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Casa Verde e Amarela tem lançamentos suspensos por disparada nos custos

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04.03.2021 - 09:07:48

Brasília – O aumento nos custos dos materiais de construção está fazendo com que as empresas suspendam o lançamento de novos projetos dentro do Casa Verde e Amarela (novo nome do Minha Casa Minha Vida). Como o programa tem um teto para o preço dos imóveis, as construtoras não conseguem repassar o aumento nos custos e então preferem desistir do projeto a colocar em risco a sua lucratividade.

O segmento mais afetado é o grupo 1 (chamado antigamente de faixa 1,5), destinado a famílias mais pobres, com renda mensal de até R$ 2 mil. Esse é justamente o público que mais tem dificuldade de conseguir a moradia sem subsídios no financiamento. "Hoje, fazer um produto no grupo 1 é quase inviável", relata o presidente da Direcional Engenharia, Ricardo Ribeiro. "Tem vários projetos que não fazem mais sentido. O incremento dos custos inviabilizou muitos deles".

Para contornar o problema, a Direcional está redesenhando os empreendimentos do grupo 1 para se enquadrarem no grupo 2, que atende famílias cuja renda mensal vai de R$ 2 mil a R$ 4 mil e, consequentemente, permite um valor de imóveis mais alto. "Com esses ajustes, mantemos a mesma previsão de lançamentos para o ano", afirma Ribeiro. "Mas as pessoas com renda mais baixa acabam ficando de fora do mercado imobiliário", pondera.

A Plano & Plano também já iniciou a migração dos empreendimentos do grupo 1 para as faixas superiores. Mas espera redução na velocidade de vendas, já que as unidades de menor valor giram mais rápido. "Está praticamente inviável produzir imóveis para famílias com renda de até três salários mínimos. É muito preocupante", ressalta o sócio e presidente do conselho da Plano & Plano, Rodrigo Luna.

Em 12 meses, encerrados em fevereiro, o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) subiu 10,2%. Parte desse aumento provém da desvalorização do real frente ao dólar, o que encarece insumos importados, como metais e resinas usados na produção de materiais. Nos últimos meses, a indústria teve a produção paralisada pela pandemia, o que gerou gargalos para o abastecimento. Mas a expectativa das construtoras era de que esses efeitos já tivessem sido amenizados no começo deste ano, o que não aconteceu.

Obras em andamento
O superaquecimento dos custos afeta também as margens de rentabilidade das empresas no caso de unidades do Casa Verde e Amarela já vendidas. Isso acontece porque no mercado de baixa renda não há correção das parcelas dos clientes pelo INCC, pois o cliente é encaminhado para o financiamento bancário logo após fechar o contrato com a construtora. Fora do Casa Verde e Amarela, a solução das empresas tem sido repassar os ajustes para o preço final dos imóveis. Aí, sim, os contratos são corrigidos pelo INCC, o que ajuda a preservar as margens.

Por outro lado, há uma preocupação do empresariado de que o reajuste expressivo onere excessivamente os mutuários e acabe por gerar incapacidade de pagamento. "Vemos um desequilíbrio entre a renda de quem comprou o apartamento e os reajustes previstos nos contratos, podendo levar à inadimplência e provocar distratos", alerta o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), Odair Senra.

Diante da disparada dos custos, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) encaminhou ao governo federal a sugestão de corte temporário do imposto de importação de insumos como forma de reequilibrar os preços. Segundo o presidente da entidade, Luiz França, o governo solicitou estudos técnicos que embasem o pedido dos empresários, o que já foi enviado. Agora devem voltar a se reunir para tentar avançar nas conversas. "O setor tem preocupação com a alta nos valores dos insumos. E o governo está atento à importância do setor como gerador de emprego", relata França.

"Os aumentos não podem continuar. Se for assim, será necessário subir os valores dos imóveis e isso vai contrapor os efeitos benefícios do corte dos juros". Paralelamente, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também está buscando uma agenda com o governo para discutir o efeito da alta dos custos. "Vamos colocar o problema e buscar formas de minorar a situação", diz o presidente da CBIC, José Carlos Martins. (Agência Estado)

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por Raphaela Ferro

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