o assunto ganhou destaque depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por uma cirurgia de catarata. O caso ajudou a mostrar que a doença é comum, e principalmente, tem tratamento eficaz.
No começo, a catarata costuma evoluir devagar e quase não apresenta sintomas. Com o tempo, a pessoa passa a ter dificuldade para ler, dirigir, enxergar à noite ou reconhecer rostos. A sensibilidade à luz aumenta e as cores parecem mais apagadas. Muitas pessoas acreditam que isso faz parte da idade e acabam adiando a consulta com o oftalmologista.
Embora seja mais frequente com o envelhecimento, a catarata também pode surgir mais cedo, especialmente em pessoas com diabetes, que usam corticoides por longos períodos, fumantes ou quem se expõe muito ao sol sem proteção.
O único tratamento para a catarata é a cirurgia, que é considerada simples, rápida e segura. O procedimento dura poucos minutos, é feito com anestesia local e, na maioria dos casos, o paciente vai para casa no mesmo dia. A lente opaca é retirada e substituída por uma lente artificial, o que permite a recuperação da visão.
A melhora costuma ser percebida logo nos primeiros dias após a cirurgia, trazendo mais independência e qualidade de vida ao paciente. Em muitos casos, é possível até reduzir a necessidade do uso de óculos, de acordo com a orientação médica.
Manter consultas regulares com o oftalmologista é fundamental, especialmente a partir dos 40 anos. O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução da catarata e definir o melhor momento para o tratamento, evitando quedas, acidentes e prejuízos à rotina diária.
O exemplo do presidente Lula reforça um alerta importante: não é preciso conviver com a visão embaçada. Ao perceber qualquer mudança, o mais prudente é procurar um especialista. Isso faz toda a diferença.
*Humberto Borges é oftalmologista
