Samuel Straioto
Goiânia – O empresário Leonardo Rizzo, 1º suplente na candidatura de Gustavo Gayer (PL) ao Senado por Goiás, afirmou nesta sexta-feira (28/8), em entrevista concedida na sede do jornal A Redação, que a carga tributária brasileira reduz o poder de compra da população. Segundo ele, a perda de renda está relacionada ao tamanho da máquina pública e à quantidade de tributos embutidos no consumo. Além disso, criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional na condução dessa agenda.
Rizzo defendeu que a elevada carga de impostos é a principal responsável pela perda do poder de compra dos brasileiros. Segundo ele, boa parte da renda do trabalhador é consumida pelos tributos embutidos nas despesas do dia a dia. “Se você fizer uma média de todos os alimentos, a média não dá menos do que 55% de tributo. Você vai comprar gasolina, 60% de tributo. De outra forma, você fica um escravo desse sistema”, afirmou.
Para o candidato, o problema tem origem no tamanho da máquina pública. “Temos um Estado que gasta muito mais do que arrecada, para manter o privilégio dos três poderes — Legislativo, Executivo e Judiciário —, que são os três poderes mais caros do mundo”, disse. Rizzo defendeu ainda que o eleitor questione o custo da máquina pública no momento de votar.

Segurança jurídica e STF
Economista de formação, Rizzo disse ver na insegurança jurídica o principal obstáculo para quem empreende no Brasil, atribuindo o problema a interpretações divergentes da legislação e a decisões do STF. Para ele, o desequilíbrio entre os Poderes é resultado de um “Congresso fragilizado”. “Se você tem um Senado forte, o STF não faria o que faz. O STF só faz o que faz porque tem um Senado fraco”, declarou.
O candidato também defendeu limites de mandato para ministros do Supremo, citando o risco de formação de grupos de interesse ao longo de décadas no cargo. “Temos um ministro que entrou com 45 anos e vai ficar ali 30 anos. Em 30 anos ele casa, descasa, cria família, o filho vira advogado, o filho de sua vez casa com advogado. Passam a ter interesses. Nada que é público tem que ter espaço para familiocracia, apadrinhamento”, afirmou.
Máquina pública e mandatos parlamentares
Rizzo criticou parlamentares que atribuem a si próprios o mérito por emendas destinadas a municípios, classificando a prática como uma apropriação de uma obrigação do Estado. “Ele não está no Senado para isso. Isso é obrigação do Estado para com os municípios. Estão se apropriando de um direito natural do município, do cidadão, como se fossem salvadores da pátria”, disse.
O candidato relacionou a votação de aumentos de impostos por parlamentares à necessidade de o governo cobrir despesas. Ele também defendeu que candidatos sejam submetidos a sabatinas internas pelos partidos antes de disputar cargos, citando como referência a prática adotada pelo partido Novo, do qual já foi filiado.

“Desenrola” para clubes de futebol
Questionado sobre a proposta do governo federal de estender aos clubes de futebol um programa de renegociação de dívidas nos moldes do Desenrola, Rizzo classificou a ideia como “piada” e afirmou que os clubes não precisam desse tipo de apoio do governo. “Clube de futebol não quer essa ajuda do governo. Porque têm incentivos, deixam de pagar tributo do dia a dia. Não é uma empresa comum como qualquer outra. O grande problema é que a instituição tem que ter gestão”, declarou.
Dirigente do Vila Nova, clube goiano, Rizzo afirmou que o time não precisaria de uma medida como o Desenrola, citando a redução da dívida do clube nos últimos anos como exemplo de recuperação por meio de gestão própria e do engajamento da torcida, sem necessidade de intervenção estatal. “Hoje somos um clube formador, e posso dizer que a torcida do Vila Nova é a que mais se envolve com o clube. Quem ama realmente o seu clube, contribua”, afirmou. Ele defendeu, no entanto, que categorias de base de clubes formadores recebam algum tipo de incentivo para custear a formação de atletas.

Bets
Sobre o crescimento das casas de apostas on-line, Rizzo atribuiu o endividamento de parte da população à falta de regulamentação do setor, e não à atividade em si. “O que se pode esperar do governo é regulamentação. Pessoas com renda alta, proibidas de jogar, não podem jogar — essas coisas todinhas. Só pode jogar depois de uma certa idade, assim como só pode beber depois de 18 anos”, afirmou, defendendo que o Estado trate o tema de forma disciplinada, sem proibição.
