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Câncer de mama: tecnologia permite sobrevida sem quimioterapia

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30.10.2020 - 13:57:00

O câncer de mama é um dos desafios no cenário atual de envelhecimento populacional e enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. É o tipo de câncer que mais acomete as mulheres no País – com exceção dos tumores de pele não melanoma.
 
Grande parte dos cânceres de mama hoje é identificada em um estágio clinicamente curável, no entanto, todos apresentam o potencial risco de desenvolver doença metastática. Em tempos de pandemia, uma menor exposição a tratamentos que enfraquecem o sistema imunológico acaba sendo uma estratégia interessante.
 
Com o desenvolvimento de novas tecnologias, exames classificados como assinaturas moleculares com foco em análise gênica, trazem um estudo mais detalhado que determina se genes no tumor afetam o comportamento do câncer de mama. Dessa forma é possível fazer análises mais aprofundadas dos tratamentos e avançar de maneira importante em relação ao aumento das taxas de sobrevida e redução de toxidade. Os resultados desses testes colaboram para a tomada de decisão sobre tratamentos após a cirurgia, especialmente a indicação de quimioterapia.
 
Estes testes têm possibilitado que a quimioterapia se torne mais individualizada, precisa e, quando comprovada a sua não necessidade, extinguido situações desconfortáveis para as pacientes, além do melhor custo e economia para o sistema de saúde. Mas é preciso esclarecer que essas assinaturas não substituem a avaliação da equipe médica. Trata-se de mais uma possibilidade para o planejamento do tratamento de cada caso de câncer de mama.
 
Alguns tipos de câncer de mama inicial que apresentam receptores hormonais positivos (luminais) apresentam doença de melhor prognóstico, muitas vezes sem indicação de quimioterapia pós-operatória (adjuvante).
 
O Oncotype DX, por exemplo, pode reduzir a indicação de tratamento quimioterápico em até 70% dos casos para pacientes com tumores luminais. O teste analisa a biologia do tumor através da atividade de 21 genes. Os resultados do teste são incluídos em uma fórmula que gera o resultado do Recurrence Score (RS), ou seja, calcula um número de pontuação de recorrência entre 0 e 100. Quanto maior a pontuação, maior o risco de recorrência de um câncer de mama invasivo.
 
O teste Breast Cancer Index determina o tempo de tratamento com hormonioterapia (atua para evitar a ação dos hormônios nos receptores hormonais das células cancerígenas) adjuvante para pacientes com tumores luminais. Avalia necessidade de se estender a hormonioterapia adjuvante por período superior a cinco anos.
 
Já o Mammaprint analisa 70 genes e o comportamento da doença calculando o risco de recorrência como alto ou baixo. Tem sua principal indicação em pacientes com alto risco clínico. Não é indicado para pacientes com doença de baixo risco clínico e tem indicação duvidosa para pacientes na pré-menopausa segundo atualização da Associação Americana de Oncologia (Asco). No geral pacientes com um ou três linfonodos (gânglios) positivos (N+) foram pouco avaliados nesses estudos e a Asco ressalta que não se pode excluir o benefício da quimioterapia adjuvante para pacientes N+.
 
Tais exames podem poupar pacientes de tratamentos desnecessários e indicar terapia complementar para pacientes que tradicionalmente seriam excluídas destes protocolos, proporcionando ganho em sobrevida livre de doença.

 
*Gabriel Felipe Santiago é oncologista clínico do Centro de Oncologia IHG Medicina Humanizada

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por Gabriel Felipe Santiago

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