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Carta a um amigo bolsonarista

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24.09.2018 - 18:12:31
 
Não, amigo! O fato de não acreditar no Bolsonaro não quer dizer que eu seja de “esquerda”.
 
Na faculdade de Jornalismo eu era chamado de “rebelde sem causa” pelo pessoal do PT e do PC do B.
 
Eu me sentia anarquista por observar contradições tanto na esquerda quanto na direita (cuja disputa era forte na UFG da época, graças aos agroboys da UDR de Caiado – cursei entre 1988 e 1991, com a eleição presidencial de 89 bem no meio).
 
Acabei votando no Brizola, não por gostar do cara, tchê, mas por detestar a malandragem intelectual que eu via na cooptação feita pelos partidos de esquerda no Campus.
 
Hoje, com duas filhas para criar, vejo que estou muito mais à direita do que gostaria. Acredito que a iniciativa privada é, de fato, a mola que faz o mundo girar – e não o estado, como pensa a esquerda clássica.
 
E também passei a achar coisa de maluco colocar gente que nunca gerou um emprego sequer na vida para tocar a economia de um país.
 
Entendi que, na tal luta de classes, quem sempre perde é o trabalhador – não porque é explorado, mas porque perde o emprego mesmo e fica beeem mais próximo de uma condição humanamente indigna – para ficar no terreno constitucional.
 
Ou seja, ambos estão mais em simbiose, um dependendo do outro, do que em disputa. Elementar, portanto, que a atividade econômica deva ser semeada, adubada e manejada com todo o cuidado, assim como ainda é importante, em certa medida, a proteção ao trabalhador.
 
Sim, porque, para chegar a ser um “trabalhador”, integrado ao mundo da produção e do consumo, o homem requer preparação que quase sempre inexiste sem apoio do estado em países com sociedades profundamente desiguais e injustas, como o Brasil.
 
E o que fazer, então?
 
Esse ajuste fino entre liberdade de empreender e a necessidade de avanços sociais requer um governo extremamente qualificado, especialmente no trato da economia.
 
Mas um governo também sensível com a gama de pessoas que não são convidadas para a famosa festa do desenvolvimento. O que fazer com elas?
 
Em minha trajetória pessoal, encontrei parte dessa resposta no programa da social-democracia (PSDB). Outros amigos e conhecidos politizados a encontraram fora de partidos ou militaram em busca de posicionamentos menos extremos em suas legendas de origem.
 
Não consigo levar o Bolsonaro a sério. Não vejo verdade nele, nem mesmo quando fala as besteiras mais afinadas ao seu temperamento. Imagine se tratando de agendas que nem aparecem em seu radar.
 
Ele se deu bem na política assim, sendo um falastrão: soltando promessas irrealizáveis que seu eleitorado queria ouvir – cidadãos justificadamente ressentidos com o modo “hard” que a nossa sociedade atingiu.
 
Vejo suas entrevistas e ele me passa a impressão de que empurrará os graves problemas do país para debaixo de algum tapete – tenho para mim que o Bolsonaro, lá no fundo, morre de medo de vencer esta eleição e precisar governar a partir de janeiro.
 
Falta competência. Falta sensibilidade. E, vamos falar a real, falta moralidade também. Sua conduta na vida pública está longe de ser ilibada.
 
Para usar uma metáfora que remete à época da escola, ele é o típico cara do fundão, chegado numa arruaça, num bullying, que passa vergonha quando pretende falar sério e as notas são um desastre.

*Danin Júnior é jornalista

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por Danin Júnior

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