Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – O Café com Arte na Casa Rosada, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, abre nesta sexta-feira, dia 10, às 9h, a Exposição ‘Pincéis, Pena e Corações – Mãe e filha de mãos dadas com a arte”, reunindo trabalhos das artistas Dagmar Teixeira França e Sônia Marise Teixeira Silva de Souza Campos.
A originalidade e a criatividade das obras de Dag França emocionam os públicos mais diversos. No Brasil, suas telas espalhadas por vários Estados e expostas no Museu Internacional de Arte Naïf, no Rio de Janeiro, mantêm vivos os hábitos, costumes e o folclore do interior do País, aproximando os brasileiros de suas origens.
Sônia Marise tem habilidades na oratória e interpretação, ferramentas que utiliza, sobretudo, na concepção de personagens diversos, destinados ou não ao universo infantil. Concilia a literatura com a música, tendo produzido e gravado um trabalho musical solo, não comercial, para treinamento de língua italiana, idioma adotado pelo Coro Italiano Toscanelli, da Associação Italiana de Goiás, do qual é integrante.

Convite para lançamento de livro (Foto do IHGG)
Sônia Marise
Segunda titular da Cadeira 4 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, desde 2024, Sônia Marise é goianiense, filha de artistas – mãe, a pintora Dag França, e pai, o músico Atinil Silva –, casada com Lázaro Campos, mãe de Paula Beatriz e Leonardo, e avó de Sophia, Gustavo, Maria Luísa e Rafael.
Completou o ensino médio em Jataí, nos Colégios Nestório Ribeiro e Nossa Senhora do Bom Conselho; graduou-se em Letras (Português, Francês e Literaturas correspondentes), pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, e em Direito pela Universidade Federal de Goiás, onde cursou especializações em Direito Civil, Direito Penal e Direito Processual relativo às duas áreas.
Atuou profissionalmente na docência de Língua Portuguesa em estabelecimentos públicos e privados e em cursos profissionalizantes de Língua Portuguesa Aplicada (Senac e Escola Técnica Federal de Goiás, programa PIPMO). Advogada, foi procuradora jurídica da então Centrais Elétricas de Goiás, atuando no contencioso cível amplo, incluindo a área de pareceres. Foi Conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Goiás, integrando comissões relativas à mulher e ao advogado empregado.
Escrevendo desde a adolescência, embora tendo seu texto reconhecido (conto e poesia), constante de coletâneas locais, muitos deles premiados, sua publicação solo só aconteceu na maturidade. Iniciou-se com a trilogia ‘Escritos do Baú’, com “Guardados”, poemas (2005), “Outros Guardados”, prosa (2012) e “Achados & Perdidos”, prosa e poesia (2016), todos pela Cânone Editorial, por onde lançou, em 2024, “Confissões de uma Caneta Sensível e Malcriada”.
Integrante da União Brasileira de Escritores, Seção de Goiás, e da Associação Goiana de Imprensa, assina artigos em jornais e outras publicações. Escreveu, produziu, dirigiu, roteirizou e fez locução de produção audiovisual contextualizada (temáticas diversas) em episódios disponibilizados em seu canal do Youtube, criado por ocasião do isolamento social severo em razão da pandemia da Covid-19.
Divide seu tempo entre Goiânia, Palmas e Gurupi, TO, estado onde a família também tem residência, terra natal de seus netos que lá residem com seus pais, veraneando sempre que possível nas praias do rio Tocantins, notadamente em sua margem esquerda; são apaixonados pela praia do Peixe, local que, por feliz coincidência, remete à Ana Braga, acadêmica e co-fundadora da AFLAG, patrona e titular da cadeira nº 4.

Convite para abertura da exposição (Foto do IHGG)
Dag França
Natural de Santa Cruz de Goiás, é mãe de três filhos (Sônia Marise, casada com Lázaro, Anselmo, casado com Margaret, e Carlos, casado com Oliviane), e avó de sete netos: Fabrício, Fernanda, Paula Beatriz, Carla, Leonardo, Marcela e Maria Letícia. Bisavó encantada pelas pequenas Sophia, Maria Eduarda e Manuela. Reside em Goiânia.
É hoje um dos maiores destaques da arte naïf (primitivista) no Brasil. Iniciou sua carreira como autodidata, produzindo trabalhos com temas de natureza morta, sobretudo com hortênsias e girassóis, que são suas flores prediletas. Mais tarde frequentou o atelier do professor Eliezer Ricardo, em Goiânia.
Embora tenha cultivado a preferência pelo tema das flores por mais algum tempo, não demorou a descobrir seu verdadeiro estilo. Uma frase do fundador do Museu Internacional de Arte Naïf, Lucien Filkestein, define bem a linha de atuação desses artistas. “Os naïfs são pintores sem escola, ou que têm escolas próprias”, ou seja, são os anarquistas do pincel.
Dentro da singeleza e da inovação da arte naïf, Dag França retrata o interior brasileiro, com mais ênfase ao interior de Goiás. As pequenas cidades, as fogueiras juninas, as folias de reis, as festas do Divino, procissões, cenas ingênuas do cotidiano, e todas as demais manifestações folclóricas regionais estão presentes nas telas da artista. “De maneira geral, pode-se dizer que seus quadros são capítulos de uma mesma história, que ela descreve com cores fortes, fantasia, e com um conceito de realidade que se aproxima do sonho”, disse Miguel Jorge, da Associação Brasileira de Críticos de Arte.
“Há o diálogo com a natureza com referência particular para a dimensão do campo, a fartura das fazendas, os mistérios do terreiro, do beira-rio, das embarcações. Ou, ainda, pode-se dizer da dimensionalidade buscada nas recordações dos folguedos do tempo de menina, que a pintora revive com muito carinho, como algo que não se fecha em si mesmo, mas que se abre para outras gerações e permanece”, afirma o crítico.
